Review Pixel Watch | Relógio do Google com traços da Fitbit

Por Diego Sousa | Editado por Léo Müller | 07 de Dezembro de 2022 às 08h54

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Pixel Watch
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O Google Pixel Watch é o primeiro relógio inteligente do Google. Quer dizer, ele é da gigante das buscas, mas tem muitos traços de outra grande marca de fitness tracker, a Fitbit. Será que a parceria “perfeita” entre as duas resultou em um produto à altura? Eu testei o smartwatch do Google e conto tudo neste review!

Antes de começarmos, adianto que essa análise só foi possível graças à nossa parceira de importação USCloser, que facilita o envio de produtos da gringa para o Brasil.

Para importar produtos dos Estados Unidos que você não encontra por aqui, basta criar uma conta na USCloser. Você faz suas compras nos sites gringos normalmente, e a USCloser recebe por você lá nos EUA mesmo, em uma espécie de “caixa postal americana” criada exclusivamente para você. Depois, a USCloser encaminha os produtos para sua casa aqui no Brasil. É seguro, prático e rápido. Siga nosso tutorial para se cadastrar e comprar nos EUA economizando muito.

Prós

  • Boa qualidade de construção
  • Desempenho geralmente agradável
  • Ampla quantidade de aplicativos
  • Excelente monitoramento de saúde

Contras

  • Aproveitamento da área frontal
  • Wear OS precisa de refinamentos visuais
  • Bateria para menos de 1 dia

Construção e design

O Pixel Watch pode ser definido em duas palavras: minimalista e compacto. Seu formato é circular, e a caixa é encontrada apenas na opção de 41 milímetros (mm), ou seja, é um pouco maior que o Galaxy Watch 5 (40mm), e do mesmo tamanho que o Apple Watch 8 (41mm).

O visual simples parece vir da Fitbit, que também vende suas pulseiras e relógios inteligentes, mas pertence ao Google — inclusive, a primeira impressão que tive foi de estar testando mais um modelo Fitbit, apenas com nome trocado.

Isso ficou claro não só na construção robusta do relógio, que mistura vidro e aço inoxidável, como também na ideia de fazer um relógio que pareça totalmente bordas, mas que, na verdade, esconde bordas bem espessas. Essa foi a principal crítica que fiz a todo o portfólio da Fitbit, a qual, infelizmente, se repetiu no Pixel Watch.

Outro detalhe semelhante aos produtos da Fitbit é o encaixe proprietário da pulseira. A construção é de silicone macio e não tem fivela e trava, muito parecida com as Infinity Bands do modelo Sense. O encaixe é estranho no começo, mas é fácil de colocar e bastante confortável.

Há dois botões físicos no relógio, sendo um deles em formato de coroa, para navegar pela interface apenas rolando o scroll para cima ou para baixo. Já o outro é comum e dá acesso às atividades recentes.

Com relação à durabilidade do Pixel Watch, eu tomaria cuidado com ele porque a proteção do vidro é apenas Gorilla Glass 5, bem inferior à resistência de safira dos concorrentes. Pelo menos, há vedação contra líquidos e partículas, como poeira.

Tela

A tela do Google Pixel Watch seria perfeita, não fosse o pouco aproveitamento frontal. O display AMOLED de 1,2 polegada tem cores extremamente vivas e um pico de brilho espetacular, e ainda traz o Always On Display, que mantém o visor ligado exibindo algumas informações — só tenha em mente que isso consumirá muita energia.

Como o Google não é ‘bobo’, todos os mostradores do Pixel Watch são escuros, ajudando a “esconder” as grossas bordas — ao menos, a maioria das opções fica bonita no relógio, apesar de haver pouca possibilidade de mudança.

O Pixel Watch é um relógio muito bonito, compacto e minimalista. No entanto, a impressão que fica é de que se trata de um modelo da Fitbit, não do Google. O resultado é um smartwatch pouco original, embora ainda agradável.

Diego Sousa

Configurações e desempenho

  • Chipset: Exynos 9110 (10nm), 2x Cortex-A53 de 1,15 GHz, Mali T-720;
  • RAM: 2 GB;
  • ROM: 32 GB;
  • Sistema operacional: Android Wear OS 3.5;
  • SIM: eSIM.

O Pixel Watch é um smartwatch que roda o Wear OS mais recente. Por ser inteligente, de fato, ele realiza muitas tarefas sem precisar de um smartphone do lado, como realizar ligações, ouvir músicas pelo Spotify ou YouTube Music, controlar sua casa através do Google Home, e muito mais.

É claro, caso você queira, por exemplo, levar apenas o relógio conectado a um fone Bluetooth para ouvir músicas na rua, será preciso instalar um eSIM no dispositivo, para utilizar o 4G — o Pixel Watch também vem na opção Bluetooth + Wi-Fi.

Apesar de ter suporte a centenas de aplicativos pela Play Store, a interface do Pixel Watch é um tanto básica em relação ao watchOS ou a One UI Watch, também baseada no Wear OS 3. Me lembrou um pouco o Fitbit OS em alguns aspectos, como a central de notificações e o menu de apps e ferramentas.

