Novo mapa revela as distâncias de milhares de galáxias com alta precisão

Por Danielle Cassita | Editado por Patrícia Gnipper | 28 de Setembro de 2022 às 09h39

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Uma equipe de pesquisadores liderada por Brent Tully e Ehsan Kourkchi, astrônomos da Universidade do Havaí, montou o maior compilado já feito com distâncias entre galáxias, determinadas com alta precisão. O compilado foi chamado de “Cosmicflows-4” e foi montado com oito diferentes métodos, que permitiu que eles medissem as distâncias a cerca de 56 mil galáxias.

Devido à expansão do universo iniciada com o Big Bang, as galáxias que não fazem parte da nossa vizinhança imediata no universo estão se afastando. Assim, ter medidas da distância das galáxias e da velocidade delas é uma forma de determinar a escala do universo e o tempo que passou desde seu surgimento.

Para determinar as distâncias das galáxias, Tully e Kourkchi usaram materiais originais próprios de dois métodos, e adicionaram informações de estudos preliminares. Além disso, o Cosmicflows-4 também ajudou em estudos sobre o movimento individual das galáxias, somado à expansão geral do universo. A expansão é afetada pelos efeitos gravitacionais da matéria em diferentes escalas — a maior delas é dominada pela misteriosa matéria escura.

“Ao combinar ferramentas mais precisas, conseguimos medir as distâncias das galáxias e a taxa de expansão do universo e do tempo desde o nascimento do universo, com a precisão de alguns por cento”, disse Tully. Com as novas medidas, os pesquisadores determinaram que a Constante de Hubble (unidade que descreve a taxa de expansão do universo) é de 75 quilômetros por segundo por megaparsec (cada megaparsec equivale a 3,26 milhões de anos-luz).

Entender o valor real da constante é um dos maiores desafios da astronomia moderna: com base na física fundamental, usada para explicar a evolução do universo, os cientistas acreditam que a Constante deveria ser de aproximadamente 68 km/s/Mpc. Contudo, este número não corresponde àquilo que se observa em estrelas e galáxias.

No caso deste estudo, os autores chegaram a uma diferença entre os valores medidos e previstos da constante de aproximadamente 7,5 km/s/Mpc, bem acima daquele proposto pelas incertezas estatísticas. Isso pode indicar algum problema fundamental na forma como se entende a física do universo, mas pode significar também algum erro sistemático nas medidas das distâncias até as galáxias.

O artigo com os resultados do estudo foi publicado na revista The Astrophysical Journal.

Fonte: The Astrophysical Journal; Via: Universidade do Havaí, UChicago