Usar smartwatch faz mal à saúde?

Por Igor Leves de Almeida | Editado por Léo Müller | 29 de Novembro de 2022 às 17h09

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Os smartwatches chegaram há pouco tempo, mas já se fazem presentes na vida de vários consumidores. Eles podem ser muito úteis, principalmente para aqueles que gostam de monitorar seu desempenho nos esportes ou dados de saúde e bem-estar. Contudo, seu uso contínuo levanta certos questionamentos: é seguro usar smartwatches por muito tempo? Eles fazem mal à saúde de alguma maneira?

Com o crescente uso desses aparelhos, algumas pessoas começaram a ficar inseguras quanto aos seus possíveis riscos à saúde. Além disso, é válido levantar o questionamento da real necessidade de se usar um mini computador no pulso 24 horas por dia.

Assim, pretendo apresentar alguns pontos importantes a serem considerados, caso você esteja preocupado em adquirir um smartwatch ou então está curioso sobre seus efeitos no corpo a longo prazo.

Os smartwatches emitem radiação?

Sim, eles emitem. Mas não é o que você está pensando. Por se tratar de um pequeno computador no nosso pulso, ele conta com circuitos elétricos e eletrônicos. E, onde tem corrente elétrica, tem a formação de campos eletromagnéticos.

Na prática, isso significa que temos emissão de radiação eletromagnética, do tipo da que o Sol emite, guardadas as devidas proporções. Ainda assim, podemos encontrar traços de raios-x, ultravioleta e outras frequências que compõem o espectro.

A partir disso, pode ser um pouco assustador pensar que esse aparelho está emitindo tanta radiação, mas a verdade é que basicamente qualquer dispositivo, hoje em dia, que se conecte através de Bluetooth, Wi-Fi ou redes móveis, está constantemente emitindo radiação, mas nada disso é nocivo.

Inclusive, o celular que costumamos usar o dia todo e deixar próximo na hora de dormir também entra nessa questão. Contudo, assim como o smartwatch e outros dispositivos, não emite o suficiente para, de fato, ser preocupante.

A radiação EMF faz mal à saúde?

A radiação EMF (campo eletromagnético) emitida pelos smartwatches é constante. Todavia, não traz riscos à saúde mesmo por longos períodos de uso ou até mesmo 24 horas por dia, sete dias por semana.

Ainda que a proposta deles seja a de ser um relógio para se usar o dia todo, algumas ressalvas são válidas. Por exemplo, muito dificilmente seus dados de sono sofrerão alterações de um dia para o outro. Por isso, você não precisa dormir todas as noites com seu smartwatch, mas sim uma vez por semana ou em dias intercalados.

Inclusive, seu melhor uso pode ser no momento de atividades físicas. Nessa hora, é possível adquirir algumas informações interessantes e traçar metas a partir delas, seja de calorias gastas ou tempo de treino.

Ainda assim, é importante lembrar que esses dados não são de todo precisos. Ou seja, não baseie suas dietas e rotinas de treino apenas no smartwatch. Tenha outras fontes de dados, como balanças, acompanhamento profissional e também registros.

Smartwatches contribuem para pesquisas na área da saúde

É importante destacar também uma mudança na utilização dos smartwatches. Apesar de no seu início eles terem seu foco nas práticas esportivas, hoje essa balança está pendendo para monitoramento da saúde e bem-estar dos usuários.

Podemos ver essa migração no estudo realizado pela Rock Health, uma organização cujo objetivo é integrar e digitalizar processos de saúde:

“Em 2018 a onda de usabilidade de wearables mudou drasticamente — entrevistados relataram usar os acessórios mais para gerenciar diagnósticos e menos para manter um estilo de vida ativo fisicamente” Zweig, Megan; Day, Sean - Pesquisadores da Rock Health

Além disso, a conclusão deste estudo é justamente um incentivo à adoção dos smartwatches para realizar acompanhamento médico a distância ou mesmo para embasar algumas consultas clínicas.

“Wearables estão se transformando em relação à sua proposta inicial, de ser um fitness tracker, para um acessório clinicamente significativo para pacientes — inclusive para os fornecedores”.

Assim sendo, podemos esperar um uso mais constante por parte da comunidade médica num futuro próximo que promete integrar diagnóstico com acompanhamentos diários dos pacientes.

