Intel Arc A770 seria em média 14% melhor que RTX 3060 com Ray Tracing

Intel Arc A770 seria em média 14% melhor que RTX 3060 com Ray Tracing

Por Renan da Silva Dores | Editado por Wallace Moté | 02 de Setembro de 2022 às 16h50
Intel

A Intel divulgou nesta quinta-feira (1) os primeiros testes da Arc A770, placa topo de linha da família Xe-HPG Alchemist, executando jogos com Ray Tracing — ponto em que a performance das GPUs da companhia ainda era um mistério. Segundo os dados, a solução entregaria desempenho excepcional considerando o segmento em que está mirando, sendo em média 14% mais potente que uma Nvidia GeForce RTX 3060 graças ao uso de estruturas especiais de hardware.

Os números divulgados pela Intel mostram a Arc A770 e a RTX 3060 rodando 17 títulos em 1080P e 1440P no preset do Ultra, apresentando vantagem notável para a solução do time azul. A bancada utilizada era constituída por uma placa-mãe ASUS ROG MAXIMUS Z690 Hero, 32 GB de RAM DDR5-4800, SSD M.2 NVMe PCIe 4.0 Corsair MP600 Pro XT de 4 TB e Windows 11, além dos drivers 516.59 da Nvidia e 3262 em versão de testes da Intel.

Nessas condições, a A770 apresentou em média desempenho 14% superior à integrante da linha GeForce, com destaque para os games Dying Light 2, F1 2021, Control, Fortnite e Arcadegeddon, em que a diferença atingiu respeitáveis 32%. Também vale mencionar o desempenho em Ghostwire Tokyo, não exatamente pela performance, em margem de erro com vantagem de apenas dois quadros para a Arc, mas sim pelos drivers.

Segundo a Intel, a Arc A770 seria em média 14% mais potente que a RTX 3060 em Ray Tracing em 1080P no Ultra (Imagem: Intel)

A companhia revela que, em um driver beta disponibilizado durante a execução dos testes, a placa da Intel teria ganhado 25% de desempenho em relação à versão anterior do software — um lembrete de como a empresa ainda está lutando para ajustar e otimizar os próprios drivers, o que na verdade pode ser um ponto negativo se levarmos em conta a estabilidade que a RTX 3060 possui nesse quesito.

Outro aspecto que chama atenção é a divulgação dos primeiros resultados que utilizam o Xe Super Sampling, ou XeSS, técnica rival do DLSS da Nvidia que utiliza Inteligência Artificial para renderizar os games em uma resolução menor e realizar upscaling para aprimorar o desempenho. A técnica estava prevista para estrear ainda durante o verão do hemisfério norte, mas segue indisponível até o momento.

A A770 também teria desempenho sólido de Ray Tracing em 1440P, e poderia recuperar até 113% de performance graças ao XeSS (Imagem: Intel)

Avaliando os dados, podemos esperar que a técnica entregue de 49% a 113% mais desempenho quando utilizado no modo "Performance", e apresente taxas de quadros de 26% a 77% maiores quando configurada no modo "Balanced" (equilibrado). Os ganhos são equivalentes ao visto com o DLSS, variando de título para título, mas ainda é preciso saber se a qualidade final da imagem é de fato satisfatória.

Um ponto interessante a se considerar é o uso da A770 nos testes, não apenas por estes serem os primeiros testes mais completos divulgados da placa topo de linha, como também pelo fato de que, normalmente, a Intel utiliza a A750 como rival direta da RTX 3060. Isso pode indicar que a placa mais simples entrega desempenho inferior ou ao menos equivalente à concorrente da Nvidia.

Seja como for, vale destacar que, como é costume nesses casos, os resultados são selecionados pela Intel para exaltar a potência da placa. O ideal é aguardar pelos reviews de veículos especializados para sabermos o verdadeiro potencial da família Arc com Ray Tracing e jogos no geral.

Thread Sorting Unit acelera organização de raios

Ainda no texto de divulgação dos testes, a Intel revelou mais detalhes da arquitetura utilizada nas estruturas de aceleração de Ray Tracing, mostrando um dos possíveis motivos pelos quais a Arc A770 apresentou vantagens significativas em determinados títulos. Além da RT Unit, o núcleo especializado responsável por calcular o traçado de raios no ambiente 3D do game, a Intel implementa a chamada Thread Sorting Unit (TSU).

O grande trunfo de Ray Tracing da Intel é a Thread Sorting Unit (TSU), núcleo que agrupa raios com características semelhantes para acelerar o processamento no chamado Asynchronous Ray Tracing (Imagem: Intel)

Quando um raio atinge um objeto 3D, ele retorna, entre outros dados, o chamado Hit Shader, que detalha as características do material implementado nesse objeto, incluindo capacidade de reflexão, opacidade e mais. Como milhões de raios são lançados a cada quadro renderizado, por pixel da tela, a quantidade de dados é muito elevada, e pode atrasar determinados processos mesmo com a aceleração de hardware.

Resumidamente, a TSU fica responsável por organizar os dados coletados por cada raio emitido, em especial os Hit Shaders, de forma a otimizar seu processamento ao combinar os raios que retornam características semelhantes. Com isso, as placas Intel Arc conseguem executar os cálculos mais rapidamente, resultando em mais desempenho. Essa aceleração proporcionada pela TSU é chamada pela Intel de "Asynchronous Ray Tracing" (Ray Tracing assíncrono).

A última novidade revelada pela Intel foi o suporte do game Gotham Knights aos recursos de Ray Tracing da família Arc. O título será lançado em 21 de outubro, mas ainda não está claro se teremos as GPUs da companhia disponíveis até lá.

Fonte: Intel

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.