Review iPad Pro M2 | Muita potência, mas pouca evolução

Por Felipe Junqueira | Editado por Léo Müller | 06 de Dezembro de 2022 às 11h04

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iPad Pro 12,9 (2022) Wi-Fi
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O iPad Pro M2 é a nova geração do tablet de 12,9 polegadas, com o novo chip da Apple. E, basicamente, isso é tudo o que mudou do modelo de 2021 para o de 2022.

Será que isso é o suficiente para justificar um upgrade? Ou será que o novo chip fica devendo? Eu testei o tablet, no modelo com 128 GB de armazenamento. Veja abaixo o que eu achei e descubra o motivo de o produto ter muita potência, mas pouca evolução.

Prós

  • Desempenho inigualável
  • Bateria com boa duração
  • Interface bem construída para a tela grande

Contras

  • Muito grande e pesado

Design e Construção

  • Dimensões: 280,6 x 214,9 x 6,4 mm
  • Peso: 682 gramas

O visual do iPad Pro 2022 é o mesmo da geração anterior. Colocados lado a lado, você não consegue distinguir qual é qual. Inclusive, o peso e as dimensões são idênticos, e o material também: vidro na frente e alumínio nas laterais e na traseira.

Na traseira, você encontra três pequenos círculos na parte inferior, que são para conectar alguns acessórios. O iPad Pro com chip M2 tem conector USB-C, quatro saídas de som espalhadas pelas partes superior e inferior, e botões de volume no lado direito, com o de energia em cima.

Não há qualquer proteção contra água ou poeira anunciada pela Apple, então é recomendável tentar manter o tablet longe de líquidos.

Único grande problema do iPad Pro M2 de 12,9 polegadas é seu tamanho. Não é confortável usá-lo como tablet: é melhor ter acessórios para transformá-lo em uma espécie de notebook.

Felipe Junqueira

Tela

  • Tamanho: 12,9 polegadas, 515,3 cm² de área, ~85,4% de ocupação;
  • Tecnologia do painel: mini-LED LCD;
  • Resolução e proporção: Full HD+ (2048 x 2732 pixels), 4:3;
  • Densidade aproximada: 265 pixels por polegada;
  • Extras: 120 Hz, HDR10.

O maior diferencial da tela do iPad Pro é o painel com retroiluminação em mini-LED. Isso permite um contraste mais marcante, sem prejudicar a precisão das cores. Graças aos pontos menores, que se iluminam isoladamente. Isso, claro, no iPad Pro de 12,9 polegadas, já que o de 11 polegadas tem painel IPS LCD.

Mas esta característica já estava presente no iPad Pro do ano passado. A tela dos dois modelos é idêntica, com as mesmas tecnologias, incluindo a taxa de atualização de 120 Hz.

A resolução garante uma densidade de pixels maior que a do MacBook, mas bem menor que a do iPhone. Ou seja, é uma imagem boa, mas não tão definida quanto a do celular da Maçã. E a diferença para o notebook é pequena, são 227 pixels por polegada contra 265 p.p.p. no tablet.

Configuração e Desempenho

  • Sistema operacional: iPadOS 16.1;
  • Plataforma: Apple M2 Octa-core;
  • Processador: Octa-core;
  • GPU: Apple GPU deca-core.

A principal mudança do iPad Pro 2022 é o chip, já que ele traz a segunda geração do potente processador proprietário da Apple. É o M2, também utilizado em alguns notebooks e computadores da marca. Segundo a empresa, o ganho de potência fica em torno de 15%.

Mas o Apple M1 já é bastante poderoso, e esse ganho só vai ser sentido, talvez, por alguns poucos usuários. Quem edita vídeos em 4K, trabalha com imagens em 3D ou desenha em várias camadas talvez repare que o tempo de renderização diminuiu em alguns segundos.

Sinceramente, não é um upgrade tão impressionante, já que o iPad Pro 2021 já tem muita potência. Mas é um salto bacana para quem tem um iPad Pro mais antigo, e aí, sim, deve sentir uma boa diferença.

Usabilidade

O sistema operacional do iPad Pro M2 é o iPadOS 16.1, que tem poucas novidades em comparação à versão imediatamente anterior. A interface é boa, e traz alguns truques importantes para tornar o tablet mais que um mero celular grandão.

Mas em usabilidade, as novidades são outras. Em conectividade, temos a adição do novo Wi-Fi 6e, que tem maior velocidade de internet, e o Bluetooth 5.3, que é mais estável. Mas para aproveitar estas novas versões, você precisa de um roteador ou um fone de ouvido compatível.

Outra mudança é o novo Apple Pencil sobre a tela, que detecta sinais magnéticos emitidos pela ponta a até 12 mm de distância do display. Isso confere maior precisão no uso do acessório, que é vendido separadamente.

