IA promete reduzir mortalidade de aves em usinas solares

IA promete reduzir mortalidade de aves em usinas solares

Por Gustavo Minari | Editado por Douglas Ciriaco | 23 de Setembro de 2022 às 15h42
foremankelly/Envato

Pesquisadores do Laboratório Nacional Argonne e da Duke Energy, ambos nos Estados Unidos, desenvolveram um sistema de inteligência artificial (IA) capaz de rastrear o comportamento das aves em regiões ocupadas por instalações solares e fazendas fotovoltaicas.

Segundo os cientistas, essa tecnologia pode ser utilizada para avaliar os impactos causados por matrizes de painéis solares no habitat de pássaros e outros animais selvagens que, ao longo dos últimos anos, passaram a conviver diariamente com enormes placas de silício.

“Os pássaros se alimentam, acasalam, nidificam e, infelizmente, morrem. O papel que os painéis solares e outros equipamentos desempenham nessas atividades ainda é um mistério para os seres humanos”, explica a diretora de desenvolvimento ambiental da Duke Energy, Misti Sporer.

Vida selvagem

Até 2023, câmeras especiais e algoritmos de inteligência artificial vão monitorar a interação entre as aves e painéis fotovoltaicos em 65 usinas solares espalhadas pelos Estados Unidos. A ideia é treinar o sistema de IA para reconhecer o comportamento dos pássaros, incluindo atividades específicas como colisões com esses painéis.

IA detecta a movimentação dos pássaros entre os painéis solares (Imagem: Reprodução/Argonne National Laboratory)

Ao coletar uma grande quantidade de dados praticamente em tempo real, o sistema de monitoramento desenvolvido pelos pesquisadores poderá preencher lacunas fundamentais para ajudar a entender as causas das mortes de aves selvagens que habitam ou migram para regiões com grande concentração de instalações solares.

“O maior foco nesse momento tem sido coletar vídeos para treinar nossos modelos. Também estamos desenvolvendo muitos algoritmos de aprendizagem de máquina, necessários para identificar pássaros em seu habitat comum, classificando todas as atividades que envolvam as aves e os painéis solares”, acrescenta o engenheiro de software e líder técnico do projeto Adam Szymanski.

Efeito lago

Segundo os pesquisadores, há muitas questões não explicadas que podem ter relação direta com a morte de aves nas proximidades de usinas fotovoltaicas. Um dos fenômenos mais estudados é o chamado “efeito lago”, em que pássaros migratórios confundem painéis solares com o espelho d'água e acabam colidindo com eles.

Aves confundem painéis solares com espelho d`água (Imagem: ADDICTIVE_STOCK/Envato)

Com o novo sistema de monitoramento em tempo real, será possível identificar se fatores como o tipo de construção ou o tamanho dos painéis podem influenciar diretamente no índice de mortalidade desses pássaros, diminuindo os riscos potenciais para espécies que ainda não aprenderam a lidar com o avanço das matrizes solares.

“A principal coisa que os desenvolvedores de energia solar perguntam é o que precisamos fazer em relação às pesquisas de pré-construção para entender se há ou não riscos para as aves em uma determinada região. Por isso, após a conclusão do protótipo em 2023, queremos implantar esse sistema em outros locais, com novos parceiros do setor de energia solar”, encerra a bióloga Amanda Klehr, consultora do projeto.

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