Review Fitbit Sense | Smartwatch que se destaca pela bateria

Por Diego Sousa | Editado por Léo Müller | 01 de Junho de 2022 às 17h35

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Fitbit Sense
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Depois de analisar algumas smartbands da Fitbit, chegou a hora de subir o nível e experimentar os smartwatches da marca, começando pelo Sense. Ele possui suporte a aplicativos, e a maioria dos recursos de monitoramento de exercícios e saúde, mas não sacrifica a autonomia de bateria, podendo chegar a seis dias de uso.

Mas, afinal, será que ele é tão bom quanto os Galaxy Watch e Apple Watch? O Canaltech recebeu uma unidade do Fitbit Sense para testes, e eu conto todas as minhas impressões neste review.

Antes de começarmos, adianto que essa análise foi possível graças à nossa parceira de importação USCloser, que facilita o envio de produtos da gringa para o Brasil.

Para importar produtos dos Estados Unidos que você não encontra por aqui, basta criar uma conta na USCloser. Você faz suas compras nos sites gringos normalmente, e a USCloser recebe por você lá nos EUA mesmo, em uma espécie de “caixa postal americana” criada exclusivamente para você. Depois, a USCloser encaminha os produtos para sua casa aqui no Brasil. É seguro, prático e rápido. Siga nosso tutorial para se cadastrar e comprar nos EUA economizando muito.

Prós

  • Construção e design
  • Tela AMOLED
  • Monitoramento de exercícios e saúde
  • Aplicativo Fitbit
  • Bateria

Contras

  • Maioria dos apps pouco úteis
  • Indisponibilidade no Brasil

Construção e design

O Sense é um smartwatch de 2020, mas ele não perde em nada para um modelo mais recente. Ele difere do visual “tradicional”, como o retangular do Apple Watch ou o redondo do Galaxy Watch, e aposta em um copo quadrado com cantos arredondados. O resultado é um relógio bem moderno.

A Fitbit não costuma decepcionar na construção dos seus vestíveis e, com exceção da básica Inspire 2, temos produtos bem confeccionados. O Sense não foge à regra e traz aço inoxidável como material predominante, além do vidro para proteger a tela — a tecnologia é Gorilla Glass, vale mencionar.

Ah, é claro que o Sense também é equipado com certificação IP68, garantindo proteção contra água e poeira, além de resistência a mergulhos de até 50 metros de profundidade (5ATM). Com isso, o relógio ganha suporte a monitoramento de esportes como natação.

Não há nenhum botão físico no Sense, como geralmente vemos em outros smartwatches. A solução da marca foi adicionar um pequeno botão sensível à pressão no lado esquerdo, para acessar rapidamente aplicativos mais usados ou simplesmente acender a tela.

Apesar de ser bonito visualmente por oferecer um aspecto mais minimalista, eu não gostei muito do botão porque ele pode ser ativado facilmente durante as atividades físicas. Qualquer movimento que pressione o relógio faz com ele vibre, acenda a tela e realize alguma tarefa, o que é incômodo.

A pulseira do Fitbit Sense é chamada de Infinity Band e é do mesmo acabamento da presente na fitness tracker Charge 5. É feita de silicone macio e não tem fivelas ou travas de metal. O encaixe é meio estranho no começo, mas ela é muito confortável e firme — quase não é possível notar sua presença.

O modelo que recebemos para testes veio na cor grafite, mas o smartwatch está disponível, ainda, nas opções cinza, com caixa de aço inoxidável prateado, e branco, com caixa levemente dourada, também de aço.

Tela

O Sense traz uma tela colorida de 1,58 polegada com tecnologia OLED. A qualidade é ótima para os padrões premium: tem boas cores, definição agradável e brilho intenso.

O painel do Sense tem um sensor de iluminação ambiente surpreendente. Os controles internos são até que simples, mas basta sair para a rua para o display saltar aos olhos. E em ambientes internos com pouquíssima luz, a tela mantém uma visualização confortável.

Infelizmente, a Fitbit ainda insiste em apresentar bordas bastante espessas, o que, aqui, pode ser justificável pela sua época de lançamento. Mas não dá para simplesmente ignorar que o aproveitamento frontal do Sense é bem inferior em relação a modelos mais atuais, como o próprio Apple Watch Series 7.

E não é o primeiro vestível inteligente da Fitbit que sofre com esse problema. Todos os modelos que testei da empresa tem essa característica, sendo a Inspire 2 a pior, mas a Charge 5 também tem uma caixa relativamente grande para a tela.

As funções inteligentes de levantar o pulso para acender a tela, além do Always on Display, que deixa o painel sempre ligado exibindo informações como um relógio normal, também estão presentes.

