Review Blu B9 | Celular barato e com fones sem fio

Por Ramalho Lima (Maldditu Xavier) | Editado por Léo Müller | 02 de Dezembro de 2022 às 11h05

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Blu B9
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A BLU é uma fabricante de celulares com sede na Flórida, nos EUA, que ficou conhecida por oferecer aparelhos com foco no custo-benefício. A companhia já operava no Brasil anteriormente, mas se retirou do mercado nacional, retornando em 2022 com três modelos, sendo o Blu B9 o mais avançado dentre eles.

Enquanto alguns fabricantes enviam fones de ouvido com fio, e de qualidade duvidável, a Blu resolveu incluir fones TWS na caixa de seus aparelhos. Essa decisão pode funcionar como “porta de entrada” para vários usuários básicos no mercado de dispositivos de áudio totalmente sem fio. Nada mal, não é mesmo?

Contudo, temos que avaliar as características do Blu B9 para decidirmos se realmente vale a pena investir o valor cobrado pela marca. Confira minha análise e saiba tudo sobre este smartphone baratinho e super completo.

Prós

  • Desempenho satisfatório
  • Leitor de impressões digitais
  • Entrada para fones de ouvido
  • Vem com todos os acessórios
  • Carregamento via micro USB
  • Preço

Contras

  • Carregamento muito lento
  • Chipset com litografia muito antiga

Design e Construção

O Blu B9 é um celular com chassi feito totalmente em plástico, e não conta com nenhum tipo de proteção, seja contra riscos, ou contra água e poeira. Sua traseira é texturizada com frestas onduladas, que ajuda na aderência do aparelho à mão do usuário, e deixa o celular com um visual diferenciado.

  • Dimensões: 164,4 x 75,9 x 9,6 mm;
  • Peso: 198 gramas.

No geral, o celular tem o típico visual de aparelho de entrada, com a tela contendo o entalhe em gota para abrigar a câmera frontal, e bordas aparentes, principalmente no queixo do dispositivo. Na parte superior da traseira, à esquerda, temos o módulo de câmeras com três sensores e o flash LED. Logo ao lado, mais ao centro, fica o leitor de impressões digitais. O alto-falante fica na direção do módulo de câmeras, mas na parte inferior, próximo à inscrição “B9”.

Eu testei a versão azul marinho do Blu B9 e posso dizer que, apesar de simples, o visual do aparelho é bem legal. As bordas são arredondadas e deixam o celular um pouco escorregadio, mas isso é um “defeito” de quase todo smartphone.

Tela

A Blu não informa o tipo de painel usado na tela do B9, mas o display do celular tem qualidade aceitável para o consumo de todo tipo de conteúdo.

  • Tamanho: 6,5 polegadas;
  • Tecnologia do painel: não informada;
  • Resolução e proporção: HD+ (720 x 1600 pixels);
  • Densidade aproximada: 267 pixels por polegada;
  • Taxa de atualização: 60 Hz.

As cores são vibrantes, e o nível de brilho é bom, desde que o smartphone seja visualizado de frente. A resolução também dá conta para um celular desta categoria. Virando o aparelho de lado, percebemos perda de brilho e de definição nas cores, mas nada tão alarmante.

Eu só não entendi por que a marca informa sobre o recurso de “visão ilimitada”, pois as bordas da tela do celular têm uma curvatura praticamente nula.

Configuração e Desempenho

O Blu B9 usa um chipset que dá conta de manter o desempenho do aparelho de acordo com o esperado para o segmento de entrada. A interface da Blu parece ser otimizada, facilitando o trabalho do processador e da placa de vídeo.

  • Sistema operacional: Android 11;
  • Plataforma: UNISOC SC9863A (28 nm);
  • Processador: octa-core (8x 1.6 GHz Cortex-A55);
  • GPU: IMG PowerVR GE8322;
  • RAM e armazenamento: 4/128 GB.

O ponto negativo é a litografia do chipset, que ainda é em 28 nanômetros, ou seja, muito antiga. Em outras palavras, isso significa que o chip é pouco eficiente, gastando mais energia para realizar determinadas tarefas do que o necessário. Isso, claro, em relação aos chips mais modernos.

Os 4 GB de memória RAM são suficientes para que o celular funcione sem lentidão, ou fique fechando os apps em segundo plano a todo o momento. Já o armazenamento interno de 128 GB serve muito bem aos usuários básicos.

A plataforma da UNISOC utilizada não permite rodar os benchmarks que rodamos por padrão no Canaltech, como o Wild Life Unlimited e o Wild Life Extreme Unlimited. No entanto, conseguimos executar o teste usando o Geekbench 5, com o smartphone alcançando 145 pontos em single-core e 707 pontos em multi-core.

Sobre jogos, eu consegui rodar Subway Surfers sem problemas no B9, mas tive alguns engasgos com o Asphalt 9, mesmo na qualidade padrão. A fluidez em apps de redes sociais foi satisfatória, sendo prejudicada apenas pela taxa de atualização da tela, que é de 60 Hz.

