Facebook é acusado de burlar proteções de privacidade do iOS

Facebook é acusado de burlar proteções de privacidade do iOS

Por Felipe Demartini | Editado por Claudio Yuge | 23 de Setembro de 2022 às 14h40
Brett Jordan/Pexels

A Meta e o Facebook são alvo de duas ações de classe na justiça dos Estados Unidos, acusadas de burlar as proteções de privacidade do iOS para continuar rastreando seus usuários. Os processos são movidos no estado americano da Califórnia e apontam pesquisas indicando que, mesmo após a criação de barreiras e entrega de maior controle aos utilizadores pela Apple, os donos de iPhone continuaram a ter seus dados ostensivamente coletados pela empresa.

O Instagram também é citado em uma ação que se refere exclusivamente ao uso de navegadores dentro dos próprios aplicativos da rede social. Desde que a Maçã inseriu controles maiores de privacidade no iOS, em 2021, os links clicados pelos usuários nestas plataformas passaram a serem abertos em um browser interno, que registraria ostensivamente as informações de interação e até dados digitados, que poderiam conter senhas e outras informações pessoais.

O estudo relacionado a essa questão foi publicado em agosto pelo pesquisador e ex-engenheiro do Google, Felix Krause, que cita essa dinâmica como um reflexo direto das quedas nas receitas da Meta após a mudança operada pela Apple. Segundo dados da Electronic Frontier Foundation (EFF), organização em prol da privacidade, seriam mais de US$ 10 bilhões em perdas relacionadas à publicidade até o ano que vem.

Os processos comparam o uso de navegadores internos e tecnologias de rastreamento da Meta a uma escuta implantada nos usuários. A dinâmica, também, é colocada ao lado de mecanismos cibercriminosos, também voltados à injeção de códigos maliciosos para roubo de dados pessoais e bancários; seria, na visão dos advogados, a mesma ideia de manipular sites e serviços online para a coleta de informações.

Ações de classe movidas nos EUA apontam rastreamento em navegadores internos do Facebook e Instagram; pedido é para que Meta interrompa a prática e indenize usuários afetados (Imagem: Captura de tela/Felipe Demartini/Canaltech)

As ações de classe também apontam a ausência de alertas relacionados a isso e, também, a anuência do próprio Facebook e Instagram, com a Meta admitindo o rastreamento quando apresentada à pesquisa de Krause. Na visão dos processos, não existe justificativa para essa omissão, enquanto a empresa se aproveita de uma utilização trivial dos apps, o simples clique em um link, para manter suas receitas de publicidade em dia.

Tal dinâmica também iria contra leis federais dos Estados Unidos, incluindo normas relacionadas à competitividade e regras específicas de proteção à privacidade e contra o acompanhamento de usuários. Assim, o pedido dos processos é do pagamento de compensações que podem ir de US$ 100 a US$ 10.000 (ou seja, de R$ 520 a R$ 52.000 em uma conversão direta) por usuário e por dia de violação, com a estimativa de que dezenas de milhões de pessoas foram afetadas. A empresa não se pronunciou.

Além disso, claro, o pedido é para que a Meta interrompa o rastreamento a partir dos navegadores do Instagram e Facebook nos celulares e tablets da Apple. Até lá, a recomendação dos especialistas é que os usuários copiem e colem os links encontrados nas redes sociais em seus browsers de preferência, de forma que o acesso não seja monitorado.

Fonte: Ars Technica

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