Giro da Saúde: posição ao dormir evita esclerose; crise de insumos hospitalares

Por Luciana Zaramela | 17 de Julho de 2022 às 08h00

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Perdeu as principais notícias de saúde e ciência da última semana? Sem problemas! Todo domingo, o Canaltech resume os destaques da editoria de saúde para você ficar em dia. E no Giro de hoje, falaremos de novos transplantes de coração suíno, associação entre posição de dormir e doenças neurodegenerativas e crise de insumos hospitalares no Brasil — entre outros assuntos.

Corações de porco são transplantados em quem teve morte cerebral

Na terça-feira passada (12), médicos da New York University (NYU) anunciaram mais um feito envolvendo transplante de um órgão suíno em humanos: em testes, eles conseguiram transplantar um coração de porco em pacientes com morte cerebral. E deu certo!

Nos testes, os corações de porco funcionaram normalmente nos organismos humanos, isto é, não houve rejeição durante o período de acompanhamento (três dias). Normalmente, órgãos suínos sem qualquer alteração genética são rejeitados pelo corpo humano, e por isso a equipe de cientistas envolvidos nas cirurgias precisou optar por corações de porcos editados por uma empresa chamada Revivicor. Sem presença de vírus ou outros patógenos nocivos, os corações vieram de porcos modificados para evitar incompatibilidades e crescimento anormal de órgãos.

O jeito que você dorme pode te proteger de doenças neurodegenerativas

Quais as suas posições preferidas para dormir? De bruços, barriga para cima ou de lado? Um estudo publicado recentemente na revista científica The Lancet mostra que nosso jeito de dormir parece impactar na prevenção de doenças neurodegenerativas, como a ELA (esclerose lateral amiotrófica), no futuro. Para descobrir as melhores posições, os cientistas identificaram em camundongos o sistema de eliminação de resíduos do cérebro, mais conhecido como sistema glinfático. Ele é a chave para entender e combater esse tipo de doença.

O acúmulo de proteínas residuais causadoras da ELA começa antes do surgimento dos sintomas, e os pesquisadores quiseram entender se eliminar ou retardar a disseminação desses resíduos poderia interromper a progressão da doença. Assim, a equipe descobriu que a função glinfática é mais eficiente ao dormir de lado, em comparação com quem dorme de bruços ou de barriga para cima. As razões para isso ainda não são totalmente compreendidas, mas as principais hipóteses envolvem efeitos da gravidade, compressão e alongamento de tecidos.

Adicionar sal à comida pode reduzir expectativa de vida

Você curte uma comida bem temperada? Então, abra o olho com o saleiro: colocar mais sal do que já vem na comida pode ser tão prejudicial a ponto de abreviar sua vida em até dois anos. Para chegar a essa conclusão, cientistas de Oxford analisaram dados de 500 mil britânicos.

"Mesmo uma redução modesta na ingestão de sódio pode resultar em benefícios substanciais para a saúde, especialmente quando alcançado na população em geral”, afirma o estudo. O grupo de pessoas adepto a uma quantidade maior de sal teve um risco 28% maior de morte prematura.

O estudo ainda identificou que, aos 50 anos, homens e mulheres que sempre adicionavam sal tinham uma expectativa de vida 2,3 anos e 1,5 anos menor, respectivamente. Mas vale dizer que outros fatores podem interferir nesses resultados, como idade, sexo, etnia, privação, índice de massa corporal, tabagismo, ingestão de álcool, atividade física, dieta e doenças crônicas.

Falta de insumo hospitalar acirra crise no Brasil

Mais um problema de saúde pública no Brasil, desta vez com insumos básicos: segundo a Confederação Nacional de Saúde (CNSaúde), o país atravessa uma fase de significativa falta de materiais hospitalares. Para se ter uma ideia, 53% dos equipamentos de saúde estão com estoque de soro abaixo de 25%, enquanto os outros 37% estão com estoque abaixo de 50%.

O relatório enfatiza que os pacientes em tratamento de hemodiálise são os mais afetados pela crise. O soro fisiológico, item básico em qualquer unidade hospitalar, tem sido encontrado apenas por um preço 100% mais caro que o comum. Além dele, o Brasil enfrenta uma falta significativa de antibióticos, como amoxicilina e azitromicina.

Além de soro e antibióticos, a pesquisa faz um alerta para a falta de outros insumos básicos:

  • Dipirona injetável (com baixo estoque em 62,9% das unidades avaliadas);
  • Atropina (50,5%);
  • Líquido de contraste, usado em exames radiológicos (49,5%).

Diante desse cenário preocupante, hospitais e clínicas cobram um posicionamento do Ministério da Saúde, mas a pasta argumenta que a crise da falta de insumos está fora de seu alcance, já que tem como principais causas a guerra na Ucrânia e a alta do dólar. Em conjunto com a Anvisa, a Saúde promete articular ações de enfrentamento ao desabastecimento de insumos hospitalares no Brasil.

Para tentar tratar covid longa, pessoas estão "lavando o sangue"

Não tardou para que a covid longa entrasse para o rol de doenças a serem "tratadas" indiscriminadamente na base de tentativa e erro. Pacientes com a condição estão atravessando fronteiras e viajando para clínicas particulares da Alemanha, Suíça e Chipre a fim de realizar uma espécie de lavagem do sangue e usar anticoagulantes, em uma tentativa sem base científica de se livrar das sequelas da covid em seus organismos.

Chamado de aférese, o procedimento consiste em extrair o sangue do paciente e filtrá-lo, com o intuito de remover toxinas, antes de devolvê-lo ao corpo. Sem qualquer comprovação científica, a Sociedade Alemã de Nefrologia segue apoiando o tratamento como último recurso a quem ficou com distúrbios lipídicos após contrair covid-19. O problema é que não foram feitos testes clínicos em pacientes com covid, e o procedimento ainda traz riscos, como prováveis sangramentos, coagulação, infecção e reações aos agentes utilizados no processo.

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