Review Galaxy Watch Active 2 | Opção barata com ECG, mas é só isso

Por Felipe Junqueira | Editado por Léo Müller | 26 de Outubro de 2021 às 11h35

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Galaxy Watch Active 2 44mm
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Galaxy Watch Active 2 é a segunda geração de relógio inteligente da Samsung sem a coroa giratória física. Com visual pensado para a prática de exercícios físicos, o dispositivo inaugura a função de eletrocardiograma nos vestíveis da companhia sul-coreana, mas não traz muito mais novidade.

Dois anos depois de seu lançamento e com duas gerações de sucessores no mercado, incluindo um novo modelo também sem a coroa física e sistema operacional diferente, será que vale a pena investir no Watch Active 2? O preço é atraente, assim como a quantidade de recursos que ele oferece, chegando até a ser mais interessante do que um Apple Watch, dependendo do celular que você tem no bolso.

Eu testei o relógio inteligente da Samsung por algumas semanas em pleno 2021 e conto como foi a experiência nos próximos parágrafos. Espero ajudar quem está em dúvida a fazer uma escolha sobre comprar ou não este smartwatch.

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Prós

  • Tela de ótima qualidade;
  • Monitoramento de atividades com boa precisão;

Contras

  • Poucos aplicativos na loja;
  • Sistema Tizen está com os dias contados;
  • Recarga lenta, pode demorar mais de duas horas;
  • Bateria dura pouco com uso mais frequente.

Design e Construção

Não há muito como fugir em design de relógios. Você pode optar por um modelo quadrado, que é uma espécie de mini celular, ou uma caixa retangular e fina, mais parecida com uma pulseira. A alternativa é o formato mais clássico: redondo, como o Galaxy Watch Active 2. O smartwatch da Samsung ainda tem o bisel, que é um anel que fica em volta do mostrador e, neste caso, oferece funções como navegação pelo sistema e até zoom, dependendo do aplicativo.

Em resumo, o relógio inteligente é muito parecido com seu antecessor, o Galaxy Watch Active. A caixa redonda pode ter 40 mm ou 44 mm, com tela protegida por vidro arredondado nas bordas e corpo com acabamento em aço inoxidável ou alumínio. Há dois botões de um dos lados e, diferente do Apple Watch, não é possível inverter a tela. Ou seja, se você usar o relógio no braço direito, os botões ficarão voltados para o lado do cotovelo, o que pode tornar o uso um pouco menos confortável.

Além dos botões — um maior, a tecla voltar, e outro menor, a início — há um microfone para você fazer comandos de voz, atender chamadas ou ditar mensagens. No lado direito, há uma saída de som que até pode ser usada para reproduzir música ou áudio de vídeos, mas tem o objetivo de funcionar como retorno de chamadas ou de comandos de voz.

A pulseira padrão tem acabamento em silicone com fecho em plástico e oferece bom conforto no pulso. Aqui, o fator mais interessante é o pino tradicional, que permite a substituição por praticamente qualquer modelo disponível em relojoarias do país. Ou seja, se você vai substituir um relógio comum pelo smartwatch da Samsung, tem grande chance de aproveitar o mesmo bracelete.

A parte traseira traz os sensores protegidos por um vidro na parte central, e é metálica nas bordas. O relógio ainda tem certificação MIL-STD-810G, com resistência à água até 5 ATM (50 metros de profundidade), além de classificação IP68, com uma proteção extra contra água e poeira. Você pode utilizar o smartwatch da Samsung para natação, mas não é indicado para mergulhos e outras atividades sob alta pressão da água.

O peso varia conforme o modelo, e vai de 25 gramas no mais leve, que é o de 40 mm apenas com Wi-Fi, e pode ir até 30 gramas, em ambas as versões de 44 mm. O modelo mais barato também é mais fino, com 10,5 mm de espessura, enquanto os outros três têm 10,9 mm. O formato da caixa é circular, com o diâmetro no tamanho de cada modelo, ou seja, 40 mm ou 44 mm.

Tela

O display do relógio é do tipo Super AMOLED, com cores vibrantes e contraste marcante, graças ao preto profundo. O brilho também é bastante intenso, e a visualização em ambientes externos é bastante confortável. Independente do tamanho da caixa, o Galaxy Watch Active 2 tem resolução de 360 x 360 pixels. O visor do modelo menor tem 1,2 polegada, enquanto o de 44 mm traz display de 1,4 polegada.

