Review Moto G52 | Bateria para 2 dias, mas o desempenho...

Por Felipe Junqueira | Editado por Léo Müller | 29 de Junho de 2022 às 12h15
Ivo Meneghel Jr/ Canaltech

O Moto G52 tem nome que indica posicionamento perto de modelos intermediários premium. Como se fosse um Galaxy A52 da Motorola, um aparelho com potência mais modesta, mas recursos mais avançados.

Mas não é bem assim no mundo real. Apesar da boa bateria para dois dias de uso, o dispositivo tem processador que o coloca mais perto de modelos intermediários de baixo custo. Seus principais concorrentes são celulares como Galaxy A23 e Realme 9i.

Eu testei o smartphone da Motorola e notei que seu desempenho deixa a desejar. Mas e quanto ao resto? Ele tem uma tela OLED como diferencial para a concorrência, além de bateria de longa duração. Será que ao menos isso o Moto G52 entrega? Veja o que eu achei a seguir.

Compre o Moto G52

Prós

  • Tela OLED
  • Bateria para cerca de dois dias de uso
  • Câmera principal com boa nitidez

Contras

  • Desempenho abaixo do esperado
  • Sem suporte ao 5G

Design e Construção

  • Dimensões: 160,1 x 74,5 x 8,0 mm;
  • Peso: 169 gramas.

Um celular em barra com traseira e laterais em plástico, e vidro cobrindo toda a parte frontal. Não há muito o que falar do design ou do acabamento de um smartphone atualmente, mas sempre há detalhes que despertam a curiosidade de potenciais compradores.

O Moto G52 tem um furo na parte superior da tela, bem centralizado, para a câmera frontal. O display tem poucas bordas, graças à tecnologia OLED, que otimiza bastante o uso do espaço.

Moto G52 tem conectores P2 e USB-C na parte inferior (Imagem: Ivo Meneghel Jr/Canaltech)

Na traseira, três câmeras ficam no canto superior esquerdo. Todos os botões estão no lado direito, com o leitor de impressão digital embutido no de energia. Conectores P2 e USB-C, além da saída de som, estão na parte de baixo. A gaveta de chips fica no lado esquerdo, e o segundo alto-falante fica na parte de cima.

Você pode encontrar o Moto G52 nas cores preto, azul ou branco.

Tela

  • Tamanho: 6,6 polegadas, 103,6 cm² de área, ~86,9% de ocupação;
  • Tecnologia do painel: pOLED;
  • Resolução e proporção: Full HD (1080 x 2400 pixels), 20:9;
  • Densidade aproximada: 402 pixels por polegada;
  • Extras: 90 Hz.

A Motorola finalmente se rendeu ao painel OLED na família Moto G. O Moto G52 é mais um modelo da linha a chegar ao mercado com esta tecnologia. E as vantagens são muitas, mas destaco o contraste mais acentuado, bom para vídeos, e o brilho mais intenso.

Se você já está satisfeito com os celulares IPS LCD da empresa, acredito que vai ficar ainda mais feliz com essa mudança. A visibilidade na rua é boa, e a reprodução de vídeos fica bem melhor com o preto real.

Painel OLED é um dos destaques do Moto G52 (Imagem: Ivo Meneghel Jr/Canaltech)

Além disso, há um ganho na eficiência energética, e usar o modo noturno no sistema pode ser vantajoso. Os pixels se apagam ou reduzem a intensidade nas áreas escuras, então o display consome menos energia.

Hoje em dia é difícil um celular não ter tela minimamente decente, e o Moto G52 ganha um ponto extra pelo painel OLED. Contraste mais acentuado e cores mais vivas são características marcantes desse tipo de display, que ainda tem brilho máximo intenso e é energeticamente eficiente.

"A escolha por um painel OLED faz diferença na qualidade de exibição da tela do Moto G52. Brilho mais intenso e melhor eficiência energética são dois dos principais benefícios."

— Felipe Junqueira

Configuração e Desempenho

  • Sistema operacional: Android 12;
  • Plataforma: Qualcomm Snapdragon 680 4G (6 nm);
  • Processador: Octa-core (4x 2,4 GHz Kryo 265 Gold + 4x 1,9 GHz Kryo 265 Silver);
  • GPU: Adreno 610;
  • RAM e armazenamento: 4/128 GB.

Não se engane: apesar de ter uma plataforma da série 600 da Qualcomm, o desempenho do Moto G52 não se equipara ao de outros modelos equivalentes. O Snapdragon 680 não chega nem perto da potência do Snapdragon 695, tanto em CPU quanto em GPU.

O Moto G52 foi o primeiro celular da Motorola com desempenho engasgado até mesmo na tela inicial que eu testei em muito tempo. A lentidão fica bastante evidente. De modo geral, ele até consegue rodar tarefas e aplicativos, até mesmo os mais pesados, de maneira razoável.

Moto G52 conta com interface limpa, mas apresenta pequenos engasgos no uso do dia a dia (Imagem: Ivo Meneghel Jr/Canaltech)

Porém, há alguns engasgos, especialmente ao ligar a tela e abrir um app. É como se ele pegasse “no embalo”: começa um pouco devagar e vai acelerando.

