Review Amazfit GTS 2 Mini | Uma “Mi Band” com tela grande

Por Bruno Bertonzin | Editado por Léo Müller | 11 de Agosto de 2022 às 17h14

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Amazfit GTS 2 Mini
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Em abril deste ano a Amazfit trouxe ao mercado global uma nova versão do Amazfit GTS 2 Mini. O modelo — que não deve ser confundido com a edição de mesmo nome lançada em 2020 — tem como proposta popularizar os smartwatches da marca e atingir um público que busca algo mais acessível sem deixar de lado alguns recursos bem procurados, como o oxímetro.

Mas será que vale a pena apostar neste relógio inteligente? Seus sensores funcionam bem no dia-a-dia para monitorar dados de saúde e atividades físicas? Neste review, respondo essas e outras perguntas, para te ajudar a entender se compensa comprar o novo Amazfit GTS 2 Mini. Confira:

Prós

  • Design discreto e confortável
  • Monitoramento de SpO2
  • Bateria de longa duração
  • Resistente à água

Contras

  • Sensores costumam falhar para aferir o SpO2 e batimento cardíaco
  • Não afere SpO2 continuamente
  • Não tem sensor barométrico

Design e construção

O Amazfit GTS 2 Mini tem exatamente o mesmo visual que o seu antecessor e isso pode confundir um pouco na hora de comprar o modelo, principalmente em vendedores terceiros que ainda tenham o modelo anterior em estoque.

Para quem ainda não conhece a edição de 2020 — assim como a de 2022 —, o relógio conta com um mostrador quadrado, que é o padrão da linha GTS, e tem um design bem leve e confortável.

Em números, ele pesa apenas 19,5 gramas — sem considerar o peso da pulseira — e a caixa tem dimensões de 40,5 x 35,8 x 8,95 mm. Isso resulta em um relógio bastante agradável de se usar. Mesmo após um bom tempo de atividades físicas é bem difícil sentir qualquer tipo de incômodo no pulso.

Isso também pode ser justificado pela construção do vestível, que tem a maior parte do acabamento feita em liga de alumínio, que dá um toque mais premium sem perder o conforto.

Para controles físicos, ele tem apenas um botão, que fica centralizado na lateral direita. Essa tecla, apesar de ser giratória, não oferece controle de navegação entre as opções — como acontece no Amazfit GTS 3 ou outros relógios da marca —, mas permite apenas acessar o menu e voltar para as telas anteriores.

O Amazfit GTS 2 Mini é vendido nas cores preta (Meteor Black), azul (Breeze Blue) e rosa (Flamingo Pink) e a unidade que recebi para testes é a primeira opção.

O design do Amazfit GTS 2 Mini é bem confortável e torna o relógio uma ótima opção para quem busca um vestível com design tradicional sem deixar de lado o conforto de um modelo mais discreto

Bruno Bertonzin

Tela

O Amazfit GTS 2 Mini conta com uma tela de 1,55 polegada com resolução de 354 x 306 pixels e tecnologia AMOLED. Esse conjunto permite que o conteúdo exibido no display seja visto com bastante qualidade e nitidez mesmo quando exposto a uma forte luz solar. Isso ajuda a praticar atividades e visualizar o status dos exercícios com mais conforto.

Além disso, o vestível também conta com suporte para Always-On Display — ou tela sempre ligada. Essa função deixa um mostrador sempre aceso para mostrar apenas a hora e manter o usuário sempre informado sobre a função mais importante de um relógio sem precisar ligar a tela.

É importante frisar, no entanto, que o recurso consome bastante bateria, então deixá-lo ativado diminuirá consideravelmente a duração da carga.

Configuração e desempenho

A Amazfit não informa a quantidade de memória RAM e armazenamento do GTS 2 Mini e, de qualquer forma, esses dados podem ser um tanto irrelevantes, se considerarmos que esse é um relógio mais básico e não oferece funções tão completas ao usuário.

Com ele, não é possível salvar músicas para reprodução direto do pulso ou até mesmo baixar aplicativos, como em vestíveis mais avançados. A única opção para download são novas watchfaces para o gadget e estes arquivos costumam ser bem leves.

