6 mitos e verdades sobre gripe que você precisa saber

Por Fidel Forato | Editado por Luciana Zaramela | 01 de Outubro de 2022 às 12h00

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Os vírus que causam a gripe (influenza) são bastante comuns. Muito provavelmente, você já foi infectado por este agente infeccioso e apresentou alguns sintomas característicos da doença, como febre, tosse e dor no corpo. Apesar disso, inúmeros boatos sobre a infecção são disseminados nas redes sociais. Entre os mitos mais comuns, está a recomendação de se usar antibiótico ou de que a infecção é sempre leve.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), todos os anos, entre 5% a 10% da população mundial é infectada pelo vírus da gripe. Isso significa que algo próximo de 500 milhões de casos de influenza acontecem anualmente e, de fato, a maioria deles são leves. No entanto, a infecção pode ser grave, levar o paciente a ser internado e, em último caso, provocar o óbito.

A seguir, confira 6 maiores mitos e verdades sobre a gripe, incluindo os boatos que envolvem as vacinas — que são aplicadas gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS):

Mito: antibióticos combatem o vírus da gripe

Talvez, o maior mito sobre a gripe é de que ela possa ser combatida com o uso de antibióticos, o que é uma mentira. Como regra, essa classe de medicamentos é adotada para o tratamento de infecções bacterianas e estas diferem das virais, como a causada pelo vírus da influenza. Inclusive, o uso indiscriminado de antibióticos contribui com o aumento da resistência antimicrobiana.

Na maior parte dos casos, os médicos irão prescrever apenas medicamentos que aliviem os sintomas do quadro gripal, como descongestionantes ou antitérmicos (remédios para febre). Aqui, é importante destacar que, em casos graves de gripe, o paciente debilitado pode desenvolver outras infecções e pneumonias bacterianas. Nesses casos, o uso de antibióticos pode ser recomendado.

Mito: vacina da gripe transmite o vírus vivo

Quando uma pessoa é imunizada contra o vírus da gripe, ela não corre riscos de contrair a infecção. Apesar da fórmula do imunizante conter fragmentos do agente infeccioso, ele não está "vivo" no frasco da vacina. Inclusive, a vacina pode ser aplicada também em mulheres grávidas.

"A vacina influenza é composta pelo vírus fragmentado e inativado, portanto, não se corre nenhum risco de desenvolver gripe pelo vírus utilizado na vacina", explica a bula do imunizante trivalente contra a influenza, desenvolvido pelo Instituto Butantan.

Verdade: casos de gripe podem ser graves e levar à morte

Apesar da imensa maioria de casos da gripe ser leve, o quadro também pode ser grave. A OMS estima que, todos os anos, entre 3 a 5 milhões de indivíduos infectados devem desenvolver sintomas graves por causa da influenza. Em média, 650 mil óbitos globais são relacionados com a doença e, entre estas mortes, estão idosos, crianças pequenas e pessoas com comorbidades.

Verdade: vacinação contra a gripe acontece todos os anos

Diferente de alguns imunizantes, a vacinação contra a gripe é feita todos os anos. Esta verdade pode ser explicada por dois principais fenômenos:

  • Mutação do vírus: o agente infeccioso está em constante processo de mutação e, para que a vacina seja efetiva, ela deve estimular e sensibilizar o sistema imunológico contra aquelas cepas que estão em maior circulação. Estes imunizantes podem proteger contra três cepas (trivalentes) ou quatro (tetravalentes);
  • Duração da imunidade: o outro fator que obriga a vacinação ser anual é o tempo em que a imunidade induzida pela vacina persiste no organismo. "Se você tomar a vacina em agosto, estará seguro até março, mas esses anticorpos não serão para a próxima temporada de gripe", explica o médico Dennis Cunningham, diretor médico do Henry Ford Health System, nos EUA, para a Live Science.

Mito: vacina da gripe protegerá contra a covid

Apesar da ideia de que a vacinação contra a gripe poderia oferecer uma proteção cruzada e, com isso, evitar também casos da covid-19, a hipótese não foi confirmada por estudos científicos. De forma geral, um imunizante só desencadeia a proteção contra a doença para a qual foi planejado.

"Até o momento, não existe qualquer evidência científica que possa inferir [indicar] que alguma vacina para outras doenças [como a da gripe] possa prevenir a covid-19", explica a Sociedade Brasileira Imunizações (SBIm), em nota técnica sobre a campanha nacional de imunização contra a influenza de 2020.

Verdade: dá para tomar vacina da gripe e da covid juntas

No Brasil, o Ministério da Saúde autoriza que a vacina da gripe possa ser aplicada no mesmo dia que a da covid-19, exceto em crianças com menos de 11 anos. "Idealmente, cada vacina deve ser administrada em um grupo muscular diferente, no entanto, caso seja necessário, é possível a administração de mais de uma vacina em um mesmo grupo muscular, respeitando-se a distância de 2,5 cm entre uma vacina e outra, para permitir diferenciar eventuais eventos adversos locais", detalha nota técnica da pasta.

Fonte: Live ScienceInstituto Butantan e SBIm