O Fitbit Sense é uma smartwatch bem moderno. Ele não perde em nada em relação aos relógios inteligentes mais atuais, como o Apple Watch Series 7 e o Galaxy Watch 4, exceto pelas bordas mais espessas.

Diego Sousa

Configurações e desempenho

Como estamos falando de um smartwatch, temos um sistema operacional dedicado. Eu imagino que, se tivesse uma nova geração do Sense, ele seria equipado com o recente Wear OS do Google, já que Fitbit foi comprada pela dona do Android em 2021, mas, por aqui, é um proprietário da própria marca, o Fitbit OS.

E é claro que, por ser inteligente, ele consegue realizar muitas tarefas sem precisar de um smartphone conectado o tempo todo — embora, claro, o celular seja extremamente importante para desbloquear todo potencial do relógio.

Ou seja, ele tem suporte a centenas de aplicativos que estão disponíveis no app Fitbit — falarei dele mais abaixo. Tem uma versão do Uber — que infelizmente deixou de funcionar em praticamente todos os relógios inteligentes —, dezenas de aplicativos fitness e entretenimento, agenda, contatos, dentre outros.

Também há suporte para apps de streaming de música, como Deezer, Pandora e Spotify. Nos dois primeiros, segundo a empresa, é possível armazenar canções e podcasts no relógio para reprodução offline, mas não consegui testar porque não tenho assinatura nestas plataformas.

Na que eu tenho, o Spotify, é possível apenas usá-lo como um controlador, isto é, escolher canções e artistas limitados à sua playlist, além de alterar a fonte da reprodução — do celular para o computador, por exemplo.

Acredito que, por ser um produto vendido na gringa, não haja muitos aplicativos ou serviços suportados no Brasil. O Google Assistente, por exemplo, tão usado quanto a Alexa por aqui, não é suportado na nossa região, apenas a assistente da Amazon — que funciona bem, aliás.

Dando uma olhada na loja de apps, por exemplo, não encontrei nada tão legal, com exceção de alguns softwares de treino direto no pulso. Um deles foi o TRX Trainning, que é bastante simples, porém mostra a execução do exercício e o planejamento de treino muito bem.

Ou seja, no período que eu testei o Sense, utilizei basicamente os apps padrões do próprio relógio, além do Spotify ocasionalmente. Há aplicações para calculadora, lanterna e exercícios.

Além dos aplicativos, o Sense consegue realizar chamadas via Bluetooth, que não são tão populares — eu mesmo não usei uma vez. Obviamente, também é possível receber notificações de diversos mensageiros, inclusive podendo respondê-las rapidamente por texto ou voz.

O Sense também suporta o Fitbit Pay, um sistema de pagamento semelhante ao Apple Pay. É possível cadastrar um cartão de crédito e débito no app usar o NFC do relógio para pagar contas em lojas físicas.

Sistema e interface

O smartwatch da Fitbit tem um sistema bastante liso. A experiência de navegação é bem diferente e mais simples em relação a de um Apple Watch e Galaxy Watch, parecendo até uma interface de smartband, só que com tela grande.

Mas no geral eu gostei da Fitbit OS. É possível acessar o menu de aplicativos facilmente apenas deslizando o dedo da direita para esquerda, enquanto de cima para baixo você encontra a central de notificações. Da esquerda para direita, há algumas configurações rápidas, como os modos dormir e não perturbe.

Os ícones são simplificados, porém bem amigáveis. As fontes também se adaptam bem à tela do Sense, ou seja, não há problema na visualização de notificações.

Vale mencionar que o Sense também suporta inúmeras watchfaces, ou mostradores. No próprio relógio há algumas opções, mas você consegue acessar dezenas de watchfaces no aplicativo Fitbit.

Acompanhamento físico

Eu já analisei quase todo o portfólio de smartbands da Fitbit e tive uma experiência excelente no acompanhamento físico. Os sensores de saúde geralmente não apresentaram falhas, e o monitoramento de exercícios foi preciso na maior parte do tempo.

Com o principal smartwatch da empresa também não foi diferente. O Sense tem um kit de sensores completo e que não me deixou na mão durante quase todo o período em que o mantive no pulso.

Para a saúde, o Sense consegue monitorar a frequência cardíaca continuamente, os níveis de oxigenação no sangue (Sp02), estresse, sono, temperatura da pele, e ainda medir o ritmo cardíaco (ECG).

Para exercícios, o Sense faz o reconhecimento automático de exercícios por meio do giroscópio, altímetro e acelerômetro de três eixos. A identificação geralmente funcionou com elíptico e corrida.

O relógio suporta 20 exercícios, incluindo natação, musculação, aeróbico e o chamado “treino”, que parece funcionar para a maioria dos esportes. Com GPS dedicado, você também consegue rastrear corrida e ciclismo em ambiente externo com muito mais precisão e estatísticas.

