Review Realme Band 2 | uma boa smartband básica

Por Diego Sousa | Editado por Léo Müller | 03 de Maio de 2022 às 17h04
Ivo Meneghel Jr/ Canaltech

A Realme Band 2 é a estreia da chinesa no segmento de pulseiras inteligentes no Brasil. Ela possui tela de 1,4 polegada e brilho de 500 nits, bateria para até 12 dias de utilização, até 90 modos de treino e monitoramento contínuo de frequências cardíacas.

Será que ela vale a pena em um mercado dominado por smartbands de Xiaomi, Samsung e Huawei? Eu testei a Realme Band 2 por alguns dias e conto todas as minhas impressões nos próximos parágrafos!

Prós

  • Acompanhamento físico
  • Modos de treino
  • Bateria
  • Design

Contras

  • Construção
  • Tela
  • Desempenho
  • Interface

Construção e design

Como evolução da primeira geração, a Realme Band 2 trouxe um design mais robusto, mas que infelizmente perdeu a elegância e a compactabilidade do primeiro modelo. A caixa precisou crescer para acomodar a tela maior, os novos sensores e a bateria de maior capacidade.

A Realme Band 2 não tem nenhum destaque no visual (Imagem: Ivo Meneghel Jr./Canaltech)

Embora a smartband tenha recebido um corpo maior, sua construção inteiramente de plástico fez com que ele parecesse mais básico do que é. Não só pela escolha do material do núcleo, mas também pela pulseira que aparentou ser muito frágil e pouco confortável.

No pulso, pelo menos, a Realme Band 2 não me incomodou tanto quanto outras pulseiras que testei, e aqui coloco algumas Fitbit e até a Mi Band 6. Ela é firme e felizmente não irritou minha pele durante o período em que a usei, o que considero um ponto muito positivo.

Uma boa notícia é que a pulseira é removível e que você consegue trocá-la por qualquer outra no mercado que tenha 18 mm. A própria Realme vende muitas opções, mas elas não vieram ao Brasil.

Como estamos falando de um produto que monitora atividades físicas, a Realme Band 2 é à prova d’água, suportando mergulhos de até 50 metros de profundidade. Ou seja, um dos seus modos esportivos incluem natação.

As laterais da pulseira são arredondadas e não possuem nenhum botão físico. Até estranhei o primeiro contato com ela porque, primeiro, foi preciso carregá-la completamente para conectá-la. Após isso, entretanto, tudo fluiu super bem.

Tela

A Realme Band 2 é equipada com uma tela de 1,4 polegada com resolução de 167 por 320 pixels e tecnologia LCD. É um painel bem básico, portanto, além de cores mais lavadas em relação a outras pulseiras, não há brilho automático.

Para mim, o brilho automático foi uma das principais ausências da smartband porque acabou sendo inconveniente diminuir a luminosidade em ambientes escuros, como na hora de dormir. E mesmo no nível mais fraco, ele me incomodou em alguns momentos.

Tela da Realme Band 2 é boa, mas não tem brilho automático (Imagem: Ivo Meneghel Jr./Canaltech)

Uma coisa boa disso tudo é que, em ambientes muito ensolarados, o brilho de 500 nits dá conta do recado, sendo possível visualizar todas as informações da pulseira sem problemas.

Além disso, mesmo trazendo uma tela maior em relação à geração passada, o aproveitamento frontal não é dos melhores, e isso acabou resultando em uma caixa consideravelmente maior para o display. Acredito que daria para aumentar um pouco mais a tela.

Como eu comentei mais acima, não há nenhum botão físico na Realme Band 6, logo a tela é sensível ao toque. Ela me pareceu bem responsiva, embora a interface não tenha ajudado muito na experiência.

Configurações e desempenho

A Realme Band 2 é uma pulseira inteligente de cerca de R$ 300, então eu já não esperava um desempenho tão fluido quanto o das Mi Band, por exemplo. Ele não tem sistema operacional independente também, sendo obrigatória a conexão com um smartphone, seja ele Android ou iPhone.

O app por onde você sincroniza seu smartphone com a pulseira, além de ver todas as configurações e relatórios dos sensores, é o Realme Link. Ele é simples, mas mostra todas as opções de personalização da smartband de forma fácil, e o processo de conexão também é comum.

App Realme Link (Imagem: Diego Sousa/Canaltech)

O único problema — e o mais chato — que tive com ele foi para acessar a galeria de faces da pulseira. A Realme disponibiliza inúmeras opções para você personalizá-la, mas o software sempre mostrava uma mensagem de erro.

Durante o período em que usei a Realme Band 2, infelizmente não consegui ver todas as opções de faces disponíveis, precisando recorrer a algumas disponíveis na própria pulseira.

A interface da smartband também não é das melhores que eu já usei. Ela não é nada fluida, então mesmo com a responsividade da tela os comandos saem muito arrastados e demorados. A fonte, os ícones e as janelas também não são muito bonitas. É tudo muito simples, até demais para o meu gosto.

