Review Motorola Moto G200 | Um Moto G100 turbinado

Por Felipe Junqueira | Editado por Léo Müller | 09 de Fevereiro de 2022 às 17h05

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Motorola Moto G200
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A Motorola lançou o Moto G200 5G cerca de oito meses depois do primeiro Moto G com características de celular topo de linha. A nova versão é ainda mais poderosa, tem câmera com mais resolução e corrige alguns pontos criticados do Moto G100.

Eu testei o novo celular de uma das mais amadas linhas do brasileiro e tive boas impressões, além de detectar alguns pontos que ainda precisam de atenção pela fabricante.

Também houve uma questão que apresentou uma leve piora em relação à primeira geração, que é a bateria. E isso apesar de ter sido mantida a capacidade de 5.000 mAh.

Descubra se o Moto G200 5G vale a pena comprar e se ele realmente traz boas melhorias em comparação com seu antecessor nos próximos parágrafos.

Moto G200: encontre o melhor preço

Prós

  • Processador potente
  • Câmera principal e selfies muito boas
  • Mais de um dia de bateria

Contras

  • Tela IPS LCD com brilho baixo
  • Falta proteção contra água
  • Apenas uma atualização do Android

Design e construção

O Moto G200 5G segue a linha de seu antecessor, o Moto G100, em diversos pontos. O acabamento é plástico nas laterais e na traseira, com uma pintura fosca na tampa. Os botões ficam no lado direito, com um acesso ao Assistente do Google no lado esquerdo. Na parte de baixo, você encontra gaveta de chips, conector USB-C, microfone e saída de som.

  • Dimensões: 168,1 x 75,5 x 8,9 mm
  • Peso: 202 gramas

A tela ocupa boa parte da frente, com bordas bem estreitas e apenas um pequeno furo centralizado na parte superior. Ou seja, nada de câmera de selfie dupla neste modelo, como aconteceu no antecessor. E esta é apenas uma das diferenças entre os dois.

O Moto G200 não tem conector para fone de ouvido e seu módulo de câmera é bem diferente do primeiro Moto G topo de linha. A Motorola optou por um visual mais discreto, com uma lombada que segue a curvatura da traseira e dá uma sensação de continuidade. Mas as três lentes são bem grandes e ficam um pouco “para fora” desta estrutura.

O dispositivo vem com uma capinha de TPU na caixa que respeita essa característica da traseira e, ao mesmo tempo, protege bem as lentes das câmeras.

Não há proteção contra água e poeira, apenas uma camada repelente de água. Considerando que a ideia é oferecer um celular potente a um custo abaixo dos concorrentes, é um ponto que poderíamos esperar do Moto G200.

Você pode encontrar este poderoso Moto G nas cores azul ou verde.

Tela

  • Tamanho: 6,8 polegadas, 109,8 cm² de área, ~86,5% de ocupação;
  • Tecnologia do painel: IPS LCD;
  • Resolução e proporção: Full HD (1080 x 2460 pixels), 20,5:9;
  • Densidade aproximada: 395 pixels por polegada;
  • Extras: 144 Hz, HDR10.

A tela do Moto G200 é quase a mesma de seu antecessor. Ou seja, você vai ter que se contentar com um painel IPS LCD se escolher este aparelho. Nada de AMOLED por aqui.

Isso significa que o contraste é um pouco prejudicado pelo fato de a tecnologia utilizada não alcançar o preto profundo, mas sim tons mais escuros de cinza. Ao menos o HDR10 ajuda a garantir um bom nível de detalhes nas cenas de conteúdos suportados — geralmente vídeos em serviços de streaming.

Mas o maior problema dos painéis LCD mais simples é a intensidade do brilho. O nível máximo não é alto o bastante para entregar uma visibilidade que seja confortável para usar na rua, especialmente em dias ensolarados. Ao menos ele oferece taxa de atualização ainda maior, com 144 Hz.

