Review Nothing Phone (1) | Quase nada um iPhone

Por Felipe Junqueira | Editado por Léo Müller | 06 de Outubro de 2022 às 14h06

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Nothing Phone (1)
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Parece um iPhone, inclusive no preço. Mas não é celular da Apple. O Nothing Phone (1) pode enganar um pouco em sua aparência, mas é um excelente debutante da nova empresa de Carl Pei, co-fundador da OnePlus, agora em uma nova fabricante de celulares.

Apesar do visual ser bastante semelhante ao celular da Maçã, o primeiro smartphone da Nothing não é nada disso. Aliás, seu visual e marketing pesado podem fazer algumas pessoas acreditarem que é um telefone topo de linha, mas não chega a tanto.

Eu testei o aparelho e, vacinado contra o hype criado pela marca, fiquei com uma boa impressão dele. Eis a análise deste intermediário potente que chama atenção por seu visual diferente. Vejamos se o Nothing Phone (1) vale a pena.

Prós

  • Tela OLED de ótima qualidade
  • Quase um top de linha
  • Design diferente, que chama a atenção

Contras

  • Autonomia de bateria deixa um pouco a desejar
  • Sem conector P2
  • Proteção fraca contra água e poeira

Design e Construção

  • Dimensões: 159,2 x 75,8 x 8,3 mm;
  • Peso: 194 gramas.

O Nothing Phone (1) é a definição perfeita da expressão “copia, mas não faz igual”. O celular lembra o iPhone em diversos aspectos, especialmente sua lateral de alumínio. Os botões de energia, na direita, e volume, na esquerda, são iguais aos do telefone da Apple.

Mas há diferenças, como a presença do conector USB-C e a ausência do botão para silenciar o telefone. Na frente, há um furo no canto superior esquerdo da tela, em vez do notch central do iPhone.

A traseira, no entanto, tem uma aparência bem única. A Nothing usou um vidro transparente, que não mostra os componentes, mas sim placas de proteção. Além disso, tem LEDs de notificação, chamado iluminação Glyph. Falo mais sobre isso à frente.

O Nothing Phone (1) tem certificação IP53, com proteção contra poeira inferior à de modelos topo de linha. E aguenta apenas respingos d’água. De maneira geral, é um celular intermediário com aparência premium.

Um grande ponto contra: ausência de conector P2.

Tela

  • Tamanho: 6,55 polegadas, 103,6 cm² de área, ~85,8% de ocupação;
  • Tecnologia do painel: OLED;
  • Resolução e proporção: Full HD (1080 x 2400 pixels), 20:9;
  • Densidade aproximada: 402 pixels por polegada;
  • Extras: 120 Hz.

A tela OLED do Nothing Phone (1) pode ser considerada um de seus diferenciais. Tem todas as características que se espera de um celular intermediário premium: ótimos níveis de brilho, contraste e cores vivas, resolução Full HD e taxa de atualização ampliada.

Eu usei o celular com brilho automático em um ambiente interno bem iluminado, e o brilho ficou em 38%. No máximo, é possível enxergar bem o conteúdo mesmo sob a luz do sol.

A qualidade do brilho fica entre os intermediários concorrentes do Nothing Phone (1) e modelos topo de linha. Ou seja, se o máximo não alcança um iPhone 13 Pro ou um Galaxy S22+, ao menos fica acima de um Galaxy A73.

Configuração e Desempenho

  • Sistema operacional: Android 12 sob Nothing OS 1.1.3;
  • Plataforma: Qualcomm Snapdragon 778G+ 5G (6 nm);
  • Processador: Octa-core (1x 2,5 GHz Cortex-A78 + 3x 2,4 GHz Cortex-A78 + 4x 1,9 GHz Cortex-A55);
  • GPU: Adreno 642L;
  • RAM e armazenamento: 8/128 GB, 8/256 GB, 12/256 GB.

Muita gente esperava um hardware topo de linha, mas a Nothing preferiu reduzir custos neste aspecto. E, ainda assim, entrega bastante potência com o Snapdragon 778G Plus.