Interface da Realme Band 2 não é das mais amigáveis (Imagem: Ivo Meneghel Jr./Canaltech)

Tirando tudo isso, a Realme Band 2 cumpre bem o seu papel de ser uma pulseira inteligente básica: ela pode controlar a reprodução de músicas do seu celular, servir de controle remoto para tirar fotos, criar alarmes, temporizadores, visualizar mensagens, mas não respondê-las, e controlar outros dispositivos IoT da Realme.

Tudo funcionou minimamente bem graças à conexão Bluetooth 5.1, que em nenhum momento deixou meu celular e a Realme Band 2 se desconectarem. Ah, e por falar em conectividade, ela é compatível com sistema Android a partir da versão 5.1, além de iOS 11 ou versões posteriores.

Acompanhamento físico

A Realme Band 2 suporta até 90 modos esportivos, incluindo corrida, caminhada, natação, musculação, basquete, yoga, futebol, remada, elíptico e spinning. A Realme diz que todos os esportes serão incluídos futuramente por meio de atualização.

Mesmo sendo uma pulseira básica, a Realme Band 2 tem até um kit de sensores muito interessante. O sensor GH3011 está presente para monitorar a frequência cardíaca continuamente, sem contar com a medição dos níveis de oxigenação no sangue, estresse, qualidade de sono e passos.

Todos os sensores ficam na parte inferior da caixa (Imagem: Ivo Meneghel Jr./Canaltech)

Em atividades físicas, a pulseira foi muito precisa e notei que conseguiu registrar corretamente — ou, pelo menos, quase — a maioria dos exercícios, principalmente os externos. Nos internos, os resultados foram um pouco mais superficiais, sempre jogando os batimentos para baixo.

Com relação ao oxímetro, não dá para dizer se a pulseira faz um bom trabalho, pois não consegui comparar com o oxímetro de dedo. Mas fica o aviso: no caso de o registro ficar muito abaixo do normal, procure um médico.

Os monitoramentos de sono e estresse também foram ótimos. O primeiro se mostrou muito preciso durante as noites, registrando com eficiência a duração de sono leve, profundo e REM. A análise de estresse também se revelou exata, embora eu mal tenha me agitado.

Bateria e carregamento

Um dos destaques da Realme Band 2 é a sua bateria com duração de até 12 dias. É claro que a duração total depende de como você utiliza a pulseira, quantos exercícios você registra, com qual frequência o monitor de batimentos cardíacos funciona.

Nos meus testes, registrando exercícios uma vez por dia e monitorando os batimentos cardíacos continuamente a cada 10 minutos, a Realme Band 2 saiu de 100% para 11% em cinco dias.

Bateria da pulseira é interessante (Imagem: Ivo Meneghel Jr./Canaltech)

É claro que ficou longe dos 12 dias prometidos pela Realme, mas eu considerei uma boa autonomia porque eu não me preocupei em ficar sem ele em nenhum momento. Grande parte disso se deu pelo carregamento relativamente rápido, aproximadamente uma hora.

Durante os testes, bastou dar uma recarga de 20 minutos durante o banho e pronto, a pulseira nunca te deixará na mão.

Concorrentes diretos

A Realme Band 2 chegou ao Brasil pelo preço sugerido de R$ 449, mas pode ser encontrada por valores entre R$ 300 e R$ 350.

Nessa faixa de preço, já é possível encontrar modelos bem mais competentes e já conhecidos do mercado brasileiro, como a Samsung Ggalaxy fit 2 e a Huawei Band 6.

A gente já analisou a pulseira inteligente da Samsung e nos chamou atenção principalmente a bateria de até 21 dias, além da maior integração com celulares Samsung. Seu preço gira em torno dos R$ 340.

Galaxy Fit 2 da Samsung (Imagem: Ivo Meneghel Jr./Canaltech)

Com relação à Huawei Band 6, meu colega Rudy Caro a intitulou como uma das melhores smartbands do momento. Também custando cerca de R$ 330, ela oferece tela AMOLED, muito superior ao LCD da Realme Band 6, ótimo desempenho e recursos avançados de monitoramente de saúde.

Huawei Band 6 (Imagem: Divulgação/Huawei)

Vale a pena comprar o Realme Band 2?

A Realme Band 2 é uma smartband muito básica, mas que desempenha suas funções muito bem. Os sensores são precisos, a bateria tem boa duração em uso moderado, as opções de exercícios são vastas, e o brilho da tela é bem alto.

E eu até recomendaria a Realme Band 2 se ela realmente comprasse a ideia de ser simples e custasse menos. Ela chegou ao Brasil por salgados R$ 449 e, mesmo tendo uma queda de preço considerável, podendo custar R$ 300, outras smartbands disponíveis no Brasil entregam muito mais custando o equivalente, como a Huawei Band 6 e a Galaxy Fit 2

Brilho automático, por exemplo, é uma função quase obrigatória em uma smartband, e a Realme Band 2 não possui.

A interface da pulseira também poderia ser um pouco mais bem trabalhada, e não parecendo com a de um produto ilegítimo. São esses detalhes que me afastaram do produto da Realme. Mas quando, ou se, ela chegar a custar R$ 200, pode ser uma boa opção.