Por que as telas dos celulares cresceram tanto nos últimos 10 anos?

Por Victor Carvalho | Editado por Wallace Moté | 14 de Julho de 2022 às 14h40

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Celulares ficaram maiores desde a estreia do Canaltech em 12 de julho de 2012. Se você tem pelo menos 15 anos de idade deve ter notado como os aparelhos passaram de pequenos brinquedos a computadores compactos capazes de realizar quase todo tipo de tarefa na palma da mão. E essa tendência de displays maiores não aconteceu em vão. Nesta matéria especial deciframos a evolução no tamanho das telas dos aparelhos que nos acompanham todos os dias.

Quando falamos em evolução — tanto eletrônica como biológica —, vemos que não é apenas um fator que determina a mudança e tendências evolutivas com o passar dos anos. Em vez disso, diversos pontos decisivos acontecem para que tenhamos chegado onde estamos hoje.

Dessa forma, não foi apenas a procura por celulares maiores que fez confortáveis smartphones com tela de apenas 3,5 polegadas atingirem monstruosos tamanhos que hoje superam facilmente a faixa das 6 polegadas. Passaremos abaixo por alguns dos principais fatores que, em conjunto, transformaram a experiência do smartphone na última década.

Popularidade no consumo de conteúdo

Antes mesmo dos celulares deixarem de custar uma fortuna e se disseminarem por faixas de preços mais acessíveis, empresas já percebiam que usuários estavam passando cada vez mais tempo com os smartphones em mãos e olhos grudados nas pequenas telas.

Pensando em conquistar os consumidores que buscavam celulares grandes para jogar e assistir filmes, séries e vídeos, e que ao mesmo tempo não possuíam interesse em adquirir um tablet exclusivamente para isso, fabricantes começaram a projetar celulares maiores, com a Samsung sendo uma das grandes precursoras da categoria que em 2012 era toscamente chamada de "phablets".

Combinando as palavras "smartphone" e "tablet", sites de notícias, fabricantes de celulares e consumidores começaram a pegar gosto pelos phablets, com o termo se tornando extremamente popular de 2012 a 2015, e finalmente caindo em desuso após todos percebermos o quão desnecessário era chamar celulares grandes de tal forma quando praticamente todos os modelos já caminhavam para o padrão.

Mesmo assim, a palavra phablet tinha como objetivo deixar claro que aquele não era um simples celular, era um smartphone grande que você sempre sonhou para fazer mais.

As telas maiores ofereciam maior facilidade de visualizar conteúdo em jogos, filmes e vídeos, além de oferecer facilidade de leitura em livros e artigos, bem como navegação mais ágil oferecendo suporte para multitarefa dividindo a tela em duas.

O Lumia 1520 foi um dos principais phablets do ano de 2013, dividindo o posto com o mais barato Lumia 1320, o Galaxy Note 3 e o gigantesco Xperia Z Ultra. O modelo da Sony, por sua vez, possui dimensões que superam com facilidade grandes celulares de 2022, incluindo o Galaxy S22 Ultra e o iPhone 13 Pro Max.

Câmeras mais avançadas ocupam espaço

Quando falamos da evolução de dispositivos eletrônicos sempre ouvimos comentários sobre como a tecnologia se tornou pequena e avançada, e claramente isso é uma verdade. Mas quando focamos nas câmeras dos smartphones, tamanho importa e maior sempre é melhor.

Entre os celulares mais poderosos de 2012 existiam modelos como o iPhone 5 e o Galaxy S3, ambos com apenas uma câmera traseira, sensor com resolução de 8 MP e tamanho de aproximadamente 1/3 polegada.

Com os avanços nos últimos dez anos, smartphones se tornaram maiores e empresas se interessaram em levar mais câmeras aos dispositivos — o Nokia 9 Pureview com cinco câmeras traseiras foi lançado em 2019, por exemplo.

Também presenciamos grandes avanços de imagem ano após ano, seja de forma física com sensores cada vez maiores ou por software, com a inteligência artificial otimizando o melhoramento de imagem com resultados surpreendentes.