Eu consegui jogar até mesmo títulos como Asphalt 9 e COD Mobile, mas o desempenho não é tão bom. Ao reduzir um pouco a qualidade gráfica, a execução fica bem mais suave. Ou seja, se você não é exigente com jogos, pode extrair uma boa experiência aqui.

Mas não se deixe enganar. Celulares com um Snapdragon 480 são mais potentes que o Moto G52 com seu Snapdragon 680. O número parece indicar posicionamento superior, mas não é o que acontece no mundo real.

Resultados de benchmark têm pontuação de modelo básico (Imagem: Felipe Junqueira/Canaltech)

Isso fica bastante evidente nos resultados de benchmark, mas é perceptível no uso do dia a dia. O smartphone deste teste somou 378 pontos no single-core e 1.509 no multi-core do teste de CPU do Geekbench 5. E 438 no de GPU. Pontuação baixa para um série 600 da Qualcomm.

Eu sequer consegui rodar o teste mais exigente da lista do Canaltech, que é o Wild Life Extreme, do 3D Mark. O dispositivo parou no meio todas as vezes, alegando falta de memória — o que é estranho para um modelo que tem 4 GB de RAM e 128 GB de armazenamento.

Usabilidade

A Motorola lançou o Moto G52 já com o Android 12 instalado, e deve liberar ao menos a próxima versão do sistema operacional do Google. Além disso, serão três anos de updates bimestrais de segurança.

Ao menos a interface sofre poucas modificações. A empresa adiciona o app Moto, onde reúne a maior parte de seus recursos extras. Entre eles estão os gestos, que permitem, por exemplo, abrir a câmera com duas viradas de pulso.

Também é possível usar recursos de personalização, para mudar fontes, cor e formato dos ícones. Além disso, tem o Moto Tela e alguns recursos para ajudar no foco em jogos.

Câmeras

  • Principal: 50 MP, abertura f/1.8, auto foco;
  • Ultrawide: 8 MP, abertura f/2.2, 118˚;
  • Macro: 2 MP, abertura f/2.4;
  • Selfies: 16 MP, abertura f/2.5;
  • Vídeos: 1080p a 30 fps (máx., principal e frontal).

O Moto G52 tem três câmeras: um principal, grande-angular; uma ultrawide, ou ultra grande-angular, com campo de visão mais amplo; e uma macro, com distância focal para registrar detalhes de objetos aproximados.

As três funcionam de maneira apenas satisfatória com boa iluminação, e a principal ainda consegue alguns registros aceitáveis com pouca luz. O Night Vision só funciona com o sensor de 50 MP. Mas mesmo com o recurso as fotos não se salvam muito.

Moto G52 conta com três câmeras traseiras: grande-angular, ultrawide e macro (Imagem: Ivo Meneghel Jr/Canaltech)

O Moto G52 entrega imagens com cores um pouco mais apagadas, e deve agradar a quem não gosta de saturação muito pesada. O foco funciona bem, desde que você ajude o celular a identificar qual objeto deve ser destacado — ele tem dificuldade em reconhecer sozinho.

A câmera ultrawide entrega fotos mais escuras que a principal, e também tem uma faixa dinâmica mais baixa. Isso significa que é mais comum ter objetos estourados, então tente fotografar com bastante luz no objeto principal.

A macro é decente, mas é difícil de encontrar o ponto de foco. O dispositivo fala em quatro centímetros, ou a largura de dois dedos, mas me pareceu um pouco mais do que isso. Além do mais, não espere macro como a de outros celulares, a ideia aqui é focar em algo mais próximo, mas sem grande riqueza de detalhes.

Selfies e gravação de vídeo

Passando para a câmera frontal, você perde a faixa dinâmica, mas consegue bons registros. Claro que, neste caso, eu considero que o fundo é geralmente descartável, e perder detalhes como o azul do céu com as nuvens é aceitável.

O ideal é usar a luz sempre a seu favor e com equilíbrio: ambientes com muita luz de um lado e pouca do outro podem gerar fotos ruins, com perda de detalhes em ambos os casos. No geral, são selfies aceitáveis para as redes sociais.

Câmera frontal faz boas fotos para um aparelho intermediário (Imagem: Felipe Junqueira/Canaltech)

A gravação de vídeos, que é limitada ao Full HD com 30 quadros por segundo, é apenas razoável. A imagem não fica tão boa quanto nas fotos, com mais ruídos que o ideal. O áudio não é dos melhores, dá para notar um supressor de ruídos no som de fundo, mas dá para escutar bem a sua voz.

Na traseira, você vai notar alguns engasgos durante a captura, mas relaxe: o arquivo final vai ter a fluidez esperada dos 30 fps.

Sistema de Som

O áudio do Moto G52 é estéreo e bem satisfatório. O som é limpo em volumes mais baixos e assim se mantém até perto do máximo, quando começa a ficar “abafado”. A potência também é boa.

A questão aqui é que, por ser um sistema com espaço limitado para o dispositivo de áudio, o foco fica nos sons médios. E é natural alguma distorção em volumes altos, mas geralmente dá para distinguir bem as palavras.