Câmera principal do iPad Pro

Felipe Junqueira/Canaltech

Câmeras

  • Principal: 12 MP, abertura f/1.8, auto foco;
  • Ultrawide: 10 MP, abertura f/2.4, 125˚;
  • Frontal: 12 MP, abertura f/2.4;
  • Vídeos: até 4K a 60 fps.

O iPad Pro M2 tem duas câmeras traseiras, sendo uma principal de 12 MP e uma ultrawide de 10 MP. Mas, convenhamos, tablet não é o melhor dispositivo para tirar fotos. Talvez para digitalizar alguns documentos, e aí não precisa de uma câmera tão poderosa.

O importante é que, se você precisar das câmeras, vai conseguir uma boa qualidade. Não chega a competir diretamente com um iPhone, mas dá para o gasto — e sobra.

Você também pode gravar vídeos em ProRes na resolução 4K com até 30 fps, mas só em modelos com mais armazenamento — o modelo de 128 GB não habilita este recurso. Não que seja algo realmente necessário gravar com o ProRes no iPad.

Falando em vídeos, o que importa é a captação para videochamadas. E aí o tablet da Apple brilha em comparação com os concorrentes, com qualidade bastante próxima à de um MacBook, senão até melhor.

Vídeos gravados com o iPad Pro M2 de 12,9 polegadas

Sistema de Som

O iPad Pro M2 tem duas saídas de som em cima e duas embaixo. Ou duas no lado direito e duas no lado esquerdo, dependendo de como você segura o aparelho. É um ótimo sistema de som, com boa entrega de agudos, graves e médios.

A potência também é excelente, e mesmo no volume médio já dá para escutar bem as principais frequências do áudio. As vozes em filmes e séries ficam bem nítidas.

Bateria e Carregamento

  • Capacidade de carga: 10.758 mAh;
  • Recarga: até 18 W com fio.

Para aguentar a tela gigante e o processador de alta frequência, o iPad Pro M2 conta com uma bateria de quase 11.000 mAh. A Apple prevê duração de até 10 horas da carga para navegar na internet ou assistir vídeos via Wi-Fi.

Os testes realizados aqui pelo Canaltech mostram que dá para esperar até mais. Na reprodução de vídeos online, pela Netflix, o tablet ficou com estimativa de até 20 horas de duração, com o brilho em 50%.

Já no uso de apps comuns do dia a dia, mais alguns jogos e reprodução de vídeo, a previsão ficou em 16,7 horas de uso. Desta vez, com o brilho um pouco abaixo de 50%, mas com o True Tone ligado.

Seja como for, expectativa de duração maior do que o estimado pela própria Apple.

O iPad Pro M2 vem com carregador de 20 W na caixa. Com quase 11.000 mAh para preencher, não espere que a bateria recarregue em pouco tempo. Ele carregou de 65% até 80% em meia hora, e até 97% em uma hora.

Lembrando que tablets e celulares geralmente carregam em velocidades diferentes até os 50%, e geralmente mais devagar da metade até os 100%.

Concorrentes Diretos

O principal concorrente do iPad Pro de 12,9 polegadas é o Galaxy Tab S8 Ultra, que tem como principal vantagem já trazer a S Pen no conjunto inicial. Além disso, é um produto bem mais em conta, já que pode ser encontrado por menos de R$ 7.500 nas configurações mais básicas.

Porém, um tablet Android ainda não consegue entregar fluidez e diferenciais para a tela grande como os modelos da Apple. Neste caso, eu acredito que o preço maior pode compensar.

Ou você pode arriscar um modelo menor, ou até outro tablet da própria Apple. O iPad de 10ª Geração não é tão potente, mas é competente e custa menos de R$ 4.300, ou seja, menos de metade de um Pro de 12,9 polegadas.

Gaveta de aplicativos ajuda a organizar o tablet como um macOS

Ivo Meneghel Jr/ Canaltech

iPad Pro M2: vale a pena?

Quando falamos de tablet, o modelo mais potente e completo do mundo é o iPad Pro de 12,9 polegadas. O modelo de 2022, com o chip Apple M2, traz pouca evolução em relação ao seu antecessor. Portanto, não o vejo como um bom upgrade.

Se a sua ideia é ter uma espécie de computador portátil, leve, o iPad Pro M2 talvez não seja a melhor opção. Verdade que ele é mais fino e leve que o MacBook, mas custa praticamente a mesma coisa e não tem teclado — você precisa comprar um à parte.

Ou seja, a depender do seu uso, o notebook pode ser uma opção melhor. E é tão potente quanto, já que também existe o modelo com o chip Apple M2. Ou então partir para um tablet mais em conta da própria Apple. Os outros modelos são mais portáteis, no sentido real da palavra.