Quanto ao poder de processamento, ele é bem rápido para navegar entre as opções disponíveis na tela e demora basicamente o mesmo tempo que qualquer outro relógio para aferir os dados de saúde, como frequência cardíaca ou nível de saturação de oxigênio no sangue.

Usabilidade

O Amazfit GTS 2 Mini conta com uma interface própria da marca, a Zepp OS, que é baseada no sistema operacional do Android. Infelizmente, o relógio não oferece a opção de baixar aplicativos, o que acaba limitando um pouco a experiência de uso.

Ainda assim, ele tem algumas funções e recursos bem interessantes para um uso cotidiano, como o suporte para comandos de voz para a Alexa. Com isso, é possível controlar itens de casa inteligente direto do pulso, mesmo que você não tenha um dispositivo Echo em casa.

Além disso, o relógio também permite gerenciar a reprodução de músicas no celular. Isso possibilita que você mexa no volume, pause a reprodução ou troque de faixa sem precisar desbloquear o smartphone. Infelizmente, no entanto, não há suporte para armazenamento de música no wearable.

Por fim, há também diversas watchfaces disponíveis para download, muitas gratuitas. Isso permite personalizar a aparência do mostrador, com opções de relógios analógicos e digitais, que informam — além das horas, é claro — dados importantes como os registros de frequência cardíaca, contador de passos e outras informações.

Acompanhamento físico

Para rastreamento físico, o Amazfit GTS 2 Mini conta com o sensor BioTracker 2, que é responsável pelo monitoramento de atividades como caminhada, corrida, ciclismo e até natação, graças à resistência à água de até 5 ATM que o relógio possui.

Além disso, o vestível também pode monitorar a frequência cardíaca, nível de saturação de oxigênio no sangue, nível de estresse e ainda oferece exercícios de respiração para melhorar este último.

No geral, ele é muito bom para te acompanhar durante a prática de atividades físicas. Durante os exercícios, ele mostra dados como a distância percorrida, a quantidade de calorias queimadas, velocidade, quantidade de passos, frequência, entre outras informações importantes — nada muito diferente de outros dispositivos do tipo.

Todos esses dados, como sempre, ficam registrados no celular que ele foi pareado, mas o usuário pode sair para caminhar — ou praticar qualquer outra atividade — mesmo que o smartphone fique em casa. Tudo é sincronizado entre os dois aparelhos na próxima conexão.

Algo que me incomodou um pouco é que o monitor SpO2 não oferece um rastreamento contínuo e nem permite aferir os dados automaticamente de tempos em tempos. Com isso, é preciso ir até às opções do relógio para verificar o nível sempre que necessário.

Outro ponto negativo é que, no período que usei o relógio, notei que o monitoramento de frequência cardíaca e o próprio SpO2 são bastante falhos. Muitas vezes, mesmo que eu estivesse parado, o relógio falhava para obter os dados, e eu precisava ficar quase completamente imóvel para dar certo.

Algumas tentativas, por mais que eu estivesse totalmente parado e seguindo as orientações na tela, o dispositivo ainda tinha problemas com o monitoramento, como se até uma respiração mais profunda atrapalhasse a medição.

Tirando esse detalhe, eu tive uma experiência bem satisfatória com ele, principalmente se considerarmos que é um modelo de entrada e que custa praticamente a metade do preço de um Amazfit GTS 3, por exemplo.

Também é importante destacar que há um pequeno “downgrade” em relação à geração passada. O novo Amazfit GTS 2 Mini não conta com o sensor barométrico que havia no modelo de 2020.

Conectividade

O Amazfit GTS 2 Mini conta com conexão Bluetooth 5.0, o que garante uma ligação estável entre ele e o celular. Apesar de não permitir um alcance tão longo quanto um padrão mais atual, isso já é o suficiente para um dispositivo dessa categoria.

