Propilenoglicol do cigarro eletrônico aumenta o risco de infarto?

Por Fidel Forato | Editado por Luciana Zaramela | 26 de Setembro de 2022 às 11h20

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Para além da nicotina, os cigarros eletrônicos têm diferentes compostos químicos em sua fórmula, como o propilenoglicol. No caso deste último, o uso é seguro para o consumo humano — inclusive, está presente em alguns alimentos — e é usado para diluir a nicotina, mas, ao ser aquecido, libera substâncias relacionadas com as doenças cardiovasculares, como acetaldeído, tolueno, formaldeído e benzeno. Com o uso contínuo de e-cigs, o risco de infarto aumenta.

Inclusive, as doenças relacionados com o hábito de usar cigarros eletrônicos e o possível estímulo do uso desses dispositivos por adolescentes e jovens adultos fizeram com que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) mantivesse a proibição deles no Brasil.

Estudo investiga propilenoglicol em cigarros eletrônicos

Publicado na revista científica International Journal of Cardiology, a revisão sistemática — investigação que compara resultados obtidos por outros estudos — sobre o risco de infarto e o uso de cigarros eletrônicos foi liderado por pesquisadores da University at Buffalo, nos Estados Unidos, e da Aruna Asaf Ali Government Hospital, na Índia.

"Aqueles que usam cigarros eletrônicos têm maiores chances de sofrer um infarto do miocárdio em comparação a quem não usa cigarros eletrônicos", afirmam os autores do estudo. Por ouro lado, "o uso de cigarros eletrônicos está associado a metade do risco de infarto do miocárdio em comparação com o tabagismo tradicional", acrescentam.

Para chegar a estas conclusões, os pesquisadores agruparam estudos — feitos entre 2018 e 2019, nos EUA — em que era possível identificar os seguintes perfis:

  • Pessoas que nunca fumaram;
  • Usuário de cigarros eletrônicos;
  • Indivíduos que fumam cigarro tradicional.

No total, foram identificadas 585 mil pessoas. Do total, 19,4 mil eram usuárias de cigarros eletrônicos — que contêm o propilenoglicol para diluir a nicotina —, 1,6 mil utilizavam apenas cigarros tradicionais e 553 mil não eram tabagistas.

Risco de infarto aumenta com os cigarros eletrônicos

No estudo, os pesquisadores concluíram que o risco de infarto era 33% maior em pessoas que fumavam cigarros eletrônicos — diariamente ou em dias intercalados —, quando se compara o mesmo risco para pessoas que não fumavam. Agora, os e-cigs "estão associados a um risco 39% menor de infarto do miocárdio quando comparados ao tabagismo tradicional", explicam os autores.

No entanto, a afirmação deve ser vista com cautela, já que existem fatores que devem ser considerados, como idade dos usuários e fatores socioeconômicos. "Mais estudos, de preferência longitudinais, são necessários para melhor entendimento desta associação e confirmação desses resultados. Atualmente não existem dados para recomendar a utilização do cigarro eletrônico como forma de cessação de tabagismo", completam.

Fonte: International Journal of Cardiology, Sbpt e PebMed