Estímulos cerebrais podem aliviar sintomas do TOC

Por Nathan Vieira | Editado por Luciana Zaramela | 30 de Setembro de 2022 às 18h28

clique para compartilhar

Link copiado!

Uma equipe de pesquisadores da University of Colorado Anschutz Medical Campus identificou que a técnica de estimulação cerebral profunda é capaz de aliviar sintomas do transtorno obsessivo compulsivo (TOC).

Um cérebro com TOC está preparado para detectar quaisquer sinais de perigo potencial. Muitas pessoas com TOC acordam todos os dias com uma sensação de pavor e uma expectativa de que coisas ruins aconteçam. A vida diária é ofuscada pela sempre presente culpa, vergonha, medo e dúvida.

Como resultado, esses pacientes realizam atividades compulsivas e repetitivas para tentar evitar o desastre e gerenciar as emoções dolorosas. O melhor tratamento inicial para o TOC é um tipo de terapia de saúde mental chamada exposição e prevenção de resposta. Durante essas sessões, os pacientes são apoiados para confrontar gradualmente seus medos, ao mesmo tempo em que limitam os comportamentos que eles associam à segurança.

Mas para o grupo de indivíduos com TOC grave e persistente, a estimulação cerebral profunda (um procedimento que menos de 400 pessoas com TOC foram submetidas em todo o mundo) pode ser eficaz. A técnica requer um procedimento neurocirúrgico para colocar eletrodos finos em estruturas profundas do cérebro, especificamente uma região conhecida como cápsula ventral/estriado ventral. Esses eletrodos fornecem correntes elétricas ao cérebro.

A corrente é produzida por geradores de pulso no tórax que se parecem muito com marca-passos cardíacos. Eles estão conectados aos eletrodos no cérebro por fios tunelados sob a pele. A ciência ainda não tem uma compreensão precisa de como funciona a estimulação cerebral profunda, mas por enquanto, o que se sabe é que ela normaliza a comunicação entre as partes do cérebro responsáveis ​​por receber informações e aquelas responsáveis ​​por agir sobre essas informações.

Essas áreas estão hiperconectadas em pessoas com TOC, levando a uma dependência excessiva de comportamentos reflexivos ou habituais. Assim, as mudanças induzidas pela estimulação cerebral profunda se correlacionam com a redução dos sintomas do TOC. Esse tipo de neuroestimulação é mais comumente usado para controlar os sintomas da doença de Parkinson, mas vale ficar de olho nas possibilidades que se ampliam aos pacientes com o transtorno obsessivo compulsivo.

Fonte: University of Colorado Anschutz Medical Campus, Science Alert via The Conversation