Anvisa amplia proibição de lotes de propilenoglicol com suspeita de contaminação

Por Fidel Forato | Editado por Luciana Zaramela | 30 de Setembro de 2022 às 15h47

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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aumentou, na quinta-feira (29), as medidas adotadas para conter a venda de produtos para consumo humano com lotes de propilenoglicol contaminado. A ação é mais um dos desdobramentos do caso que envolveu a morte por intoxicação de mais de 50 cachorros no Brasil, após o consumo de petiscos.

"Com essa nova medida, está proibida a distribuição, comercialização e uso, além de determinado o recolhimento, de todo o propilenoglicol que contenha números de lotes com os códigos 5053C22 e 4055C21 (acrescentado ou não por letras iniciais complementares) e dos produtos fabricados a partir deles", informa a Anvisa, em comunicado.

Por que a Anvisa ampliou a lista de lotes proibidos de propilenoglicol?

Em parceria com o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS) e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), a Anvisa segue a investigar a rota dos lotes com propilenoglicol que teriam sido contaminados com monoetilenoglicol (etilenoglicol) — extremamente tóxico para o consumo humano e animal. No momento, as ações ainda estão em andamento.

"Foi verificado que empresas da área de produtos químicos compram os produtos, retiram o rótulo original e colocam novas informações de rotulagem com os dados da sua empresa. Esse fato tem dificultado a rastreabilidade dos produtos", explica a Anvisa. Neste cenário, é preciso ampliar a lista de proibições.

Apesar disso, a maioria das empresas identificadas mantém, no rótulo, as informações numéricas dos lotes envolvidos: 5035C22 e 4055C21. Uma das questões que dificulta a fiscalização é que letras estão misturadas na numeração, como em AD5035C22. Outro ponto é que, às vezes, a empresa inclui também um número de lote interno criado por ela.

Quais empresas foram identificadas?

A seguir, a Anvisa lista as empresas já identificadas e que estão envolvidas na distribuição e venda do propilenoglicol com indícios de contaminação:

  • A&D Química Comércio Eireli, devido aos lotes AD 4055 C21 e AD 5035 C22;
  • Tecno Clean Industrial Ltda, devido aos lotes AD 4055 C21 e AD 5035 C22;
  • Atias Mihael Comércio de Produtos Químicos Ltda, devido aos lotes ATIAS 98088/220, 98489/200, 98588/220, 99578/220, 99867/220, 99991/220, 100196/220, 100310/220 e 100353/220;
  • Limpamax Comércio Atacadista de Produtos de Higiene e Limpeza Ltda, devido ao lote AD5035C22;
  • EJTX Comércio e Produtos Alimentícios e Máquinas e Equipamentos Industriais Ltda (Pantec Tecnologia para Alimentos), devido ao lote AD5035C22;
  • Bella Donna Produtos Naturais Ltda, devido aos lotes AD 5035 C22 e AD 4055 C21.

Anteriormente, a Anvisa também descobriu que a marca de massas Keishi, fabricadas pela BBBR Indústria e Comércio de Macarrão, teria usado o composto supostamente contaminado e proibiu a venda de alguns de seus produtos.

O que acontece ao ingerir propilenoglicol e monoetilenoglicol?

Vale reforçar que o problema desses produtos não está em usar o propilenoglicol em produtos alimentícios, já que isso é autorizado pela Anvisa. A questão é que lotes do produto foram contaminados pela substância tóxica monoetilenoglicol. Quando cachorros comeram petiscos feitos com esta matéria-prima, foram intoxicados.

Em humanos, "provoca irritação moderada à pele e irritação ocular. Pode prejudicar a fertilidade ou o feto. Provoca insuficiência renal e hepática. Promove danos aos órgãos (sistema nervoso central e sistemas respiratório, cardiovascular, digestório e urinário)", completa a agência.

Fonte: Anvisa