Outro exemplo da presença de smartwatch no campo do bem-estar pode ser visto nesta pesquisa sistemática feita pela Journal of Biomedical Informatics, em que foram revisados diversos outros estudos e pesquisas para concluir se o uso de smartwaches está de fato crescendo na área da saúde. E a conclusão aponta que sim, há um crescimento desde 2014 de seu uso.

Por fim, ainda podemos citar uma pesquisa feita no InCor (Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo) juntamente com a Samsung, que buscou avaliar a condição de pacientes antes e após uma cirurgia cardíaca. Com a ajuda de smartwaches, eles avaliaram alguns parâmetros como frequência cardíaca, pressão sanguínea, oxigenação do sangue e padrão do sono.

Com esses dados, eles pretendem identificar possíveis riscos de saúde decorrente do procedimento, de modo a evitar maiores complicações futuras.

Os dados do smartwatch são confiáveis?

Outro assunto que pode surgir a respeito de smartwatches é justamente sobre seus dados metabólicos. Ou seja, monitoramento de batimentos cardíacos, níveis de estresse, pressão sanguínea, qualidade do sono, entre outros.

Monitorar a saúde do usuário é um ponto importante do uso dos smartwatches, como comentado acima, mas as próprias companhias sempre reforçam que eles não devem substituir um dispositivo médico mais preciso (como um oxímetro, esfigmomanômetro e glicosímetro, por exemplo), e muito menos visitas regulares aos especialistas de saúde.

Smartwatches podem até te ajudar a acompanhar as condições gerais do seu corpo, mas não leve 100% a sério tudo que está sendo monitorado. Eles possuem sensores bem mais simples do que aqueles que se pode encontrar em um consultório médico, por exemplo.

Esses relógios inteligentes podem ser considerados para acompanhar a frequência cardíaca, mas não devem substituir exames de rotina, com eletrocardiogramas ou ecocardiogramas.

Outro fator a ser considerado para manter uma boa saúde é praticar atividades físicas. Cada vez que você pratica exercícios, libera hormônios no corpo que ajudam a manter a saúde, principalmente no dia a dia.

Smartwatch causa alergia?

Apesar da radiação não ser o problema dos smartwatches, a alergia pode, sim, se manifestar. Há casos de pessoas que começaram a sentir queimação ou até coceiras no pulso, justamente na região onde o acessório fica.

Isso pode se dar por vários motivos, desde o suor até reações alérgicas contra o material utilizado, como uma dermatite de contato. Por isso, caso você comece a identificar um certo desconforto, é recomendado suspender o uso e procurar um médico.

Seja um alergologista ou dermatologista, o ideal é que se investigue a causa da irritação. Existem exames que conseguem detectar elementos aos quais seu corpo começa a reagir.

A partir disso, se ainda deseja manter o hábito de colocar seu smartwatch, será preciso avaliar o material do aparelho e de sua pulseira ou mesmo os momentos em que se usa. Entretanto, vale procurar opções para trocar a fivela ou até mesmo o próprio corpo do aparelho.

Smartwatches e privacidade

Em uma era em que informação é a nova moeda das grandes companhias e empresas, os relógios inteligentes não ficam de fora dessa jogada. Por isso é importante se atentar a isso.

Ao utilizarmos um destes aparelhos, seja um Galaxy Watch ou mesmo Apple Watch, assinamos acordos para que seus fabricantes tenham acesso a diversos dados, no caso até de saúde.

Pensando que tudo isso é compilado e analisado por empresas dos Estados Unidos, China e outros, é sempre importante estar ciente do que se está oferecendo. Assim, tome cuidado com as redes Wi-Fi que está utilizando tanto o aparelho quanto o celular.

Dessa forma, tal como qualquer outro aparelho que utilizamos o tempo todo, é preciso ficar atento a tudo que aceitamos, seja de contratos ou redes privadas. Dados podem conter informações sensíveis ou mesmo abrir brecha para ataques hackers.

Por fim, fica a ressalva de não se apegar muito aos dados fornecidos pelo smartwatch, tomar cuidado para não gerar vícios e outras dependências tecnológicas por conta do nosso consumo e também se atentar ao que você fornece que pode ser sigiloso.

Muitas vezes, criamos necessidades simplesmente por status ou mesmo puro consumismo. Vale se perguntar se realmente precisamos desse ou daquele produto no nosso dia-a-dia.

Fonte: FierceHealthcare