É possível ativar uma opção de tela sempre ativa, para evitar momentos em que você levanta o pulso para checar as horas ou alguma notificação, mas o visor não acende. Porém, é bom ter em mente que este recurso vai reduzir a duração da bateria, já que o display é o que mais consome energia em qualquer dispositivo — sim, isso vale para celulares, notebooks e tablets, também.

A tela é sensível ao toque, e você pode navegar pela interface tanto ao deslizar o dedo e tocar em atalhos que deseja acessar quanto pela coroa digital (também chamado de bisel quando se fala em relógios) e botões. Ao fechar o display na palma de sua mão, ele se apaga.

Infelizmente, o formato e tamanho não são muito confortáveis para usar o smartwatch em tarefas mais complexas. O relógio da Samsung é muito bom para fazer acompanhamento de atividades físicas e conferir algumas notificações, além de servir para substituir o celular em algumas chamadas, mas não passa muito disso.

Em resumo, não é um relógio para substituir o smartphone, apesar de oferecer diversas funções extras que você não tem em uma Mi Band, por exemplo. Dá para deixar o celular em casa ao sair para praticar exercícios, mas a limitação pelo formato da tela e outros fatores é bem grande no Galaxy Watch Active 2 — mais do que um Apple Watch, por exemplo.

A tela é uma das melhores características do relógio da Samsung, com visualização excelente em qualquer ambiente

Felipe Junqueira

Configuração e Desempenho

Um relógio inteligente, mesmo que funcione de maneira independente, não precisa de um hardware poderoso como o de um celular. Ou seja, não é necessário um processador potente e muita memória para que um smartwatch seja excelente. Afinal, ele só realiza algumas funções e não precisa de multi-tarefas muito pesado.

Nesse sentido, o relógio da Samsung atende bem à própria proposta. Não senti lentidão ou engasgos durante o uso: dá para praticar exercícios e escutar música com um fone Bluetooth conectado com bastante conforto. As notificações se acumulam de maneira tranquila, e só achei um pouco fraca a sincronização com o celular, visto que muitas vezes eu dispensava ou acessava uma notificação no smartphone e ela não sumia do relógio.

Mas o importante é que o Galaxy Watch Active 2 funciona muito bem mesmo com poucos núcleos de processamento e memória RAM, bem menor do que você encontra em celulares de entrada modernos. Eu testei o modelo Wi-Fi, apenas, que tem 750 MB de RAM (a versão LTE traz 1,5 GB, o dobro). O processador é o mesmo em todos os modelos, com dois núcleos e frequência máxima de 1,5 GHz.

Configurações bem modestas para quem pensa em smartphones atuais, mesmo os de entrada. Mas mais do que suficiente para um relógio inteligente, cuja proposta é monitorar suas funções corporais e oferecer alguns extras como reprodução de música e puxar notificações.

Sistema operacional

O grande problema do relógio inteligente da Samsung é seu sistema operacional, o Tizen. A própria empresa optou por descartar sua solução própria para smartwatches recentemente, ao abraçar de vez o WearOS, do Google — apesar de modificar o visual para manter uma experiência minimamente parecida em sua linha de vestíveis de pulso.

O software em si funciona bem, o problema está nos aplicativos. Primeiro, são muitas aplicações pré-instaladas no relógio, que não podem nem mesmo ser desativadas. O dispositivo tem 4 GB de memória interna, dos quais somente 1,4 GB está livre para você instalar mais apps ou guardar músicas para escutar offline durante os exercícios.

Mas o pouco espaço não chega a ser um problema quando você olha para as opções de aplicativos extras para instalar na loja. E essa foi uma das razões para que a Samsung desistisse de seu software próprio para tentar a sorte com o WearOS. A companhia sul-coreana não conseguiu atrair desenvolvedores para oferecerem suas aplicações no Tizen.

O Galaxy Watch Active 2, infelizmente, não receberá o sistema operacional do Google, e, com isso, a loja de apps tende a diminuir de tamanho daqui para a frente, em vez de aumentar. Ao menos dá para usar o Spotify para ouvir música durante uma caminhada ou outra atividade física. Além disso, a Samsung promete manter atualizações de segurança nos seus dispositivos Tizen por mais alguns anos. Assim, quem já tem o relógio ou comprá-lo em uma promoção muito atraente não fica entregue à própria sorte.

Acompanhamento Físico

O grande diferencial de relógios inteligentes, como já destaquei algumas vezes nesta análise, é o acompanhamento de atividades físicas e monitoramento de funções corporais. O Galaxy Watch Active 2 trouxe como grande novidade o eletrocardiograma (ECG), não presente em nenhum vestível da Samsung que o antecedeu. O recurso não funcionava no Brasil quando o smartwatch chegou por aqui, mas atualmente já está liberado.