Para escutar música ou assistir a filmes com mais qualidade sonora, o indicado é usar fone de ouvido. Para isso, você pode aproveitar o conector P2 ou o Bluetooth e conectar um modelo com fio ou sem.

Bateria e Carregamento

  • Capacidade de carga: 5.000 mAh;
  • Recarga: até 30 W com fio.

A duração da bateria é um dos pontos altos do Moto G52. O aparelho tem um consumo bem equilibrado, e deve entregar pelo menos dois dias longe da tomada para a maioria dos usuários, variando para mais ou para menos dependendo da sua exigência.

Para confirmar isso, eu realizei dois testes diferentes. O de reprodução de vídeo mostrou que o aparelho é capaz de segurar bem a carga na Netflix, com uma estimativa de até 30 horas com a tela em 50% do brilho.

Moto G52 tem espessura fina para um celular com 5.000 mAh de bateria (Imagem: Ivo Meneghel Jr/Canaltech)

No uso real, eu detectei um consumo médio de 3,6 pontos percentuais a cada hora, em um misto de jogos, redes sociais e navegação na internet. Foram 6 horas de teste, com cerca de 60% do tempo de tela ativa (ou 3,5 horas). O dispositivo encerrou com 78% de carga.

Se você pensar que o dia tem 24 horas, das quais dormimos cerca de 8h, o Moto G52 consumiria mais ou menos 57% da bateria em um dia com a média do meu teste. Mas para isso, você ficaria quase 10 horas do dia no celular, e isso não é o ideal.

Ou seja, dá para esperar dois dias longe da tomada com tranquilidade. Até mais se o seu principal uso for para assistir a filmes ou séries online.

Resultado do teste de uso real de bateria é excelente (Imagem: Felipe Junqueira/Canaltech)

Também testei o tempo de carregamento do celular com cabo e tomada que vêm na caixa. O adaptador de parede tem 30 W e consegui preencher 60% em 30 minutos. Para ficar com a carga completa, demorou cerca de 1 hora e 10 minutos, aproximadamente.

Ou seja, em meia hora você carregaria todo o consumo de um dia do meu teste, com cerca de 10 horas de tela. Dá para carregar 20 minutos por dia e sempre ter bateria garantida no seu Moto G52.

Concorrentes Diretos

O Moto G52 parece se posicionar em uma categoria intermediária quase premium para quem olha para sua numeração dentro da linha Moto G. Mas não é o que acontece no mundo real.

O Snapdragon 480 também está presente em celulares intermediários de baixo custo como Galaxy A23 e Realme 9i. Da Xiaomi, podemos citar o Redmi 10, que tem o Helio G88. Ou seja, estamos falando aqui de um intermediário que fica mais perto de modelos de entrada do que dos topo de linha.

Nenhum desses modelos citados é um grande campeão em fotografias ou captação de vídeos. E todos eles possuem mais ou menos a mesma duração da bateria, de cerca de dois dias. Mas há algumas diferenças em outros aspectos.

Moto G52 tem como concorrentes celulares quase de entrada (Imagem: Ivo Meneghel Jr/Canaltech)

Tanto o Galaxy A23 quanto o Realme 9i conseguem entregar desempenho mais fluido. O curioso é que seria de se esperar o contrário, já que a Motorola tem a interface mais “limpa” entre as três. Mas a otimização de One UI e Realme UI superaram o “Android puro” neste caso.

Outra questão é a tela. O único com display OLED entre os quatro aqui citados (Moto G52, Galaxy A23, Realme 9i e Redmi 10) é o modelo da Motorola. Todos os outros possuem tela IPS LCD.

E tem os preços. O celular da Samsung fica na faixa dos R$ 1.300, enquanto o da Realme sobe para perto dos R$ 1.400. O da Xiaomi pode ser importado por cerca de R$ 1.000, e está à venda na faixa de R$ 1.500 por importadores com estoque no Brasil.

O Moto G52 ainda está em uma faixa superior aos seus três principais concorrentes, um pouco acima dos R$ 1.500.

Moto G52: vale a pena?

Para quem consegue identificar corretamente onde o Moto G52 se encaixa no mercado de celulares, o smartphone pode ser uma boa opção. Sua tela OLED é melhor que o LCD de seus principais concorrentes, suas câmeras são aceitáveis e a duração de sua bateria é excelente.

O maior problema deste aparelho, a meu ver, é o seu desempenho. Sim, ele fica fluido conforme você usa, mas há engasgos esporádicos e uma lentidão acima do normal para o que se esperava dele. Dá para jogar sem grandes problemas, mas o uso do dia a dia é afetado.

Por conta disso, eu acho um pouco complicado recomendar o Moto G52 quando você tem opções mais fluidas a preço mais baixo. A tela OLED não é uma vantagem tão grande assim para você investir mais e ainda ter que aguentar um celular mais devagar do que deveria ser.

Mas se ainda assim você gosta da Motorola e quer dar um voto de confiança à marca, tem mais vantagens do que desvantagens na análise geral. Quando este modelo ficar mais perto da casa dos R$ 1.300, pode ser uma boa opção a se considerar.