E o fato de a câmera de selfies ficar no centro e ser única também faz uma diferença. A frontal dupla no canto do Moto G100 acaba distraindo um pouco mais do que um ponto único, como no sucessor.

Configuração e desempenho

  • Sistema operacional: Android 11;
  • Plataforma: Qualcomm Snapdragon 888+ 5G (5 nm);
  • Processador: Octa-core (1x 2,99 GHz Kryo 680 + 3x 2,42 GHz Kryo 680 + 4x 1,8 GHz Kryo 680);
  • GPU: Adreno 660;
  • RAM e armazenamento: 8/256 GB.

O grande ponto positivo do Moto G200 é o seu hardware. O dispositivo conta com nada menos que um Snapdragon 888+, a versão melhorada do chipset utilizado em celulares topo de linha como o Mi 11 Ultra e o Galaxy Z Fold 3.

O celular roda muito bem, sem engasgos ou lentidão ao abrir aplicativos ou realizar tarefas comuns. E aguenta bem processos mais pesados, como jogos, incluindo a saída rápida para conferir uma mensagem no WhatsApp e o retorno para seguir a jogatina.

Sinceramente, mesmo com meus árduos testes no dispositivo, não vejo como alguém poderia ter problemas com desempenho no Moto G200. Curiosamente, no entanto, a pontuação dele nos testes do 3D Mark ficaram um pouco aquém do esperado, abaixo do Galaxy S21 FE, que tem o Exynos 2100.

O celular da Motorola somou 5.766 pontos no Wild Life Unlimited, com 34,5 fps, e 1.409 pontos na versão Extreme, com 8,4 fps. O modelo da Samsung ficou com 5.845 pontos e 35 fps e 1.836 pontos e 11 fps, respectivamente. Um empate técnico. Mas era de se esperar mais da versão turbinada do chip topo de linha da Qualcomm.

Não senti nenhum problema com o fato de o Moto G200 ter menos memória RAM do que seu antecessor, com 8 GB contra 12 GB. O hardware todo trabalha muito bem mesmo com a capacidade um pouco inferior. Claro que usuários mais exigentes, — que ficam com muitos apps pesados abertos ao mesmo tempo — podem sentir uma diferença.

Importante: o Moto G200 tem 256 GB de armazenamento e não permite a expansão com cartão micro SD.

Interface e sistema

A Motorola lançou o Moto G200 com o Android 11 de fábrica, como sempre com poucas modificações feitas pela empresa. O dispositivo conta com o app Moto, que tem recursos extras como os gestos de abrir câmera e ligar lanterna, e o Moto Tela, além do Moto Play, que ajuda a manter o foco em jogos.

Ele também conta com o Ready For, com funcionalidades extras ao conectá-lo a telas maiores com cabo USB-C/HDMI. Você pode usá-lo como um computador ou transformar o celular em uma espécie de TV box na televisão, por exemplo.

Como a maior parte dos smartphones Moto G, o novo topo de linha deve receber apenas uma versão de sistema. Ou seja, vai atualizar para o Android 12 e ficar nos updates de segurança até 2024.

Pensando em recursos e sistema operacional, o Moto G200 não tem nada de diferente comparado ao seu antecessor. Ambos saem com a mesma versão do Android e serão atualizados apenas para o Android 12.

Aí pode valer a pena ficar com o G100 ou até mesmo comprar o modelo um pouco mais antigo se estiver mais em conta.

Câmeras

  • Principal: 108 MP, abertura f/1.9, foco PDAF;
  • Ultra wide: 13 MP, abertura f/2.2, campo de visão de 119˚, função macro;
  • Profundidade: 2 MP, abertura f/2.4;
  • Selfies: 16 MP, abertura f/2.2;
  • Vídeos: 4K a até 30 fps.

Não senti muito diferença nas câmeras do Moto G200 em relação a seu antecessor. A Motorola trocou o sensor principal para um com 108 MP, mas o resultado final ficou mais ou menos na mesma: fotos boas, com excelente nível de detalhes, mas com pouco destaque.