O Blu B9 não conta com NFC. Por isso, ele não é uma opção a ser considerada para quem pretende realizar pagamentos por aproximação.

Usabilidade

A interface do sistema – não informada – é simples e oferece poucas possibilidades de personalização, mas ela é limpa e leve. Isso acaba sendo um ponto positivo para um aparelho do nível do B9.

O celular sai de fábrica com o sistema operacional Android 11, e, durante meus testes, não havia uma atualização disponível. Eu também não encontrei nenhuma informação sobre possíveis updates que os aparelhos da Blu devem receber.

Câmeras

As câmeras do Blu B9 são decentes para um aparelho de entrada. Elas não impressionam, mas também não decepcionam, considerando o valor cobrado pelo aparelho.

  • Principal: 13 MP (+ sensor de profundidade + sensor macro);
  • Selfies: 8 MP;
  • Vídeos: 1080p a 30 fps (máximo).

Quem quiser aproveitar este celular para fazer fotos para redes sociais, terá que procurar locais bem iluminados e dar um jeito de não tremer a mão no momento da captura. O sensor macro é inútil, pois deixa as fotos muito granuladas. Com o sensor principal, eu consegui tirar fotos melhores de perto.

O celular conta com o recurso “modo noturno”, mas ele é bem limitado, e, muitas vezes, é melhor nem o utilizar. Como esperado, a estabilização e o zoom são apenas digitais. O zoom, aliás, tem aproximação de 4x.

A câmera frontal também apresenta desempenho esperado, e não surpreende, nem negativamente, nem positivamente.

Vejas as amostras de capturas de vídeos com as câmeras do Blu B9:

Foto em close com a câmera principal.

Maldditu Xavier/Canaltech

Sistema de som

O Blu B9 tem áudio mono, com o único alto-falante ficando localizado na traseira do celular, igual como em aparelhos mais antigos.

Som mono: alto-falante único.

O que me chamou a atenção é que o celular tem o áudio bem alto e qualidade acima da média, mesmo tendo apenas um falante. Eu também testei os fones de ouvido Bluetooth que acompanham o aparelho: eles têm bom volume e qualidade aceitável, mas os graves poderiam ser mais fortes. Lembrando que são fones sem ponteiras de silicone.

O controle de volume do celular é um pouco inconsistente: ele fica baixo em um certo nível e fica alto demais no nível seguinte. E isso acontece com outros fones de ouvido também.

Bateria e Carregamento

O celular da Blu tem bateria com capacidade compatível com outros concorrentes, mas o desempenho não impressiona, devido ao chipset com litografia antiga.

Capacidade: 5.000 mAh;

Carregamento: não informado.

Em nosso teste padrão, rodando vídeos pelo app da Netflix por três horas consecutivas, com o brilho no automático e o volume em 50%, o aparelho consumiu 15% da carga. Isso dá uma autonomia de cerca de 20 horas executando vídeos via streaming.

Já no teste de uso real, rodando apps de redes sociais, streaming, mensageiros instantâneos e jogos, por um período de aproximadamente seis horas, o aparelho consumiu 34% da carga. A Blu diz que o B9 tem autonomia de até três dias, mas meus testes indicam que, em uso normal, com o celular conectado na internet, ele não deve passar de um dia longe da tomada.

A marca não informa a potência de carregamento, mas eu percebi que é muito, mas muito lento mesmo. E não adianta usar um carregador mais potente, pois não vai adiantar. Isso se deve ao antiquado plugue micro USB, que não é compatível com carregamento rápido.

Concorrentes diretos

Com base no desempenho e recursos do Blu B9, posso sugerir o Galaxy A03 como um bom concorrente, e com preço mais em conta. Neste caso, o usuário para por um pacote mais básico, já que o A03 não acompanha fones de ouvido, capa e película.

Ambos os aparelhos possuem desempenho semelhante, seja para rodar apps ou jogos, e também durante a captura de fotos e vídeos. O aparelho da Samsung está custando menos e pode ser uma boa opção para quem já tem fones de ouvido.

Vale a pena comprar o Blu B9?

O Blue B9 é um bom celular de entrada, e deve servir muito bem aos usuários básicos. O aparelho tem desempenho aceitável, e tela com qualidade e brilhos decentes. O smartphone acompanha carregador, capa e película, e ainda vem com um par de fones de ouvido sem fio.

Mas é importante destacar que a conexão micro USB para carregamento é muito antiga e tem um impacto real no tempo de carregamento da bateria.

Se você quer comprar um celular baratinho e aproveitar para começar a usar fones TWS, o Blu B9 pode ser uma boa pedida por oferecer tudo na mesma caixa. Vale lembrar que os fones são em plástico, e não têm ponteiras de silicone.

Se você já tem seus fones, e quer apenas um aparelho com desempenho semelhante ao do B9, mas custando um pouco menos, o Galaxy A03, da Samsung, surge como ótima opção.