Órgão regulador dos EUA pede banimento do TikTok das lojas de Android e iPhone

Órgão regulador dos EUA pede banimento do TikTok das lojas de Android e iPhone

Por Alveni Lisboa | Editado por Douglas Ciriaco | 29 de Junho de 2022 às 12h32
Alveni Lisboa/Canaltech

O comissário da republicano Brendan Carr, da FCC (órgão dos EUA similar à Anatel) pediu a Apple e Google para excluir o TikTok das lojas de aplicativos do iOS e Android. Segundo Carr, a mídia social seria um "lobo em pele de cordeiro" ao coletar dados confidenciais de usuários dos Estados Unidos.

O funcionário do órgão escreveu uma carta aberta aos CEOs da Apple, Tim Cook, e do Google, Sundar Pichai, com o pedido. No documento, aponta um possível acesso excessivo e indevido da equipe do TikTok na China a informações de cidadãos do país norte-americano.

Pelo seu perfil oficial no Twitter, o comissário descreveu quais seriam as informações coletadas. Históricos de pesquisa, navegação, "padrões de pressionamento de teclas", identificadores biométricos, impressões faciais e impressões de voz seriam exemplos de dados capturados sem o consentimento das pessoas.

Tudo isso seria uma ameaça à segurança nacional, já que as informações poderiam ser repassadas ao governo chinês para uso estratégico e militar. "Estou solicitando que Apple e Google removam o TikTok das suas lojas de aplicativos por seu padrão de práticas de dados fraudulentas", escreveu Carr.

Relatório vazado

O comissário não apresentou nenhum tipo de prova da alegação, mas parece embasado os argumentos em uma matéria do BuzzFeed. Na ocasião, o site tratou sobre um áudio vazado de uma reunião, ocorrida em setembro de 2021, na qual um funcionário do TikTok nos EUA disse que um engenheiro da ByteDance — dona do TikTok e sediada na China — tinha "acesso a tudo".

Algumas horas antes de o texto ser publicado, a rede social chinesa anunciou a migração dos dados de usuários dos Estados Unidos para servidores próprios e seguros da Oracle. A matéria faz a associação entre a reunião e o anúncio, que seria uma espécie de resposta ao incidente. Se for verdade, funcionários chineses poderiam ter obtido acesso a dados de usuários entre setembro de 2021 e janeiro de 2022.

Como não é uma decisão jurídica, as plataformas são desobrigadas a cumprir o pedido do comissário. Google e Apple ainda não se manifestaram sobre uma eventual exclusão do TikTok.

TikTok sob ameaça

Mesmo assim, o sinal vermelho deve ter acendido novamente bem acima da cabeça dos executivos do TIkTok. A rede social esteve no olho do furação em 2020, quando o então presidente Donald Trump assinou uma ordem executiva para obrigar a venda da rede social a uma empresa norte-americana. A rede chegou a ser ameaçada de banimento do país, mas conseguiu um acordo para abrir uma filial estadunidense autônoma e continuar sua operação.

Os rumores sobre um possível uso político do TikTok pareciam ter sido amenizados no governo de Joe Biden, mas a história não é bem assim. Integrantes do governo ainda continuam a investigar a plataforma e o serviço segue visto com desconfiança pelos políticos locais.

Aqui no Brasil, não há nenhuma iniciativa semelhante até o momento. A rede social segue como uma das mais populares e atrai cada vez mais usuários interessados no formato de vídeos curtos. O máximo por essas bandas foi uma determinação do Ministério da Justiça para excluir conteúdos considerados impróprios para adolescentes.

Fonte: Brendan Carr  

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