Review iPad 9ª Geração | Tablet acessível da Apple está ainda melhor

Por Felipe Junqueira | Editado por Léo Müller | 28 de Junho de 2022 às 09h24
Ivo Meneghel Jr/ Canaltech

iPad 9ª Geração, também conhecido como iPad 2021, é a mais nova versão do tablet mais acessível da Apple. E pode ser uma opção mais interessante ao entregar câmera frontal melhorada e mais espaço de armazenamento que o antecessor.

Não é à toa que este é o modelo mais vendido da categoria em todo o mundo. Mesmo com as poucas mudanças e mantendo design e até o tempo de uso, o conjunto geral é excelente. E, por ser a opção mais acessível da Apple, acaba se tornando um dos melhores tablets quando a gente pensa em custo-benefício.

Entenda o porquê disso nesta análise completa do iPad 2021. Eu explico todos os testes que realizei e faço algumas comparações com o antecessor, além de citar os principais concorrentes.

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Prós

  • Desempenho satisfatório
  • Bateria com excelente duração
  • Entrada para fone de ouvido

Contras

  • Conector Lightning
  • Recarga demorada

Design e Construção

  • Dimensões: 250,6 x 174,1 x 7,5 mm;
  • Peso: 487 gramas.

O iPad 2021 não tem grande mudança em design comparado a seu antecessor. Eles têm as mesmas dimensões, mas o modelo novo está 3 gramas mais leve. E é só, já que até visualmente eles são idênticos. Tirando a borda em redor da tela, que agora é preta.

Apesar de a tela ocupar boa parte da porção frontal, o iPad tem o Touch ID na borda inferior e uma câmera frontal na superior. Os botões de volume ficam na lateral direita, enquanto o de energia está no topo, todos bem próximos da quina. Na parte superior, ainda há uma entrada para fone de ouvido.

Na lateral esquerda, há apenas um conector magnético para acessórios, chamado de Smart Connector. A parte de baixo contém, além de um conector Lightning, duas saídas de som.

Após nove geração, Apple mantém o conector Lightning em seu iPad (Imagem: Ivo Meneghel Jr/Canaltech)

O modelo Wi-Fi não possui gaveta de chip, que está na lateral esquerda do modelo Wi-Fi + Cellular. Outra mudança é uma espécie de placa plástica que pego uma parte do topo e da traseira, e também só está presente no modelo LTE. Isso é necessário para a comunicação com a rede móvel.

Eu testei o iPad 2021 Wi-Fi, sem gaveta de chip ou a pequena placa plástica no topo.

Interessante notar que esta geração chegou apenas nas cores prata e cinza espacial. O dourado ficou de fora nesta nona geração.

Tela

  • Tamanho: 10,2 polegadas, 322,2 cm² de área, ~73,8% de ocupação;
  • Tecnologia do painel: IPS LCD;
  • Resolução e proporção: Full HD+ (1620 x 2160 pixels), 4:3;
  • Densidade aproximada: 265 pixels por polegada;
  • Extras: nenhum.

A Apple não mudou praticamente nada na tela do iPad de 9ª geração. É o mesmo display IPS LCD de 10,2 polegadas e resolução de 1620 x 2160 pixels do antecessor. Só há uma novidade: a tecnologia True Tone.

Isso significa que o tablet possui sensores para medir a iluminação ambiente e, com isso, ajustar melhor o brilho e o balanço de branco. Isso garante a melhor visualização independente do ambiente em que você usa o aparelho.

Tela mantém bordas e painel IPS LCD, mas traz sensores True Tone para melhorar a exibição (Imagem: Ivo Meneghel Jr/Canaltech)

E não só no brilho, mas também as cores mudam. Dependendo do tipo de iluminação do ambiente, pode ser necessário ajustar a tela para não ter interferência de luz fria ou quente na exibição da tela. O True Tone faz isso, se estiver ativado. Você pode ligar ou desligar o recurso nas opções de brilho e tela.