Não é que seja uma câmera ruim. O Moto G200 — e os celulares da Motorola, no geral — tendem a entregar cores mais suaves e contraste em nível alto. Se no primeiro caso isso é bom para edição, no segundo você pode perder alguns detalhes e não há editor de imagem que ajude a recuperar.

As fotos no geral são boas, mas estão abaixo de outros celulares topo de linha, especialmente os de Samsung e Apple. A principal do Moto G200 dá para o gasto e compete bem com modelos intermediários, pelo menos. E também consegue manter um bom nível de detalhes mesmo com uma aproximação digital de até cinco vezes.

Já a ultra-wide me decepcionou. O contraste fica ainda mais exagerado, e o nível de detalhes cai drasticamente. Para piorar, o alcance dinâmico é bem ruim, e as fotos ficam com uma aparência de intermediário barato. É um ponto em fotografia para a Motorola dar uma atenção especial e corrigir em lançamentos futuros.

A macro, ao menos, trabalha bem. O que é curioso, já que trata-se do mesmo sensor e lente da ultra-wide, mas com as bordas cortadas e o foco ajustado para registrar objetos muito próximos. Se você gosta de tirar esse tipo de foto, o Moto G200 pode ser uma boa opção de smartphone potente a preço baixo para você considerar.

Selfies

A câmera frontal melhorou bastante em comparação com o Moto G100. Se o antecessor já conseguia atingir bons níveis de detalhes, balanço de branco equilibrado e um alcance dinâmico surpreendente com boas condições de luz, notei uma qualidade ainda melhor no Moto G200.

As selfies têm um nível de saturação um pouco mais acentuado, com bom equilíbrio no contraste. E o mais importante: seu rosto fica bem destacado, enquanto o fundo da imagem não deixa de exibir bastante detalhe, mas não chega a chamar atenção de quem olha para a imagem.

O aparelho já não trabalha tão bem com pouca luz, mas se você souber usar a iluminação disponível a seu favor, consegue bons retratos. Para ambientes quase escuros, dá para usar o Night Vision para reduzir ruídos e melhorar a nitidez.

Modo retrato

O Moto G200 consegue fazer o recorte do fundo no modo retrato de maneira geralmente bem precisa tanto com a frontal quanto com a traseira. Porém, houve casos nos testes em que o aparelho parece que ficou meio em dúvida, e desfocou uma parte apenas do objeto que, sim, fazia parte da composição, mas poderia ter sido desfocado.

Na foto acima, você consegue notar que a palmeira ao meu lado ficou uma parte desfocada, e uma boa parte focada. Você pode se aventurar no editor para corrigir o nível do desfoque ou até a profundidade, e talvez até salvar alguns cliques nesse processo.

Modo retrato não é ruim, mas apresenta mais falhas do que seria aceitável em um celular poderoso como o Moto G200

Felipe Junqueira/Canaltech

Sistema de som

Outro aspecto em que o Moto G200 deixa a desejar em comparação com outros modelos topo de linha é o sistema de áudio. O aparelho tem apenas um alto-falante, que fica na parte de baixo, ao lado do conector USB-C. Nada de som estéreo, como já começa a aparecer até mesmo em alguns intermediários de outras marcas.

Mas tudo bem. Ao menos o som é potente e tem bom equilíbrio de graves, médios e agudos. Porém, isso significa que ele reproduz bem as vozes em vídeos (especialmente chamadas), mas fica devendo em filmes e músicas.

E não tem conector para fone de ouvido, então para dar uma turbinada no som, você fica na dependência do adaptador USB-C/P3 ou de uma caixa ou fone de ouvido Bluetooth.

Bateria

  • Capacidade de carga: 5.000 mAh;
  • Recarga: até 33 W.

A bateria do Moto G200 tem capacidade de 5.000 mAh, repetindo o seu antecessor. O tempo de uso está em um bom patamar, podendo ultrapassar um dia inteiro de uso intenso, mas está um pouco abaixo do que você consegue extrair com o Moto G100 e até mesmo com o Edge 20 Pro, que tem menos capacidade.

