Quanto tempo levaria para "dirigir" até a borda do universo?

Quanto tempo levaria para "dirigir" até a borda do universo?

Por Daniele Cavalcante | Editado por Patrícia Gnipper | 21 de Setembro de 2022 às 09h30
twenty20photos/Envato

Imagine se houvesse uma rodovia atravessando todo o universo observável, como se estivéssemos em uma obra de Douglas Adams (autor de O Guia do Mochileiro das Galáxias). Imagine também se pudéssemos viajar por toda essa estrada em um carro comum. Como seria essa jornada e quanto tempo ela duraria?

Felizmente, alguém já imaginou e perguntou a Randall Munroe, que prontamente respondeu com rigor científico. Essa dinâmica — perguntas absurdas feitas por leitores e respostas científicas — é o tema de seu blog What if e seus dois livros homônimos.

Vamos aos fatos: a borda do universo observável está a 434.522.880.000.000.000.000.000 km de distância. Como a rodovia é provavelmente pouco movimentada (nem todo mundo estaria motivado a essa viagem), podemos supor que você viajará a 104,61 km/h.

Nessa velocidade, você levaria 480.000.000.000.000.000 anos para chegar ao destino. Para economizar caracteres e deixar o texto mais agradável, podemos reduzir esse número para seu equivalente 4,8 × 10¹⁷. Isso corresponde a 35 milhões de vezes a idade atual do universo.

Concepção artística em escala logarítmica do universo observável (Imagem: Pablo Carlos Budassi)

Se você ainda estiver disposto para a jornada, temos mais alguns números — não para desanimá-lo, mas para prepará-lo. Estamos falando de 46,1 bilhões de anos-luz de distância, e para gastar apenas o tempo previsto acima, você pode querer um carro autônomo para que você possa dormir. O problema é que há muitos objetos “voando” (ou orbitando, para ser tecnicamente correto) pelo espaço.

Um veículo autodirigível seria uma grande vantagem para passar pelo cinturão de asteroides, por exemplo. Embora eles fiquem bem distantes uns dos outros (em escala humana), seus movimentos são rápidos, e você pode calcular errado quando cruzar o caminho deles.

Além disso, a chance de dirigir por si mesmo sem nenhum acidente seria de cerca de 1 em 10¹⁰^¹⁵. Isso é mais ou menos a mesma que a probabilidade de um macaco redigir toda a Biblioteca do Congresso dos EUA usando uma máquina de escrever, sem erros de digitação, 50 vezes seguidas.

Digamos que você utilize um carro a gasolina. Nesse caso, você rodaria 53,11 km por galão e precisaria de um tanque de combustível do tamanho de uma Lua para chegar à borda do universo. Também seria prudente passar por cerca de 30 quintilhões de trocas de óleo, então o recipiente de óleo de motor teria o volume do Oceano Ártico.

Representação de uma anã escura marrom, semelhante ao que os astrônomos supõem que anãs brancas se tornarão no futuro (Imagem: Reprodução/NASA/ JPL-Caltech)

Se viajar pelo Sistema Solar à velocidade da luz é bastante tedioso, a jornada pelo espaço interestelar e intergaláctico não promete muito entretenimento. Então, talvez você queira levar alguns audiolivros e podcasts. O problema é que isso não durará nem para a borda do Sistema Solar.

Ao chegar na borda do universo observável, não haverá nada para explorar — nenhum planeta, estrela ou galáxias brilhantes. Apenas buracos negros e os cadáveres de estrelas de baixa massa estarão vagando solitárias num enorme cemitério cósmico. As estrelas apagadas e frias, chamadas anãs negras, são o que restará das anãs brancas quentes.

Os cientistas não sabem o que há depois do universo observável, que é apenas até onde podemos ver com os telescópios mais poderosos. Aliás, é por isso que ninguém sabe o formato do cosmos. Ele poderia ser uma esfera ou até mesmo um toro. Caberá a você descobrir e lidar com o fato de não haver mais ninguém para quem compartilhar esse conhecimento.

Fonte: Good Question

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