Talvez tenha sido por isso que não tive nenhum problema de desempenho: as animações e transições simples, os sensores de monitoramento mais eficientes, e o próprio sistema, agora mais leve, fez com que o chipset Exynos 9110 aliado a 2 GB de RAM sobrasse por aqui.

Entre os apps portados para a versão wearable, o do Google Maps foi a maior surpresa positiva na minha opinião. Não só a interface é limpa e intuitiva, como também o GPS integrado funcionou perfeitamente, num trajeto de duas horas do escritório do trabalho até a minha casa.

Responder pessoas diretamente pelo smartwatch foi outra coisa a qual gostei de usar. Tanto o WhatsApp quanto o Slack suportaram o recurso, inclusive com detecção de voz, mas outros aplicativos também devem permitir.

O ponto negativo vai para o Google Assistente, que, infelizmente, não funciona na nossa região.

Monitoramento de exercícios e saúde

Falei tanto da Fitbit nesta análise, mas não foi por acaso. Ela ajudou no projeto do Pixel Watch principalmente na parte de monitoramento de exercícios e saúde — embora achei que houve dedo da marca em outros departamentos.

Bom, como a Fitbit é responsável pela parte de saúde, pode esperar um desempenho excelente. O monitoramento de sono relógio foi o destaque nos meus testes, pois ele conseguiu registrar precisamente o momento que me deitei e acordei, além de todas as métricas comuns (sono leve, REM, profundo).

A detecção automática de exercícios foi outra coisa que me surpreendeu, embora não esperasse resultado diferente. Tiveram dias que fui à academia e o relógio detectou o tempo do elíptico como estava no aparelho. O mesmo se repetiu na esteira, fosse correndo ou caminhando.

O medidor de batimentos cardíacos também mostrou dados semelhantes aos da máquina, dando um grau a mais de confiabilidade. Ele também realiza medições de estresse, respiração, oxigenação no sangue, e ciclo menstrual.

Curiosamente, todos os dados ficam armazenados no aplicativo Fitbit, não no Google Fit. Achei isso meio sem sentido, mas, pelo menos, o app da Fitbit tem ótimo suporte, além de ser bastante completo e com inúmeras estatísticas sobre os resultados das medições.

Se você comprar um Pixel Watch, o Google dá seis meses de FItbit Premium, que libera mais informações e medições mais detalhadas sobre sua saúde e seus treinos. Após esse período, será preciso pagar mensal ou anualmente — mas tenha em mente que não é nada barato.

Bateria e carregamento

Os smartwatches atuais não se destacam na autonomia de bateria, e com o Pixel Watch não foi diferente. Ele tem uma célula de 294 mAh que, segundo o Google, dura até 24 horas. É claro que esse tempo varia conforme os sensores e recursos ligados.

Nos meus testes, a duração de bateria do Pixel Watch não foi animadora. Com monitoramento contínuo de frequência cardíaca, detecção automática de exercícios ativada, tela com brilho automático e sem Always On Display, o relógio foi de 100% para 15% em cerca de 20 horas, o que significa que você deve carregá-lo quase diariamente.

Com o recurso de tela sempre ativa, então, a melhor opção é sempre estar com o cabo de carregamento, pois você precisará frequentemente. A boa notícia é o cabo ser USB-C, mas a má é que a outra ponta funciona por magnetismo, assim como em outros relógios.

Tentei carregar o Pixel Watch em um pad de carregamento sem fio (Qi) e funcionou, mas, dependendo da posição do acessório, deverá tirar a pulseira — e não é uma tarefa muito fácil. Ou seja, melhor andar com o carregador na mochila.

Concorrentes diretos

Os concorrentes diretos do Pixel Watch são o Apple Watch 8 e o Galaxy Watch 5. Apesar de achar a estreia do Google no mercado de smartwatches interessante, ainda precisará polir seu software para bater seus rivais.

Tanto o relógio da Apple quanto o da Samsung têm sistemas mais polidos visualmente, assemelhando-se mais aos SOs para smartphones. Eles também são mais resistentes que o Pixel Watch, além de trazerem baterias mais duradouras.

O fato dos dois smartwatches serem vendidos oficialmente no Brasil também são vantagens, pois terão garantia oficial por aqui.

Vale a pena importar o Pixel Watch?

Considero o Pixel Watch uma boa estreia do Google no mercado de smartwatches. Ele cumpre o que foi prometido nas divulgações, com o Google entregando uma boa experiência de software, e a Fitbit oferecendo o melhor que há em monitoramento de saúde e atividades físicas.

Como primeira geração, ainda há espaço para melhorias, e destaco, principalmente, a aparência da interface, ainda muito básica para a dona do sistema operacional Wear OS. Diferentemente do celular Pixel 7 Pro, que entrega a melhor experiência do Android, o Pixel Watch não faz o mesmo no setor de smartwatches.

Se vale a pena importar o Pixel Watch ao Brasil, acredito que não. Por cerca de R$ 1.500 (valor que ele custaria considerando seus US$ 299), você consegue pegar o Galaxy Watch 4 Classic na versão 4G LTE, a mais cara, ou o Watch 5, em uma boa oferta. E ambos são mais maduros que o primeiro smartwatch do Google.