No meu teste de uso real, passei o dia nas redes sociais, joguei um pouco de Asphalt 8 e Pokémon GO e ainda assisti a alguns vídeos no YouTube e na Netflix. O Moto G200 perdeu 33% da carga em 8 horas, uma média de 4,1%. de consumo a cada hora. É um consumo muito pequeno, ainda mais considerando o processador poderoso que tem aqui dentro.

Claro que esse consumo pode variar bastante de acordo com força do sinal de rede, quantidade de aplicativos instalados e vários outros fatores. Mas, comparando com outros celulares que testei recentemente, está até um pouco abaixo da média.

No teste de Netflix, no qual ele ficou três horas reproduzindo vídeos ininterruptamente com o brilho da tela em 50%, foram consumidos 15% de carga. Isso dá uma estimativa de 20 horas de uso, que é o suficiente para mais de um dia, já que você não passa nem mesmo esse tempo todo acordado.

E a recarga também é bem rápida. O carregador — que vem na caixa — tem potência de 33 W e consegue preencher o celular de 0% até 100% em menos de uma hora e vinte minutos.

Concorrentes diretos

O Moto G200 é considerado uma atualização do Moto G100, apesar de ter sido anunciado menos de um ano depois (e trazer a mesma versão do sistema operacional).

Na comparação rápida entre os dois, eu diria que o mais novo é mais potente e tem uma melhoria em câmeras, mas a bateria dura um pouco menos. Assim, eu recomendo a você o que estiver mais barato na hora da compra.

Uma alternativa da própria Motorola que pode ser mais atraente é o Edge 20 Pro, que tem tela OLED com mais qualidade e brilho mais alto. A bateria dura um pouco mais, e as câmeras ficam mais ou menos no mesmo nível. Vale o investimento um pouco maior nele, mesmo que o G200 tenha processador mais potente.

E temos opções de outras marcas, também. Entre as opções poderosas baratas tem o Poco F3, que pode ser encontrado na faixa dos R$ 2.700. O Galaxy S21 FE chegou com preço um pouco alto, mas já apareceu algumas vezes na faixa dos R$ 3.500.

Todas essas alternativas citadas possuem processador potente e suporte ao 5G.

Moto G200: vale a pena?

A Motorola aumentou ainda mais a potência da segunda geração do Moto G topo de linha ao optar pelo chipset mais poderoso disponível para celulares Android no momento de seu lançamento.

E as câmeras do Moto G200 são melhores que as de seu antecessor, ao passo que a bateria é pouca coisa inferior, por conta do processador mais potente.

Mas o aparelho é, no fundo, uma espécie de Moto G100 turbinado. As principais desvantagens da geração anterior permanecem: tela IPS LCD, que não é um problema tão grande, mas já tem outros Moto G com tela OLED; e apenas uma atualização do Android está confirmada.

Este segundo ponto gera um fato curioso: tanto o Moto G100 quanto o Moto G200 saíram da fábrica com o Android 11 e vão parar no Android 12. Ou seja, nem mesmo a vantagem de ter sistema operacional mais atualizado que o antecessor o novo modelo tem. É só o processador mais potente, basicamente.

Sendo assim, a recomendação que eu faço é que você procure bem o preço do modelo de primeira geração antes de comprar o mais novo. Se a diferença for bem grande, pode valer a pena investir menos em um celular que só é um pouco menos potente — de maneira que poucos usuários vão sentir — e tem câmeras um pouco inferiores. Mas tem bateria que dura mais.

O Moto G200 foi lançado com o preço sugerido de R$ 4.999, mas já apareceu no varejo online por menos de R$ 3.800, sendo encontrado fácil na casa dos R$ 4.000. Um preço alto considerando que será atualizado apenas uma vez, sem contar updates ocasionais de segurança.