Bom notar que o iPad 2021 usa tela na proporção 4:3, que é aquele mesmo formato quase quadrado que televisões usavam até os anos 1990. Para um tablet com proporção 16:9 e menos bordas, a Apple oferece modelos mais avançados e com preço mais elevado.

Configuração e Desempenho

  • Sistema operacional: iPadOS 15;
  • Plataforma: Apple A13 Bionic (7 nm);
  • Processador: Hexa-core (2x 2,65 GHz Lightning + 4x 1,8 GHz Thunder);
  • GPU: Apple GPU quad-core;
  • RAM e armazenamento: 3/64 GB, 3/256 GB.

O processador do iPad de 9ª Geração é o mesmo do iPhone 11. Em resumo, não é o melhor que a Apple pode oferecer no momento de lançamento do dispositivo, mas ainda é uma plataforma potente, que dá conta do recado.

Você consegue rodar qualquer processo ou jogo disponível para o iPadOS sem nenhum problema. Eu joguei bastante e usei alguns aplicativos mais pesados e não enfrentei nem mesmo um engasgo durante os testes.

iPadOS é um dos trunfos do iPad 9ª Geração (Imagem: Ivo Meneghel Jr/Canaltech)

O A13 Bionic presente no iPad 2021 é cerca de 20% mais potente que o A12 Bionic do modelos antecessor. Ou seja, se por um lado não compensa fazer o upgrade só por causa disso, é uma boa partir para a versão mais recente se você estiver pensando em comprar seu primeiro iPad.

Na parte gráfica, o iPad fica um pouco atrás do Galaxy Tab S8, que tem o Snapdragon 8 Gen 1, processador mais poderoso do mundo Android atualmente. Ao menos segundo o 3D Mark, que deu cerca de 1.000 pontos a mais no Wild Life Unlimited para o tablet da Samsung.

A coisa se inverte nos testes do Geekbench 5, com pontuação maior no iPad tanto em processamento quanto no teste de GPU. Ou seja, dá para ver que o A13 Bionic consegue entregar no iPad 2021 um desempenho semelhante ao Snapdragon 8 Gen 1 no Galaxy Tab S8.

Resultados de benchmark no 3D Mark e Geekbench (Imagem: Felipe Junqueira/Canaltech)

Além disso, há a questão do armazenamento interno. O iPad de 9ª Geração tem o mínimo de 64 GB, o dobro da opção mais básica da 8ª Geração. E, atualmente, é o mínimo para instalar apps e guardar fotos e outros arquivos com algum conforto em dispositivos móveis atualmente.

Um porém: apesar de rodar bem os processos mais comuns, eu não achei o desempenho para usar o Controle Universal tão fluido. O cursor do mouse me pareceu se movimentar em stop motion, por assim dizer. No iPad Air foi mais suave.

Dependendo do que você pretende fazer com o mouse e teclado de um Mac, talvez o iPad 2021 não seja a opção mais interessante. Dá para relevar em tarefas mais simples, mas um uso mais prolongado pode ser irritante ter o mouse “pulando” de um para outro da tela, em vez de deslizar mais naturalmente.

Usabilidade

Os tablets da Apple possuem um sistema operacional próprio, chamado de iPadOS. É visualmente idêntico ao iOS e possui suporte aos mesmos aplicativos, mas traz alguns recursos diferentes, justamente para dar mais sentido à tela grande.

Nem preciso dizer que a Apple se compromete a manter o sistema atualizado: sai uma nova versão, o iPad 2021 já possui suporte. Isso vale para dispositivos de até cinco anos, pelo menos.

Sobre recursos extras, você tem suporte a teclados externos simplificado e melhorias para produtividade. Entre eles, há o Split View, que divide a tela entre o aplicativo e a tela inicial ou a biblioteca de apps.