Todos os dados ficam armazenados no aplicativo Fitbit, um dos trunfos da empresa. Ele é bastante completo e oferece inúmeras estatísticas sobre os resultados das medições, sem contar uma plataforma cheia de treinos, níveis de dificuldade, programas guiados, dentre outros.

É possível desbloquear ainda informações e análises mais detalhadas se você for assinante premium do app. O Sense vem com seis meses de Fitbit Premium grátis, mas, depois desse período, custa R$ 51,99/mês ou R$ 414,99/ano. Não é barata, mas é quase obrigatório para aproveitar tudo o que ele oferece.

Bateria e carregamento

Um dos grandes problemas dos smartwatches mais atuais é a pouca autonomia de bateria, dificilmente chegando ao terceiro dia. O Fitbit Sense, por outro lado, promete ir bem mais além, podendo durar até seis dias longe da tomada. É realmente incrível, porém depende de muitas variações.

Nos meus testes, com o relógio monitorando o sono toda noite e os batimentos cardíacos continuamente durante o dia, consegui, sim, chegar ao sexto dia tranquilamente, finalizando com cerca de 10%. Eu ainda o usei para rastrear os exercícios uma vez a cada dia.

Uma coisa importante que eu deixei desativado foi o Always on Display, que deixa a tela sempre ativa exibindo data e hora, e o GPS. Mas mantive a função de elevar o pulso para acender o relógio quando eu quisesse ver algo no relógio.

Mas eu também realizei um segundo teste, agora com o Always on Display ativado. O consumo realmente foi bem maior — em um dia, com todas as condições acima junto à tela sempre ligada, foram consumidos 30%, o que daria uma estimativa de cerca de três dias de uso.

Provavelmente, se utilizasse o GPS integrado uma vez por dia, a autonomia do Sense cairia para dois dias ou até menos, se igualando aos smartwaches mais atuais. Ou seja, tudo depende do seu uso.

O Sense também manda muito bem no carregamento. Apenas 12 minutos na tomada garante ao relógio um dia de uso, e aproximadamente 40 minutos enche totalmente o seu tanque. E é interessante sempre recarregá-lo quando você não estiver o usando, como ao tomar banho e lavar louça.

Concorrentes diretos

O Sense não é vendido no Brasil, portanto é importante considerar seu preço na gringa convertido para a nossa moeda, e ainda os possíveis custos de importação. No site oficial da marca, ele custa US$ 299,95, ou R$ 1.441,74 na cotação atual.

Por esse preço, o concorrente direto dele aqui no Brasil é o Huawei Watch GT3. Ele não é tão limitado quanto uma fitness tracker, mas também não é um smartwatch completo por depender inteiramente de uma conexão com um smartphone.

Particularmente, acho o visual do relógio da Huawei mais agradável, assim como a tela AMOLED de maior qualidade. O sistema do Watch GT3 é um pouco mais atual, embora não seja tão completo quanto o do Fitbit Sense, assim como a bateria com maior autonomia.

O Huawei Watch GT3 é cheio de sensores e recursos de monitoramento, mas não é tão preciso quanto o Fitbit Sense. O aplicativo da Fitbit, por sua vez, é infinitamente superior ao Saúde da Huawei, seja no suporte ou na experiência de uso.

Outro concorrente do Fitbit Sense é o Galaxy Watch 4 na versão com Bluetooth. Ele pode ser encontrado por menos de R$ 1.000 no Brasil e já traz o sistema WearOS do Google, com milhares de apps e ótima integração com outros dispositivos Android.

O visual do Galaxy Watch 4 é mais comum, mas ele também se sobressai na tela e na navegação. Só a bateria dele que é um grande problema, mal chegando ao segundo dia.

Vale a pena comprar o Fitbit Sense?

Eu gostei bastante do Fitbit Sense e poderia dizer que valeria importar o Fitbit Sense. Mas a sensação que fiquei ao final dos testes foi de que o smartwatch não é tão inteligente quanto os Apple Watch e Galaxy Watch da vida.

Muitos aplicativos disponíveis na loja de apps da Fitbit são pouco úteis, e alguns excepcionais não funcionaram tão bem nos meus testes, como Spotify e Google Assistente. No final, utilizei basicamente como uma fitness tracker mais ágil.

O monitoramento de saúde e exercícios do Sense é o principal diferencial, sendo tão bom quanto o da Apple. A bateria também é muito interessante, porém vai depender de como você a gerencia.

Resumindo, eu recomendo importar o Sense apenas se você procura um companheiro de treino e saúde avançado, pois a plataforma da Fitbit se destaca na quantidade e precisão os resultados. Já como smartwatch, não acho que ele valha a pena porque há modelos vendidos por aqui que são tão bons quanto ou melhores que ele.