Todo o processo de conexão entre o relógio e o smartphone é feito pelo aplicativo Zepp, onde ficam unificadas todas as opções de rastreamento e configurações do relógio. Nele, também é possível baixar novas opções de watchfaces e até definir se quer receber notificações do celular na tela do vestível.

É importante destacar que, como eu já antecipei no último tópico, não é necessário que o celular e relógio estejam pareados o tempo todo, mas é interessante conectá-los pelo menos uma vez ao dia para sincronizar as informações entre um e outro.

Bateria e carregamento

O Amazfit GTS 2 Mini conta com uma bateria de 220 mAh que, segundo a marca, oferece uma duração de até 21 dias considerando um uso básico, 14 dias em uso moderado e 7 dias em uso intenso. Nos meus testes pude perceber que essa expectativa pode ser alcançada facilmente.

Com as notificações ativadas o tempo todo, monitor de frequência cardíaca com atividades a cada dez minutos, brilho no máximo e a tela ligada por 15 segundos o consumo foi de cerca de 50% em quatro dias. Nesse ritmo, ele poderia chegar com folga em sete ou oito dias de uso.

Já o carregamento é feito com um acessório padrão da marca, que é conectado de forma magnética na traseira do relógio, na mesma região onde ficam os sensores. Como já é de se esperar em um modelo de entrada, não há suporte para carregamento sem fio, então o uso do acessório é obrigatório.

Quanto à velocidade de carga, a empresa informa que é preciso cerca de duas horas para encher completamente a bateria do Amazfit GTS 2 Mini.

A bateria é o grande atrativo do Amazfit GTS 2 Mini. Com um uso moderado ele pode chegar tranquilamente à casa dos 14 dias de uso, ou até mesmo sete dias com um uso mais intenso.

Bruno Bertonzin

Concorrentes

O Amazfit GTS 2 Mini tem pelo menos dois concorrentes diretos no mercado de smartwatches: o POCO Watch e o Realme Watch 2. Os três relógios contam com um design bem parecido, todos com mostrador quadrado e aposta na simplicidade e conforto.

Visualmente falando, o relógio da POCO e da Realme são pouca coisa maior do que o modelo da Amazfit. Ainda assim, a diferença do Amazfit para o POCO é quase imperceptível.

Em termos de características, eles são bem parecidos, mas o Realme fica um pouco para trás por não oferecer uma tela AMOLED, como os outros dois. Em vez disso, ele tem um display IPS, que não oferece a mesma qualidade de cores e brilho.

Os três contam com oxímetro de pulso, mas nenhum deles permite que essa informação seja monitorada o tempo todo, apenas manualmente ou durante o sono.

Em termos de autonomia, eles possuem uma bateria bem parecida, que ficam em uma faixa de 12 a 14 dias de duração com um uso bem moderado, ou sete dias se for aproveitado de forma mais intensa.

Com tanta característica parecida, se fosse para escolher um modelo, eu optaria pelo próprio Amazfit GTS 2 Mini, já que ele oferece uma interface mais amigável do que os dois adversários.

Por fim, a faixa de preço é basicamente a mesma — os três são encontrados com valores entre R$ 400 e R$ 600.

Um bom relógio de entrada como alternativa à Mi Band

O Amazfit GTS 2 Mini é uma boa opção para quem quer um relógio inteligente simples e com formato mais “tradicional” para fugir do minimalismo da Mi Band e outras smartbands do gênero. O vestível oferece recursos interessantes a uma faixa de preço bem mais acessível do que a maioria dos modelos.

Em termos de autonomia de bateria, o desempenho é excelente. Ele pode chegar a sete dias de duração, com um uso mais básico, ou até duas semanas se for utilizado de forma moderada.

Entre as funções disponíveis no relógio, está o monitor de saturação de oxigênio no sangue (SpO2), rastreamento de frequência cardíaca e de sono, além de permitir acompanhar diversas atividades, como caminhada, corrida ou natação.

Seu preço está na mesma faixa dos principais concorrentes, mas a interface mais amigável do Zepp OS — o sistema operacional da Amazfit — torna o GTS 2 Mini uma opção bem mais viável do que os adversários.