Botões ficam todos próximos da câmera no iPad 9ª Geração (Imagem: Ivo Meneghel Jr/Canaltech)

Além de teclados externos, incluindo capa teclado, o iPad de 9ª Geração oferece suporte ao Apple Pencil de 1ª Geração. Com ela, você tem maior precisão ao desenhar, escrever ou mesmo selecionar itens na tela do tablet. Este modelo não suporta o Pencil de 2ª Geração.

Dá até para usar o iPad de 9ª Geração como uma segunda ou terceira tela no seu mac. O tablet traz compatibilidade tanto com o Controle Universal quanto com o Sidecar.

Câmeras

  • Principal: 8 MP, abertura f/1.4, auto foco;
  • Frontal: 12 MP, abertura f/2.4;
  • Vídeos: 1080p a 30 fps (máx., principal); 1080p a 60 fps (máx., frontal).

Câmera não é um recurso tão importante em tablets quanto é em celulares, até por conta do tamanho do dispositivo. Não é fácil tirar fotos com um aparelho tão grande e pesado.

No iPad 2021, as câmeras traseira e frontal foram pensadas para tirar fotos documentais e fazer transmissões em vídeo, especialmente pelo FaceTime. Também tem um app de lupa no tablet, mas eu achei a qualidade bem ruim para a proposta: o zoom digital da câmera torna a imagem quase indistinguível.

A traseira é a mesma da geração anterior do iPad, e possui qualidade para digitalizar documentos e tirar uma ou outra foto ocasional, mesmo. Não chega a ser uma qualidade ruim, mas não é fácil tirar fotos com um tablet na mão.

Textura, cores e alcance dinâmico estão dentro do aceitável no iPad 2021 (Imagem: Felipe Junqueira/Canaltech)

O grande salto na geração 2021 do iPad é a câmera frontal, que passou de 1,2 MP para 12 MP. É um aumento de dez vezes na resolução, mas não necessariamente este montante em qualidade de imagem. Claro que as fotos estão melhores, bem menos granuladas e com mais definição.

Além disso, o sensor agora é ultrawide, e não um grande-angular mais comum. Com isso, a Apple conseguiu implementar uma novidade no FaceTime para rastrear o seu rosto, chamado Center Stage. Ao transmitir vídeo com o quadro reduzido, o iPad “segue” o seu rosto conforme você se mexe.

Isso é bem legal para reuniões, porque dá para se arrumar na cadeira sem sair do quadro. Também é possível fazer apresentações e até incluir mais gente na transmissão, deixando que o tablet ajuste o enquadramento para mostrar todo mundo.

Ah sim, a resolução de vídeos com a frontal passou de 720p para 1080p, com até 60 quadros por segundo. Também é possível ativar o HDR, e aí fica limitado a 30 quadros por segundo.

Sistema de Som

O iPad 2021 tem alto-falante duplo na parte inferior, separados pelo conector Lightning. Quando você usa o tablet em pé, pode aproveitar bem o recurso, já que o som sai do lado esquerdo e do direito também. Mas isso não acontece justamente na orientação mais usada em vídeos.

Ao girar o tablet de lado, os dois alto-falantes ficam no lado esquerdo (ou direito, se você girar no sentido anti-horário). Aí o som estéreo não faz muito sentido, pois o que seria a saída esquerda fica em cima, enquanto a direita fica embaixo (ou vice-versa).

Pelo menos o iPad de 9ª Geração ainda tem o conector de 3,5 mm (ou P2), no qual você pode ligar um fone de ouvido ou caixa de som com cabo. Se a gente pensar que este é o modelo mais de baixo custo entre os tablets da Apple, faz sentido pensar que talvez você não tenha ainda um fone Bluetooth.

Ainda assim, é possível usar dispositivos de áudio externos com conexão sem fio no tablet, que tem ainda a versão 4.2 do Bluetooth.

Bateria e Carregamento

  • Capacidade de carga: 8.557 mAh;
  • Recarga: até W com fio.

A Apple promete até 10 horas de navegação na internet ou reprodução de vídeos no iPad 2021. E, segundo os meus testes, o dispositivo cumpre esse tempo, e pode até ultrapassar em alguns casos.

