Review Fitbit Sense 2 | Relógio focado em saúde e exercício

Por Diego Sousa | Editado por Léo Müller | 08 de Dezembro de 2022 às 15h20

clique para compartilhar

Link copiado!

Fitbit Sense 2
ver mais

A Fitbit atualizou seu portfólio de smartbands e smartwatches para 2023, sendo o Sense 2 a aposta mais avançada. Ele mantém praticamente o que deu certo na primeira geração, inclusive nos recursos de monitoramento de saúde e exercícios, em um corpo mais compacto.

Mas, afinal, será que vale a pena fazer o upgrade se você já tiver o primeiro Sense? O Canaltech recebeu uma unidade do Sense 2 para testes, e eu conto nos próximos parágrafos o que achei do relógio inteligente.

Antes de começarmos, adianto que essa análise foi possível graças à nossa parceira de importação USCloser, que facilita o envio de produtos da gringa para o Brasil.

Para importar produtos dos Estados Unidos que você não encontra por aqui, basta criar uma conta na USCloser. Você faz suas compras nos sites gringos normalmente, e a USCloser recebe por você lá nos EUA mesmo, em uma espécie de “caixa postal americana” criada exclusivamente para você. Depois, a USCloser encaminha os produtos para sua casa aqui no Brasil. É seguro, prático e rápido. Siga nosso tutorial para se cadastrar e comprar nos EUA economizando muito.

Prós

  • Construção robusta
  • Tela AMOLED
  • Monitoramento de saúde e exercícios
  • App Fitbit
  • Bateria de longa duração

Contras

  • Sistema Fitbit OS
  • Não suporta app de terceiros

Construção e design

O Sense 2 tem design praticamente idêntico ao do Sense, ou seja, mantém os pontos positivos e negativos. A caixa de alumínio resistente a água e poeira (IP68) está presente, assim como a vedação que suporta mergulhos a uma profundidade de até 50 m (5ATM) e a tela de vidro Gorilla Glass.

A pulseira do novo Sense também é Infinity Band, feita de silicone macio e sem fivela ou trava de metal. O encaixe permanece o proprietário da Fitbit, portanto você só deve utilizar as opções de pulseiras oficiais — ao menos, há vários modelos disponíveis de acabamentos e preços diferentes.

Uma novidade bem-vinda na nova geração foi troca do botão de pressão por um físico. Achei positiva a mudança porque acabou definitivamente com os toques acidentais cada vez que eu mexia o punho.

Tela

A tela AMOLED do Sense 2 é outro destaque, mas com ressalvas. Ela mantém o tamanho de 1,58 polegada com ótima definição, cores vivas e contraste infinito. Notei que o brilho máximo ficou um pouco mais intenso que na geração anterior, o que foi ótimo em ambientes externos.

Só achei uma pena que a Fitbit insistiu no erro de incluir bordas bem espessas. Tentei justificar a decisão na primeira geração, pois se tratava de um produto relativamente antigo, mas, em pleno 2022, não consigo defender.

Todas as funções inteligentes mais atuais, no entanto, permanecem, como a tela sempre ativa (Always On Display) e a opção de acender o display apenas levantando o pulso. Todos os recursos funcionaram muito bem, tal como no Sense.

Configurações e desempenho

Achei que o Sense 2 seria o primeiro passo da mudança do Fitbit OS para o Wear OS, mas, infelizmente, não foi desta vez. Ele tem o mesmo sistema operacional dos antigos smartwatches da marca, o qual não considero ruim, porém básico e ainda muito limitado em relação aos watchOS e Wear OS.

Primeiro, não há mais loja de aplicativos no aplicativo da Fitbit, como havia na geração passada, somente a lista dos quais já estavam instalados no Sense 2. Segundo declarações oficiais, o Sense 2 “não suporta aplicativos de terceiros”. Ou seja, funciona como uma smartband.

Segundo, você não consegue fazer muita coisa de smartwatch no Sense 2. Realizar pagamentos pelo relógio até está presente, mas a configuração não funcionou por aqui — talvez, não haja suporte ao Brasil. Responder pessoas em certos mensageiros também é possível, mas apenas com textos prontos e emoji.

O Sense 2 também tem suporte à Alexa, que felizmente funcionou e permite efetuar comandos de voz facilmente.

Com relação à interface, o smartwatch tem uma aparência minimalista e bem básica, diferente do watchOS e o WearOS. Os ícones são simplificados, com animações bem simples, mais parecendo um sistema de smartband.

No geral, no entanto, gostei da Fitbit OS, embora não chegue aos pés dos sistemas rivais. Ele pode ser interessante para quem não se importa muito com visual, mas que apresenta suas opções de treino e métricas de saúde de forma fácil.

