Entenda por que Nubank e outras empresas abandonaram a Bolsa de Valores de SP

Entenda por que Nubank e outras empresas abandonaram a Bolsa de Valores de SP

Por Giovana Pignati | Editado por Claudio Yuge | 16 de Setembro de 2022 às 15h20
Pexels/Yan Krukov

O Nubank anunciou nesta sexta-feira (16) que pedirá à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a conversão de seus papéis hoje registrados no Brasil (BDRs nível 3) em recibos de ações comuns (ou BDRs de nível 1). Na prática, a fintech seguirá negociando as cotas pela B3.

Há uma semana, foi a vez da IBG Eletrônica, dona da Gradiente, de anunciar o cancelamento do registro de companhia aberta. Somente neste ano, 15 empresas saíram da Bolsa de Valores de São Paulo — número que já supera o total do ano passado, em que oito companhias fecharam capital.

Além do Nubank e da Gradiente, uma das mais recentes a se retirar foi a Getnet, responsável pelas maquininhas de cartão e braço de meios de pagamento do banco Santander. A saída da bolsa foi anunciada em maio, apenas sete meses depois de sua estreia. A Gradiente e a Getnet estão fazendo uma Oferta Pública de Ações (OPA), visando comprar os papéis de volta.

Entenda o porquê de as empresas saírem da Bolsa de Valores de São Paulo e como os investidores ficam nessa situação, a seguir.

Por que empresas saem da Bolsa de Valores de São Paulo?

A OPA é o processo em que uma empresa compra as suas ações de pequenos investidores e fecha seu capital (Imagem: Pexels/Tima Miroshnichenko)

Para Leonardo Resende, Superintendente de Relacionamento com Empresas da B3, em uma entrevista ao site UOL Economia, existem vários motivos para uma empresa sair da Bolsa. Um dos mais comuns é a fusão ou aquisição, em que uma companhia tem sua listagem cancelada após ser incorporada por outra. Exemplos recentes dessa modalidade são a Locamerica, que comprou a Unidas e depois foi comprada pela Localiza (RENT3) e a fusão da Cia. Hering com o Grupo Soma (SOMA3).

Uma empresa pode também decidir que já não é mais interessante ter investidores no mercado ou quando sofre grande desvalorização e a ação perdeu tanto valor que já não há mais sentido em manter o capital aberto. Manter uma companhia listada na Bolsa custa caro, visto que são necessários vários investimentos em auditorias e equipe de relacionamento com os investidores.

Nubank

Segundo o Nubank, a mudança objetiva "maximizar a eficiência e escalabilidade", visto que a dupla listagem exige estruturas diferentes para atender às normas específicas dos mercados em que seus papéis são negociados.

Conforme anuncia Cristina Junqueira, CEO e cofundadora do Nubank no Brasil, o fechamento do capital no Brasil irá reduzir cargas de trabalho duplicadas desnecessárias em requisitos regulatórios e que consomem "recursos consideráveis". A empresária ainda afirma que a decisão não "afeta seu compromisso de longo prazo com o país e o mercado de capitais local".

Gradiente

No caso da Gradiente, o fechamento de capital faz parte do seu acordo de recuperação judicial iniciado em 2019, mas que só pode ser feito após o pagamento dos credores e um acordo para pagamentos de impostos à União. Segundo a reportagem do site Uol Economia, o custo de se manter na Bolsa para a Gradiente era de cerca de R$ 1,5 milhão por mês.

Como uma empresa sai da Bolsa?

Para fechar o capital da empresa, é preciso comprar todas as ações de volta, tanto as disponíveis no mercado, quanto as que pertencem aos acionistas. O primeiro passo, portanto, é avisar aos investidores. Em seguida, a companhia deverá fazer um pedido à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Como o valor da ação é estipulado?

O valor de aquisição das ações é definido pela empresa que realizará a compra, utilizando o critério de valor justo "determinado por um laudo de avaliação elaborado por uma empresa especializada", diz Resende. O cálculo é realizado levando em consideração a cotação média dos últimos 12 meses, o valor econômico da companhia e o valor do patrimônio líquido por ação, segundo Regis Chinchila, da Ativa Investimentos.

No caso da Gradiente, o valor fixado está 55% mais alto que a cotação atual da empresa. Na OPA da IGB, o valor da ação será de R$ 40,51, enquanto no mercado o papel estava custando R$ 26,13 na última sexta (9), antes do anúncio. O preço da ação ainda será corrigido pela Selic até a data do leilão.

Quais são as opções para os investidores?

No caso do Nubank, os acionistas terão três opções: trocar os recibos por ações negociadas nos EUA, trocar o BDR de nível 3 por um de nível 1, ou fazer a venda dos BDRs na Bolsa brasileira ou norte-americana, através do processo de venda facilitado.

O investidor que decidir converter os BDRs em ações devem deter recibos suficientes. No caso, cada BDR do Nubank equivale a um sexto de uma ação da fintech listada em Nova Iorque. Dessa maneira, o investidor precisará deter seis ou mais BDRs para aderir à opção, além de uma conta ativa em uma corretora nos Estados Unidos.

Os clientes NuSócios também poderão escolher entre a conversão e a venda de seus BDRs, antes do fim do prazo específico de lockup, em que a venda será proibida.

Investidores podem comprar ações de uma empresa que está deixando o mercado?

Interessados podem comprar ações mesmo após o anúncio da OPA, podendo ser até mesmo um negócio lucrativo. No caso da companhia de eletroeletrônicos, os acionistas que adquiriram uma ação da Gradiente pagaram um valor abaixo do que ficou definido para a empresa recomprá-la (R$ 40,51).

O único problema de investir atualmente na Gradiente é que a empresa possui poucas ações no mercado, ficando mais sujeitas à especulações.

O que acontece se os acionistas não acharem o valor fixado pela CVM justo?

Caso mais de 10% dos acionistas concordarem que o valor de venda da ação não é justo, deverá ser convocada uma assembleia para que uma empresa independente faça o cálculo do preço e avalie se houve alguma falha na metodologia.

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