Por que a Samsung “matou” a linha Galaxy Note?

Por Bruno Bertonzin | Editado por Léo Müller | 22 de Fevereiro de 2022 às 13h54

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Galaxy S22 Ultra
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Os rumores de que a Samsung acabaria com a linha Galaxy Note começaram logo após o lançamento dos últimos modelos da série: o Galaxy Note 20 e Galaxy Note 20 Ultra. De lá para cá, a marca descartou essa possibilidade algumas vezes, mas as especulações continuaram firmes e fortes.

Isso ganhou ainda mais força quando, no ano passado, a fabricante sul-coreana deixou de lançar os sucessores da família Galaxy Note 20 no último semestre do ano, como é de costume, e deu lugar para a nova geração de celulares dobráveis, com o Galaxy Z Fold 3 e Z Flip 3.

Paralelo a isso, os fãs da linha começaram a se movimentar e fizeram uma petição para que a Samsung não acabasse com a linha Note, já que esta se destaca pelo design mais corporativo, com muitas linhas retas, além do suporte à caneta S Pen.

Mas, com todo esse amor e o forte apelo dos clientes pela linha Note, o que fez a fabricante asiática descontinuar a série?

Recursos exclusivos

Alguns dos principais diferenciais dos celulares da linha Galaxy Note eram as funcionalidades e recursos exclusivos que traziam. Os smartphones, por exemplo, eram conhecidos por serem os únicos da marca a contar com suporte à caneta digital S Pen. Fora eles, apenas os tablets da Samsung também tinham este recurso.

No entanto, eles começaram a perder este apelo quando, no começo de 2021, a fabricante lançou a linha S21 e deu ao modelo high-end da série, o Galaxy S21 Ultra 5G, o mesmo suporte.

O modelo da linha S, porém, apesar de reconhecer o acessório de forma nativa, ainda perde por não ter um slot dedicado ao acessório em seu corpo — o que obriga seus usuários a comprar uma capa protetora com esse espaço.

O mesmo aconteceu no segundo semestre do ano, quando a Samsung deixou de lançar o Galaxy Note para dar espaço à linha dobrável.

Na época, mais uma vez, a fabricante apresentou o modelo mais avançado — O Galaxy Z Fold 3 — com suporte à caneta. Contudo, assim como o S21 Ultra, ele também não tem slot para armazenar o acessório.

Esse “problema” de o celular não ter espaço para guardar a caneta em seu corpo — como acontece com os dispositivos da linha Note — finalmente acabou com a estreia do Galaxy S22 Ultra, apresentado no último dia 9 de fevereiro no mercado global, com estreia no Brasil em 15 de fevereiro.

O modelo não só tem suporte oficial ao acessório, como também permite guardá-lo em uma entrada dedicada na parte inferior. Além disso, todo o apelo estético da linha Note — as famosas linhas retas e o design corporativo — também fazem parte do S22 Ultra.

Aliás, o modelo é, pela primeira vez, muito diferente — visualmente falando — dos seus “irmãos” mais simples, o Galaxy S22 e Galaxy S22 Plus. Em vez do módulo de câmera acoplado à lateral, ele tem seu conjunto de lentes soltos na traseira.

Esse é um movimento da Samsung para, de fato, separar mais o modelo dos demais membros da linha S22 e deixar claro que a variante Ultra é, na verdade, uma sequência da linha Note.

Expansão no mercado de celulares dobráveis

Quando lançou seu primeiro modelo de celular dobrável, a Samsung enfrentava pouca competição neste setor — apenas a Huawei estava lá para “incomodar” a sul-coreana. A Motorola também relançou o Motorola Razr em 2019 com design flip, mas não chegou a incomodar muito.

A competição ficou mais séria quando, no começo do ano passado, a Xiaomi também entrou na disputa e apresentou o Mi Mix Fold. Com uma quantidade maior de fabricantes apostando em modelos dobráveis, é natural que a Samsung comece a se movimentar para liderar o mercado.

E ela tem uma vantagem: é pioneira no assunto. Seu estreante — chamado simplesmente de Galaxy Fold — teve um início conturbado, mas foi o primeiro a ser anunciado ao mundo, apesar de ter demorado um pouco mais para chegar de vez às lojas.

Dito tudo isso, é natural que agora, com o aumento de concorrentes (além das citadas, também temos a entrada da Honor e da OPPO no mercado) a Samsung comece a dar uma atenção maior para seus celulares dobráveis.

Isso já começou a acontecer em 2021, quando a empresa descartou o lançamento da linha Note e apresentou, ao lado dos seus novos dispositivos vestíveis, o Galaxy Z Fold 3 e Z Flip 3, durante o evento Unpacked de agosto.

Isso ainda deve se repetir ao longo dos próximos anos e a Samsung deve focar cada vez mais sua atenção neste segmento.

De Note à Ultra

Primeiramente, não faz muito sentido para a Samsung manter três linhas diferentes de celulares flagships quando pode unir duas em uma. Portanto, é natural e óbvio que o modelo Ultra das novas gerações da série S absorvam de vez os recursos da linha Note, como vimos acontecer com o Galaxy S22 Ultra. É o Note deu lugar ao Ultra.

Essa movimentação deve atrair mais consumidores e aumentar o apelo do modelo high-end da linha S, além de não deixar de lado os clientes fiéis da linha Note que clamaram para a empresa não descontinuar os modelos.

O foco nos atuais e nos próximos modelos dobráveis também parece ser o caminho da Samsung agora. Com mais concorrentes nesse mercado aparecendo, a coreana deve lutar para se manter na liderança antes que sua maior rival, a Apple, faça isso quando (e se) lançar um iPhone dobrável.