Eu deixei o tablet reproduzindo vídeos na Netflix por três horas com a tela em 50% do brilho e a carga caiu apenas 20%. Isso dá uma estimativa de 15 horas, que é 50% mais do que a Apple promete.

Depois disso, eu passei cerca de 3 horas jogando e quase uma hora de navegação na internet e apps de estudo. Ainda usei mais 2 horas no dia seguinte, também em jogos e navegação na internet, e o iPad ficou com 14% de carga. Sem recarregar nenhuma vez.

Tablet da Apple supera o tempo de uso estimado pela própria fabricante (Imagem: Ivo Meneghel Jr/Canaltech)

O meu colega Fabio Jordan fez um teste semelhante na Netflix, porém ele usou 30% do brilho. E conseguiu uma estimativa de 30 horas de uso nesta condição. Só para você ter uma ideia de como baixar o brilho pode influenciar no consumo deste iPad.

O mais impressionante é que o dispositivo segura muito bem a bateria em stand by. Geralmente, mesmo após horas sem uso, ele continua com a mesma porcentagem que estava quando eu o deixei de lado. No máximo, cai 1 ponto percentual.

O problema principal é o carregamento. Mesmo com cabo e carregador que vêm na caixa (sim, o iPad acompanha carregador), o dispositivo demora bastante para recarregar. Em cerca de uma hora, o preenchimento é de menos de 50% do total da capacidade: foi de 14% para pouco mais de 50% neste tempo.

Ao menos não é tão ruim ficar com um tablet na tomada como é com um celular. E como o dispositivo foi pensado para ser usado em casa, não é um grande problema encontrar uma fonte de energia quando necessário.

Concorrentes diretos

O iPad 9ª Geração concorre com seu antecessor, o iPad 2020, e também com alguns modelos Android, sendo o Galaxy Tab S7 FE o principal deles. Também posso citar o Xiaomi Pad 5, vendido oficialmente por aqui e com hardware superior ao modelo da Samsung.

No caso do antecessor, o iPad 2021 tem como maiores vantagens o armazenamento interno que parte de 64 GB, contra 32 GB no de 2020. Além disso, o processador é ainda mais potente e a câmera frontal tem mais resolução. Só por aí eu já acho o modelo mais novo mais interessante.

Pensando no Galaxy Tab S7 FE, o fator que mais vai pesar é a otimização do sistema. O iPadOS consegue fazer mais com menos, e o A13 Bionic é superior ao Snapdragon 750G do concorrente. De resto, ambos possuem bons acessórios para ajudar na produtividade.

Por fim, o Xiaomi Pad 5 pode surgir como alternativa interessante por ser mais barato que o iPad (para quem importar da China). E é mais potente que o Galaxy Tab S7 Fe. Por cerca de R$ 2.500, você tem um tablet Android com o Snapdragon 860 e boa qualidade geral.

iPad 9ª Geração (2021): vale a pena?

O iPad de 9ª Geração pode ser uma boa opção para quem busca um tablet com valor um pouco mais acessível. A alternativa principal a ele seriam o modelo da geração anterior, que tem menos potência, menos armazenamento interno e câmera inferior. Ou um Android, que não é tão otimizado.

Pessoalmente, eu acho que o iPad 2021 vale a pena até mesmo para quem não tem ecossistema Apple. Você perde um pouco em conectividade entre dispositivos, mas acho uma opção melhor que os modelos Android, que precisam de muito mais potência — e geralmente não a têm.

E o iPadOS ainda tem um monte de recurso bacana, além de entregar excelente tempo de uso, que pode superar as 10 horas estimadas pela própria Apple. Mas é verdade que os acessórios de produtos da Maçã têm um custo alto, também, e é algo para se colocar na balança.

A alternativa a pagar os R$ 3.800 cobrados pela Apple no iPad 2021 é comprar lá fora e trazer para cá. Veja como importar o iPad 9ª Geração dos EUA para o Brasil usando a USCloser.