Em resumo, o celular é capaz de rodar tudo o que está disponível na Google Play Store. E só alguns jogos mais pesados ou menos otimizados vão precisar de redução gráfica, enquanto a maior parte roda no padrão ou mesmo com melhor qualidade.

Eu senti um pouco de aquecimento durante os testes, especialmente quando abri algum jogo. Mas nada que atrapalhasse a segurar o aparelho e nem mesmo atrapalhasse o desempenho. Pode atrapalhar em muitas horas de jogatina, porém.

Apesar de não ser um topo de linha, o Nothing Phone (1) entrega desempenho mais que suficiente para a maior parte das pessoas atualmente. Neste ponto, é um celular com custo-benefício superior aos flagships de outras marcas.

O dispositivo é vendido em três opções de memória: 8 GB de memória RAM e 128 GB de armazenamento, exclusivo da cor preta; 8/256 GB ou 12/256 GB, disponível em preto ou branco.

Usabilidade

A interface do Nothing Phone (1) mistura um pouco de iOS com bastante Android, que está na versão 12. As configurações em si são do sistema operacional do Google, que é de fato utilizado no celular. A interface tem poucas modificações, assim como em celulares Motorola e Pixel.

Entre as características próprias da Nothing OS estão alguns elementos gráficos de computação antiga, além de configurações da iluminação Glyph. Estas luzes podem indicar carregamento e gravação de vídeo, além de iluminar o cenário ao filmar.

Câmeras

  • Principal: 50 MP, abertura f/1.9, auto foco;
  • Ultrawide: 50 MP, abertura f/2.2, 114˚, auto foco;
  • Selfies: 16 MP, abertura f/2.5;
  • Vídeos: 4K a 30 fps (máx., principal).

Seguindo o conceito da empresa, o Nothing Phone (1) não conta com nada de conjunto complexo de câmeras. São apenas dois sensores traseiros, ambos de 50 MP. E nem por isso o aparelho fica devendo fotos macro, feitas com a ultrawide.

As fotos ficam muito boas em quase todos os cenários possíveis. Mas, claro, não se trata aqui de um concorrente de iPhones ou Galaxy S22 neste sentido. As cores são precisas e bem vívidas, a faixa dinâmica é boa e o nível de texturas é excelente.

A única impressão um pouco ruim que eu tive das fotos do Nothing Phone (1) é que elas parecem exageradamente nítidas. É como se uma imagem já bem definida recebesse o filtro “tornar mais nítido” no Photoshop.

A câmera ultrawide — incluindo fotos macro — tem resultados bem próximos da principal, e ambas trabalham bem com pouca luz, também. O sistema recomenda ativar o modo noturno quando acha necessário.

Selfies e gravação de vídeo

A câmera de selfies tem resolução bem menor que as traseiras, mas nem por isso faz feio. Nitidez, cores vívidas e nível de textura estão bem próximos do que você faz com a principal ou a ultrawide. Só a faixa dinâmica é um pouco inferior, mas nada que deixe a foto ruim.

A gravação de vídeo é limitada à resolução 4K a 30 quadros por segundo. No geral, é boa, mas a captação em movimento ficou estranha. Você vai reparar no vídeo abaixo que há algumas quedas de frames, que deixam o vídeo “pulando”.

Que fique claro: isso não aconteceu em todos os vídeos que gravei. Quando movimentei apenas o celular, a captação foi boa e bastante estável. Só esse vídeo em que eu estava caminhando ficou assim.

Vídeo gravado com o Nothing Phone (1) em 4K

Câmera principal em ambiente interno com boa iluminação

Felipe Junqueira/Canaltech

Sistema de Som

O celular da Nothing conta com sistema de som estéreo, sendo a saída de som de chamadas o segundo canal. Por algum motivo, durante os testes, o Phone (1) trava os canais e mantém o alto-falante inferior sempre como lado direito, mesmo que você gire o telefone.

A qualidade do som é bem razoável, apesar de a saída de som superior ficar devendo um pouco nos graves. Somando os dois alto-falantes, você tem uma boa distinção dos instrumentos da música. A potência também é boa, sem muita distorção no volume máximo.

