Toneladas de lixo em Marte colocam missões futuras em risco

Toneladas de lixo em Marte colocam missões futuras em risco

Por Danielle Cassita | Editado por Patrícia Gnipper | 22 de Setembro de 2022 às 15h21
ESA & MPS for OSIRIS Team

A grande quantidade de lixo espacial em Marte, composta por objetos de origem humana enviados ao planeta, pode colocar em risco as missões futuras lançadas para lá. O alerta vem de Cagri Kilic, pesquisador de pós-doutorado na Universidade de Virginia, nos Estados Unidos, que estuda formas de monitorar os rovers em Marte e na Lua. Ele estima que o Planeta Vermelho já tenha mais de 7 toneladas de lixo em sua superfície.

Kilic considerou a massa de todas as missões já enviadas ao planeta, que totalizam cerca de 9.979 kg, e subtraiu a massa daquelas que seguem em operação. “Você fica com 7.119 kg de detritos humanos em Marte”, disse ele. Hoje, a principal preocupação com estes objetos no planeta está relacionada aos riscos que oferecem a missões atuais e futuras. Por isso, a equipe do rover Perseverance está registrando todos os detritos que o veículo encontra pelo caminho.

Escudo térmico do rover Perseverance descartado (Imagem: Reprodução/NASA/JPL-Caltech)

Eles também estão verificando se estes fragmentos podem, de alguma forma, contaminar as amostras que o rover está coletando, para serem enviadas à Terra na próxima década para estudos. Outra preocupação está relacionada à possibilidade de o rover ficar preso em meio aos detritos deixados pelo pouso, mas concluíram que os riscos eram mínimos.

Além dos riscos, os detritos em Marte são de grande importância por representarem os primeiros passos da exploração planetária. A missão Mariner 4, a primeira já enviada a Marte, foi lançada rumo ao planeta em 1964. Desde então, a humanidade já soma mais de seis décadas de exploração deste mundo vizinho: segundo estimativas do Escritório das Nações Unidas para Assuntos do Espaço Externo, 18 objetos artificiais já foram levados a Marte em 14 diferentes missões.

Tipos de lixo em Marte

Esta exploração é representada pelos fragmentos de objetos deixados na superfície do planeta: cada missão enviada para descer ao solo de Marte exige um módulo, que a protegerá durante a entrada na atmosfera e comporta os paraquedas e demais estruturas necessárias para um pouso suave. Conforme o módulo desce, a nave descarta estes componentes, que podem cair em diferentes lugares no planeta.

Escudo térmico do rover Opportunity e um possível meteorito (Imagem: Reprodução/NASA/JPL-Caltech/Cornell )

Em agosto, por exemplo, a NASA confirmou que o rover Perseverance encontrou fragmentos de partes descartadas durante seu pouso em Marte. Os objetos estavam quebrados devido à queda, e foram espalhados pela ação dos ventos — parte de seus paraquedas estavam a cerca de 1 km do local do pouso!

Mesmo as missões que já encerraram suas operações, como o rover Opportunity ou os landers Mars 3 e 6 e outros, têm suas parcelas de “responsabilidade” quando o assunto é o lixo espacial ali. “A maioria está intacta, e talvez elas possam ser mais consideradas relíquias históricas do que lixo”, observou o pesquisador.

Chegamos, por fim, ao terceiro tipo de lixo em Marte, composto por missões que não conseguiram passar pela entrada na atmosfera, a etapa mais difícil para o pouso, e acabaram se chocando contra o solo marciano. “Pelo menos duas naves espaciais caíram, e outras quatro perderam o contato antes ou um pouco após pousar”, recordou ele.

Fonte: Cagri Kilic (The Conversation)

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