Brasileiro tem sintomas de Alzheimer revertidos ao usar óleo de cannabis

Por Fidel Forato | Editado por Luciana Zaramela | 27 de Setembro de 2022 às 17h45

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Uma equipe de pesquisadores brasileiros avalia os efeitos do extrato de cannabis, preparado com maior concentração de THC (tetrahidrocanabinol), no tratamento de casos leves e moderados do Alzheimer. Liderado pela Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), em Foz do Iguaçu, o estudo envolve 28 voluntários e, de forma preliminar, os resultados são positivos. Entre os casos, está o do agricultor Delci Ruver, de 78 anos.

“Sou outra pessoa agora e todo mundo tem percebido isso. Meu dia a dia mudou em tudo. Eu me esquecia de coisas básicas, saía de casa para ir a um lugar e parava em outro totalmente diferente. Agora não, eu vou e volto, durmo bem, acordo mais disposto e faço meu chimarrão”, afirma o voluntário em entrevista à Folha de Londrina. No caso específico do paciente, o uso do extrato de cannabis começou em 2017. Desde então, ele vem usando substância há mais de 20 meses.

Segundo os pesquisadores, até agora, os resultados obtidos indicam a melhora ou estabilidade do quadro clínico que, normalmente, seria marcado pelo declínio neurológico e cognitivo. O período de avaliação médio das mudanças, entre os voluntários, é de seis meses.

Como são feitos os testes brasileiros com cannabis?

Durante a pesquisa sobre o uso de cannabis contra o avanço do Alzheimer, os pacientes selecionados passam por avaliações clínicas, o que envolve testes e questionários para avaliar a memória, cognição e aprendizado do paciente.

Além disso, eles são avaliados através de testes bioquímicos, com coletas de sangue e liquor (fluido cérebro-espinhal). A ideia é entender a relação do quadro com proteínas, enzimas e medidores inflamatórios que têm relação com o Alzheimer.

Em comunicado, o professor de Medicina e Biociências da Unila e coordenador da pesquisa, Francisney Nascimento, explica que o objetivo do estudo é analisar se o uso da cannabis "pode recuperar a cognição do paciente e o déficit de memória". Do outro lado, também busca entender se o extrato "é capaz de reduzir a progressão da doença”, acrescenta.

Em estudos com pré-clínicos da própria Unila, o uso do extrato de cannabis foi responsável por uma melhora no restabelecimento da memória, a partir de novos brotamentos neuronais em animais. Em outras palavras, foi possível identificar a produção de novos neurônios e, agora, é necessário confirmar esses resultados em humanos, como o grupo de pesquisadores brasileiros está fazendo.

Resultados ainda são preliminares

"Estamos fazendo a análise estatística dos dados, mas o que conseguimos adiantar desse trabalho é que os pacientes que fizeram o uso de cannabis, durante seis meses, se mostraram clinicamente estáveis", explica a pesquisadora e farmacêutica Ana Carolina Ruver Martins. Além de atuar no estudo, ela é neta de Delci.

No momento, é necessário aguardar pelos resultados completos do estudo que busca formas para desacelerar o declínio cognitivo causo pelo Alzheimer. Ainda não há previsão para a publicação do estudo completo em uma revista científica.

Vale ressaltar que, para obter os extratos da cannabis, a pesquisa conta com o apoio da Associação Brasileira de Apoio Cannabis Esperança (Abrace Esperança). Inclusive, o Canaltech já conversou com o responsável pela iniciativa sem fins lucrativos e pelo cultivo de mais de 10 mil pés da planta.

Fonte: Unila e Folha de Londrina