Hoje o iPhone 13 Pro Max oferece um conjunto de câmera tripla de 12 MP e sensor principal com tamanho de 1/1,65 polegada. O Galaxy S22 Ultra oferece quatro câmeras traseiras e sensor principal de 108 MP com tamanho de 1/1,33 polegada — além de uma lente periscópica que também ocupa espaço considerável.

Os atuais smartphones recordistas em tamanho de sensor de imagem são o Xperia 1 IV, onde a Sony reposicionou o sensor de 1 polegada da linha de câmeras profissionais, e o Xiaomi 12s Ultra, com sensor de 1 polegada projetado pela Sony especificamente para smartphones.

O equilíbrio entre alta resolução e boa densidade de pixels

Por fim, uma das principais e mais visíveis mudanças nos últimos dez anos está na presença da alta resolução das telas e a alta densidade de pixels nos smartphones.

Enquanto boa parte dos dispositivos ainda adotavam a resolução HD, hoje em dia a grande parte dos lançamentos contam com tela de resolução Full HD. O primeiro smartphone com tela de qualidade 1080p foi o HTC J Butterfly, lançado em outubro de 2012.

Dez anos depois e a resolução 4K ainda não se disseminou pelos dispositivos móveis. A culpa está no maior consumo de energia e processamento, além do alto custo de produção dos painéis Ultra HD em formatos compactos.

Um smartphone como o Galaxy A03 com 6,5 polegadas e resolução HD tem cerca de 270 ppi (pixels por polegada). O Galaxy S22 Plus, com 6,6" e resolução Full HD tem 393 ppi. O Xperia 1 IV com tela de 6,5" e resolução 4K tem densidade de 643 ppi.

Atualmente a única empresa que insiste em lançar celulares com tela 4K é a Sony.

Em 2015 a empresa anunciou o Xperia Z5 Premium como primeiro celular com display 4K. Dois anos depois a japonesa lançou o Xperia XZ Premium como primeiro celular com tela 4K e HDR. Mais dois anos depois, em 2019, o Xperia 1 foi mais um marco na história da companhia, se consolidando como o primeiro celular com tela OLED de resolução 4K.

Smartphones vão crescer mais?

A pergunta que resta é: se empresas não estão mais aumentando o tamanho de telas dos smartphones, eles ainda vão crescer? A resposta é sim. "Como?", você pode se perguntar. Dobrando.

Os smartphones dobráveis são a mais nova tendência do mercado. O display OLED é extremamente versátil e maleável, permitindo que o painel seja curvado com facilidade sem comprometer a qualidade de imagem.

Desde 2019 vemos aparelhos móveis com tela flexível sendo lançados, e cada vez mais lançamentos disputam a atenção dos consumidores. Empresas como Samsung, Huawei, Oppo e Xiaomi já transformam a ideia em realidade.

Assim, smartphones com mais de uma tela podem tirar proveito de um display interno maior — como é o caso do Galaxy Z Fold 3 —, ou ainda oferecer uma visão mais ousada como o Huawei Mate Xs 2, cuja tela de 6,5 polegadas se transforma em 7,8 polegadas quando o aparelho é aberto.

Além dos dobráveis, empresas desenvolvem as chamadas "telas enroláveis" que se curvam dentro do corpo do smartphone e oferece um visual mais simples sem precisar dividir o dispositivo em dois.

Ao mesmo tempo, este tipo de tela conta com engrenagens para desenrolar o painel e expandir a área útil do display, transformando o smartphone em tablet compacto com apenas um toque.

Os últimos 10 anos no mercado de smartphones foram emocionantes, com grandes acontecimentos, estreias desastrosas e tecnologias que ainda prometem, o que nos deixa ainda mais animados para a próxima década de vida do Canaltech.

Como estará a tecnologia quando comemorarmos o 20° aniversário do Canaltech? Smartphones serão coisa do passado? Teremos substituído os celulares por óculos inteligentes? O metaverso vai se tornar uma realidade? É esperar para ver.