Para fazer um ECG no relógio, é necessário instalar o app Samsung Health Monitor no seu celular. A medição é feita com o pulso e o dedo levemente encostado no botão maior do smartwatch. Também dá para tirar a pressão arterial, que usa o mesmo aplicativo. Mas é necessário fazer uma calibração com um aparelho próprio para isso.

Essas medições, no entanto, não possuem a mesma precisão de equipamentos médicos próprios para detectar problemas de saúde. O ECG, principalmente, serve para ajudar a monitorar as alterações em seus batimentos durante os exercícios, mas nunca para detectar ataques cardíacos. O recurso pode ser um ótimo aliado para detectar uma possível arritmia, e não deve ser utilizado por quem possui dispositivos médicos implantados.

O relógio inteligente da Samsung ainda tem a opção de monitorar sete exercícios automaticamente, incluindo treino de natação. Com as atividades que você ativa o acompanhamento manualmente, são no total 39 tipos de exercícios físicos. Entre eles estão caminhada, corrida, bicicleta, remada e elíptico.

O smartwatch também conta seus passos, faz um cálculo aproximado de calorias consumidas e monitora o estresse e também seu sono. E este último é talvez o maior ponto de vantagem do dispositivo da Samsung para o Apple Watch, já que sua duração de bateria — sobre a qual falo logo mais — é suficiente para mais de um dia e, portanto, é possível dormir com o relógio no pulso sem medo de ficar sem carga antes de acordar.

O sistema Tizen do Galaxy Watch Active 2 funciona bem, mas tem poucos aplicativos extras na loja e foi recentemente descartado pela Samsung, que passou a utilizar o WearOS

Felipe Junqueira

Conectividade

O Galaxy Watch Active 2 foi lançado em quatro modelos, no total, sendo dois tamanhos de caixa com duas opções de conectividade cada. São dois modelos Wi-Fi, que têm menos memória RAM; e outros dois com 4G/LTE, que podem se conectar a redes de dados móveis e, portanto, funcionam de maneira ainda menos dependente do celular.

O relógio também possui Bluetooth 5.0 e pode ser conectado a fones de ouvido ou caixas de som sem fio. Com ela, é possível parear com o celular para atualizar informações no app Samsung Health, além de controlar algumas funções da câmera do smartphone.

Um fator interessante é que tanto a versão Wi-Fi quanto a LTE continuam a puxar notificações e até chamadas de voz mesmo que não consiga conversar com o celular por Bluetooth, desde que ele esteja conectado a uma rede sem fio. Essa é uma das maiores diferenças para relógios mais simples, também conhecidos como smartbands.

Importante observar que o relógio funciona melhor quando conectado a um celular da Samsung do que com dispositivos de outras marcas. No caso de você ter um smartphone Galaxy em mãos, é só ligar o smartwatch que vai aparecer um pop up para fazer o pareamento via app Galaxy Wearable. O mesmo app serve para o pareamento em celulares de outras marcas, mas alguns recursos podem não funcionar como esperado.

Bateria e Carregamento

A capacidade da bateria e o tempo de uso padrão variam um pouco dependendo do modelo. Aqui, eu posso falar bastante sobre o que consegui extrair da versão Wi-Fi de 44 mm, que tem os mesmos 340 mAh da versão 4G de mesmo tamanho. Estes modelos têm tempo de uso estimado entre 60 horas em uso padrão e o máximo de 131 horas em uso baixo, segundo a Samsung.

De fato, me pareceu que a carga aguenta bem. Usei por mais de um dia com um pouco de prática de exercícios (caminhada), monitoramento de sono e dos batimentos cardíacos e notificações ativadas. O relógio encerrou um período de 48 horas com 50% de carga restante, o que me leva a crer que dá para ficar pelo menos três dias longe da tomada nesta pegada, possivelmente até quatro.

Claro que vai ter uma boa variação para quem pratica mais exercícios, escuta música e utiliza o relógio para ler e responder algumas mensagens. Eu apenas li algumas notificações e, no geral, o brilho da tela foi mantido bem baixo, já que eu não gosto de luz intensa em nenhum dispositivo (baixo um pouco até mesmo o monitor do notebook).

O modelo de 40 mm tem uma variação de carga e tempo de uso dependendo do tipo de conectividade. O Wi-Fi tem 230 mAh e dura entre 45 horas e 90 horas, ao passo que a versão 4G tem 247 mAh e fica entre 43 horas e 95 horas. Pelos meus testes, você deve conseguir extrair até dois dias sem precisar de uma recarga em qualquer modelo, mesmo com uso mais intenso.

