O que é dependência emocional?

Por Nathan Vieira | Editado por Luciana Zaramela | 27 de Setembro de 2022 às 11h11

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Com a chegada do mês de setembro, a campanha de conscientização pela vida ganha força, fomentando pautas ligadas à saúde mental. Em meio a isso, é válido entender o que é dependência emocional, suas características e como ajudar uma pessoa com o apego afetivo exagerado.

Conforme comenta Shefânia Ferreira, psicóloga do Sesc e Senac Goiás, a Associação de saúde mental latina define a dependência emocional como um conjunto de comportamentos e pensamentos que prejudicam a relação mútua e satisfatória entre duas pessoas. Essa dependência passa a ser de maneira excessiva, quando o indivíduo não consegue ser feliz sozinho, sempre precisa da aprovação alheia, isso é a dependência emocional.

“A dependência emocional pode acontecer de várias maneiras, na vida de um casal, entre um familiar e até mesmo entre amigos. Então a dependência emocional pode ser de vários formatos”, afirma a psicóloga.

Enquanto isso, o Dr. Henrique Bottura (psiquiatra, diretor clínico do Instituto de Psiquiatria Paulista e colaborador do ambulatório de impulsividade do Hospital das Clínicas de São Paulo) complementa, dizendo que existe um diagnóstico em psiquiatria que chama-se transtorno de personalidade dependente, o que talvez seja o mais próximo do termo “dependência emocional”.

Nesse transtorno, a pessoa sempre tem uma dependência do outro. Não consegue agir com confiança, dar conta da vida e precisa sempre de alguém para dar um suporte.

“De certa forma, todos somos dependentes emocionalmente, precisamos de outras pessoas. Algumas pessoas têm necessidade maior provavelmente por ter uma insuficiência no próprio eu, uma insuficiência na própria confiança, que permita que ela dê conta de lidar com os desafios da vida”, aponta o psiquiatra.

Sintomas da dependência emocional

Os especialistas reforçam que as principais características de uma pessoa dependente emocionalmente envolvem:

  • Medo de ficar sozinho
  • Dificuldade de tomar decisões sozinho
  • Submissão
  • Baixa autoestima
  • Apego excessivo
  • Ciúme excessivo, que pode se tornar até uma violência física

“A dependência emocional, esse apego exagerado afetivo, pode ser muito prejudicial às nossas relações. Buscar a opinião e validação de uma pessoa muito querida por nós, é natural e importante, só que quando isso se torna dependência, você só consegue fazer alguma coisa se tiver essa validação ou quando você só consegue se sentir feliz quando uma outra pessoa está junto, aí sim é um momento de procurar ajuda. Não é mais saudável”, reforça a psicóloga.

Já Bottura disserta que, normalmente, múltiplos fatores causam a dependência emocional: “Existem questões biológicas, mas também do modelo de educação de vida que a pessoa teve, dificuldades. É um fator multicausal.”

O especialista reforça que a dependência é identificada pela dificuldade que a pessoa tem de se sentir suficiente, dando conta. E não só pela sensação, mas também pela objetividade do fato em si de não dar conta.

Como ajudar uma pessoa com dependência emocional?

Segundo Shefânia, ajudar uma pessoa com dependência emocional nem sempre é uma tarefa fácil, porque muitas vezes ela nem percebe o quão prejudicial está sendo aquela dependência para ela.

“Então o caminho para várias coisas da nossa vida é o autoconhecimento. Se você não é capaz, sozinho, de perceber algo que está sendo falado por uma ou duas pessoas no seu convívio, busque ajuda especializada. O importante é você se conhecer, cuidar de você e ver a importância que você tem dado para o outro na sua vida”, aconselha a especialista.

Bottura reforça que as consequências acontecem para a própria pessoa (sensação crônica de um vazio, uma impotência perante o mundo), mas no entorno social, ela vai sobrecarregar outras pessoas, porque alguém vai ter que dar conta. Isso acaba ocupando o cônjuge, o pai, a mãe ou familiares que acabam absorvendo as demandas que a pessoa com dependência emocional apresenta.

“Para se livrar dessa dependência emocional, a pessoa precisa desenvolver competências, segurança, amor próprio, autodirecionamento (percepção de capacidade de dar conta daquilo). O caminho é sempre para algo terapêutico — ou seja, a psicologia clínica — que ajuda a pessoa a se estruturar”, finaliza.