Por que nós rimos? Estudo sugere que pode ser pela sobrevivência

Por Nathan Vieira | Editado por Luciana Zaramela | 26 de Setembro de 2022 às 10h10

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Segundo uma revisão publicada na revista científica New Ideas in Psychology, o riso foi preservado pela seleção natural ao longo dos últimos milênios para ajudar o ser humano a sobreviver. Para chegar a essa afirmação, os pesquisadores analisaram as características físicas do riso, os centros cerebrais relacionados à sua produção e os benefícios para a saúde.

A teoria da incongruência sugere que rir não é uma sensação generalizada de que as coisas estão fora de sintonia ou incompatíveis. Trata-se de nos encontrarmos em uma situação específica que subverte nossas expectativas de normalidade.

Por exemplo, se virmos um tigre passeando por uma rua da cidade, pode parecer incongruente, mas não é cômico. Se o tigre rolar como uma bola, então se torna cômico. Para ser engraçado, o evento também deve ser percebido como inofensivo.

Assim, podemos reduzir o riso a um processo de três etapas. Primeiro, precisa de uma situação que pareça estranha e induza uma sensação de incongruência. Em segundo lugar, a preocupação provocada pela situação deve ser trabalhada e superada. A liberação real do riso atua como uma sirene para alertar os espectadores de que eles estão seguros.

Conforme sugere o estudo, o riso pode ser um sinal que as pessoas usam há milênios para mostrar aos outros que uma resposta de luta ou fuga não é necessária e que a ameaça percebida passou. Por isso, inclusive, que rir é muitas vezes contagioso: nos une, nos torna mais sociáveis, sinaliza o fim do medo ou da preocupação.

A revisão desses dados sobre o riso também permite uma hipótese sobre por que as pessoas se apaixonam por alguém que proporicona momentos de riso: essa pessoa está sinalizando que podemos relaxar e que estamos seguros, e isso cria confiança. Logo, do ponto de vista evolutivo, esse comportamento humano talvez tenha cumprido uma função importante em termos de consciência do perigo e autopreservação.

Fonte: New Ideas in Psychology via Science Alert