A recarga é feita com um carregador “sem fio”, que na verdade só não precisa de cabos para se conectar ao relógio. A estação de carregamento em si possui um cabo e pode ser plugada a uma porta USB comum ou a um carregador de celular. O tempo de recarga não impressiona, e pode demorar até duas horas para ir de 0% até 100%. Como sempre, pode ser uma boa fazer pequenas recargas todo dia em horários que você não precise tanto do monitoramento para evitar longos períodos sem poder usar seu dispositivo.

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Ivo Meneghel Jr/Canaltech

Concorrentes Diretos

Desde que a Samsung trouxe o Galaxy Watch Active 2 para o mercado, não apenas a própria empresa lançou duas novas gerações de smartwatches, como a Apple também atualizou a sua linha de relógios inteligentes. As principais fabricantes chinesas também passaram a oferecer dispositivos mais robustos, sendo que há opções disponíveis de maneira oficial no Brasil — e vou focar nestas opções, para sugerir apenas modelos que você compra com garantia de 12 meses e suporte mais tranquilo por aqui.

As opções da própria Samsung incluem o Galaxy Watch 3, que tem design mais tradicional, com coroa giratória física, ainda roda o Tizen e pode ser encontrado na faixa de R$ 1.300 atualmente. Já o novo Samsung Galaxy Watch 4 tem visual mais similar ao Active 2, com coroa digital e WearOS, e custa cerca de R$ 1.900. O Watch 4 Classic também tem visual mais tradicional e fica cerca de R$ 100 a mais.

A Apple tem a sétima geração como lançamento mais recente, e o Canaltech tem um texto sobre os melhores relógios da marca para comprar. O mais indicado no momento é o Watch Series 6, que pode custar cerca de R$ 2.600, e tem praticamente os mesmos recursos do modelo da Samsung, incluindo o ECG. De vantagem, o relógio da Maçã tem a medição de oxigênio no sangue.

Mas se você está atrás do Galaxy Watch Active 2 em pleno 2021, talvez queira um bom smartwatch por menos de R$ 1.000, certo? Aí tem o Amazfit GTR 3 ou o GTS 3, que estão oficialmente à venda no Brasil por cerca de R$ 1.000. Os relógios da subsidiária da Xiaomi monitoram quase uma centena de tipos de exercícios diferentes e, apesar de não terem ECG, medem o nível de oxigênio no sangue.

Outra opção é o Realme Watch S, disponível no Brasil com preço sugerido de R$ 699. O relógio tem bateria para até 15 dias, segundo a fabricante, e também oferece monitoramento de batimentos cardíacos (sem ECG) e do nível de oxigênio no sangue.

Conclusão

Não é de hoje que a Samsung não inova muito em seus relógios inteligentes, mas também não há muito o que inventar nesta categoria. A empresa começou com dispositivos redondos e segue com o formato até hoje. O Galaxy Watch Active 2 não foge disso, mas não deixa de ser um bom smartwatch por conta disso, além de ter sido o primeiro da marca a oferecer o eletrocardiograma de fábrica.

Mas parece que o modelo tem mais poréns do que vantagens de fato. A tela é boa e o desempenho é mais que satisfatório, ao passo que o sistema já foi abandonado pela própria empresa para buscar uma opção mais atrativa para os desenvolvedores de apps. A duração da bateria não chega a ser ruim, mas deixa muito a desejar comparado a concorrentes chineses, que ainda por cima são mais baratos e têm funções a mais.

Dois anos após seu lançamento, o preço do Galaxy Watch Active 2 começa a ficar bem interessante, mas com tantas desvantagens, não parece valer a pena mesmo assim. A menos que você tenha um celular da Samsung e queira se manter no ecossistema da companhia, que de fato entrega conectividade melhor entre celular e relógio da própria empresa do que com modelos de outras companhias.

Você encontra o Galaxy Watch Active 2 atualmente por R$ 850 no varejo online. O smartwatch já chegou à faixa de R$ 720 em seu menor valor nos últimos meses, e pode ser uma boa aguardar que uma oferta dessa se repita em breve, caso você faça questão deste modelo. Mas é realmente mais indicado investir um pouco mais em um modelo mais recente da Samsung, como o Galaxy Watch 4, com WearOS e maior suporte a atualizações e aplicativos.

Seja como for, é uma boa alternativa por menos de R$ 1.000, e vale mais do que uma smartband, que é muito mais dependente do celular do que um smartwatch.