Uma coisa que não falta no Sense 2 são watchfaces, ou mostradores. Há algumas opções no próprio relógio, mas você consegue acessar dezenas de mostradores extras no aplicativo Fitbit.

Monitoramento de exercícios e saúde

O Sense 2 tem um kit completo de sensores de monitoramento, o qual acredito ser o mesmo do primeiro Sense, pois tive a mesma experiência. Para quem faz atividades físicas regulares, os modelos da Fitbit talvez seus os mais indicados.

Para a saúde, o Sense 2 consegue monitorar a frequência cardíaca continuamente, os níveis de oxigenação no sangue (Sp02), estresse, sono, temperatura da pele, e ainda medir o ritmo cardíaco (ECG).

Os dados de sono foram muito precisos durante as quase duas semanas de testes, assim como o monitoramento contínuo da frequência cardíaca — em quase todo o período, obtive resultados semelhantes aos do Pixel Watch, o que faz sentido porque se trata do mesmo suporte.

Acho muito interessante ter noção do quão bom — ou ruim — foi o seu sono, pois sempre dá vontade de melhorar no dia seguinte — é quase uma competição interna visando ter um estilo de vida saudável, começando pela qualidade de sono.

Para exercícios, o Sense 2 faz o reconhecimento automático de exercícios por meio do giroscópio, altímetro e acelerômetro de três eixos. A identificação geralmente funcionou com elíptico, corrida, bicicleta e, nesta versão, treino aeróbico.

Há suporte para muitas outras atividades, 41 ao todo, 21 a mais que no primeiro Sense. Alguns deles utilizam o GPS integrado, que teve ótimo desempenho durante uma caminhada pela zona norte de São Paulo.

Todos os dados ficam armazenados no aplicativo Fitbit, um dos trunfos da empresa. Ele é bastante completo e oferece inúmeras estatísticas sobre os resultados das medições, embora precise de uma assinatura ativa do serviço Fitbit Premium.

Além disso, o app conta com uma plataforma cheia de treinos gratuitos para fazer em casa, oferecendo, inclusive, vídeos e tutoriais de movimentos. É uma excelente pedida para quando você não quiser ir à academia e queira alguma coisa simples para fazer em casa.

Bateria e carregamento

Por ter um sistema mais básico e limitado, a autonomia de bateria é um dos pontos altos do Sense 2.

Repeti o mesmo teste realizado no Sense, com o relógio monitorando o sono toda noite, batimentos cardíacos continuamente, Always On Display desligado e atividades físicas uma vez por dia. No sexto dia, o relógio marcava cerca de 15% de carga, quase a mesma atuação do Sense.

É uma duração excelente, ainda mais considerando que os verdadeiros smartwatches mal passam do primeiro dia.

Com o Always On Display ligado, em que são exibidas informações básicas com a tela “desligada”, a autonomia de bateria do relógio caiu drasticamente, para cerca de dois dias. Ainda assim, achei muito interessante.

No carregamento, o relógio parece não ter melhorado muito em relação ao antecessor. O conector é o mesmo magnético do Sense, e carrega totalmente o tanque em 40 minutos.

Concorrentes diretos

Os modelos que mais se aproximam do Sense 2 são o Amazfit GTR 4 e o Huawei GT 3. Ambos não são smartwatches de fato, porém trazem construção robusta, visual mais próxima de relógio, suporte a alguns aplicativos e ótimo monitoramento de atividades. Além disso, ambos são encontrados na faixa dos R$ 1.500.

O Sense 2 se destaca apenas no quesito saúde e exercícios, pois traz sensores mais precisos e um aplicativo mais completo, com métricas mais detalhadas.

Vale a pena importar o Fitbit Sense 2?

Se você tiver o primeiro Sense, definitivamente não adianta realizar o upgrade. Houve bem pouca atualização, e até o monitoramento de saúde e exercícios está bem semelhante. Então, basicamente se trata de uma geração de passagem, como aconteceu entre os modelos iPhone 13 e 14.

Com relação ao produto, gostei bastante do Sense 2, mas fica muito difícil de recomendá-lo por ter preço de smartwatch e experiência de smartband. A falta de suporte a apps de terceiros é bem decepcionante, assim como a tela AMOLED com bordas bem espessas.

Pelo preço do Sense 2, que caiu para US$ 199 (R$ ~1.100) com a chegada do Pixel Watch, você consegue um dos concorrentes em oferta, ou pode pular para o Galaxy Watch 4, um smartwatch de verdade.

Caso você seja fã da Fitbit e queira um excelente companheiro para prática de exercícios físicos, ainda recomendo a versão anterior do Sense, ou pode optar pelo ainda ótimo, e mais barato, Versa 3.