E você sempre pode usar um fone de ouvido ou caixa de som com ou sem cabo para melhorar a qualidade e a potência do áudio.

O Nothing Phone (1) é o primeiro celular da novata empresa de Carl Pei, e uma boa estreia. Intermediário competente que atrai atenção pelo visual diferente.

Felipe Junqueira

Bateria e Carregamento

  • Capacidade de carga: 4.500 mAh;
  • Recarga: até 33 W com fio, 15 W sem fio.

Com 4.500 mAh, o celular da Nothing aposta em seu processador de frequência um pouco mais baixa para superar modelos topo de linha. Mas, para ser sincero, a autonomia de bateria não me agradou tanto.

No teste de reprodução de vídeo, o aparelho consumiu 19% de sua carga em 3 horas de Netflix a 50% de brilho da tela. É mais do que o Galaxy Z Flip 4, por exemplo, mas conseguiu ir melhor que o Galaxy M53, que está mais perto de sua faixa de preço.

No uso do dia a dia, novamente não vi nada impressionante. Em 6 horas de uso com YouTube, Netflix, redes sociais e jogos, o aparelho consumiu 40% de carga. Isso dá cerca de 6,67 ponto percentual de consumo a cada hora. E isso a menos de 40% do brilho.

Ou seja, não acredito que o Nothing Phone (1) se destaque por autonomia. Ele pode até entregar um dia inteiro de uso, mas não é fácil extrair mais do que isso.

No carregamento, o aparelho suporta até 33 W com fio e 15 W sem fio. E ainda oferece recarga reversa sem fio, um ponto de vantagem sobre seus principais concorrentes. Porém, ele fica devendo um carregador na caixa, já que traz apenas o cabo.

Concorrentes Diretos

Dá para citar muitos concorrentes para o Nohting Phone (1), de intermediários potentes do mundo Android ao iPhone 12, modelo mais em conta da Apple.

Entre os celulares com configurações semelhantes de hardware temos o Xiaomi 12 Litegalaxy a73 e Motorola Edge 30. Todos de marcas conhecidas do consumidor brasileiro, e com preços mais em conta, na casa dos R$ 2.000.

As alternativas a preço mais próximo são modelos mais potentes, como o Galaxy S20 FE e o Poco F4, além do Moto G200. Já são smartphones Android mais completos, especialmente o primeiro, que ainda fica na faixa de preço citada acima. Os outros dois já saltam para perto de R$ 2.500.

Por fim, o iPhone 12 é um investimento mais salgado, e é dificilmente encontrado por menos de R$ 4.000. Considerando que o Nothing Phone (1) importado custa cerca de R$ 2.600 mais taxas — que podem chegar a 60% do valor da nota —, talvez compense mais ficar com o modelo que é vendido oficialmente por aqui.

Tela OLED conta com papel de parede estilizado

Ivo Meneghel Jr/ Canaltech

Nothing Phone (1): vale a pena?

Um celular interessante pela aparência, a meu ver, e que não fica devendo em especificações e experiência. O Nothing Phone (1) pode atrair quem quer um smartphone diferente, apesar de a primeira impressão ser de um iPhone modificado.

Como é comum em intermediários, o aparelho não se destaca positivamente em muitos aspectos, e também não tem muitos pontos fracos. Sua tela é agradável, e o desempenho em jogos não fica devendo muito nem mesmo a modelos mais caros.

O maior ponto fraco que consigo citar é a ausência de conector P2. O preço é um pouco superior a opções já disponíveis no Brasil, entre elas o mais potente Galaxy S20 FE. Mas se você quer um smartphone que chame atenção pelo design, é um extra aceitável a se pagar.

Você até encontra o Nothing Phone (1) com importadores e estoque no Brasil, mas o preço nestes casos assusta, chegando a R$ 5.000. Salgado para o que ele oferece. Importando da China, você paga cerca de R$ 2.600. Lembrando que deve ter taxa de importação, neste caso.