Os olhos podem mudar de cor ao longo da vida?

Por Nathan Vieira | Editado por Luciana Zaramela | 02 de Outubro de 2022 às 17h00

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Ao contrário do que muitos podem pensar, é possível que os olhos mudem de cor ao longo da vida: uma ampla gama de influências externas pode desencadear essas alterações, de ferimentos a infecções e até danos causados ​​pelo sol. No entanto, a mudança também pode acontecer espontaneamente.

Um estudo chegou a acompanhar 148 bebês nascidos no Hospital Infantil Lucile Packard, na Califórnia, registrando a cor da íris no nascimento. Dois anos depois, a equipe descobriu que, dos 40 bebês de olhos azuis envolvidos no estudo, 11 tinham olhos castanhos aos dois anos de idade, três cor de mel e dois verdes. Mas dos 77 recém-nascidos de olhos castanhos, quase todos (73) ainda tinham olhos castanhos aos dois anos de idade.

O estudo sugere, então, que os olhos azuis são muito mais propensos a mudar do que os olhos castanhos durante os primeiros estágios de nossas vidas, ou seja: é mais comum que os olhos claros fiquem mais escuros na primeira infância.

Ainda não se sabe com convicção por que isso acontece, mas uma pista está no fato de que quando os olhos dos bebês mudam de cor, tendem a ficar mais escuros, não mais claros. Apenas cinco das 148 crianças do estudo (3,4%) tinham olhos que clareavam com a idade. A tendência ao escurecimento pode ser devido ao acúmulo de um pigmento protetor nas íris.

Essa mudança de cor relativamente comum e saudável está principalmente confinada à primeira infância. Em outro estudo nos EUA, que acompanhou mais de 1.300 gêmeos desde a infância até a idade adulta, a cor dos olhos geralmente parava de mudar aos seis anos de idade, embora em alguns casos (10-20% dos estudados), continuasse a mudar ao longo da adolescência.

Entre gêmeos não idênticos, a cor dos olhos era mais provável de divergir na vida adulta do que entre gêmeos idênticos. Isso sugere um elemento genético para a propensão a mudar a cor dos olhos. No entanto, a ciência ainda está um pouco longe de entender esse mistério por completo. Vale ficar a tento a cada estudo que se conquista as revistas científicas.

Fonte: BBC Future