O que foi a Guerra das Armaduras e porque ela vai virar série no Disney+?

O que foi a Guerra das Armaduras e porque ela vai virar série no Disney+?

Por Durval Ramos | Editado por Jones Oliveira | 19 de Setembro de 2022 às 10h10
Marvel COmics

Uma das sagas mais icônicas do Homem de Ferro está finalmente a caminho do Universo Cinematográfico da Marvel (MCU, na sigla em inglês). E isso acontece no momento em que Tony Stark é apenas uma memória no já extenso mundo dos super-heróis. Assim, a tão esperada Guerra das Armaduras chegará com uma cara um pouco diferente.

A nova série do MCU ainda não teve sua data divulgada para chegar ao Disney+, mas alguns detalhes já foram antecipados. Isso inclui a escolha do Máquina de Combate (Don Cheadle) como personagem principal e o fato de a trama ser uma sequência direta dos eventos de Invasão Secreta, que chega ao streaming no início de 2023 — e isso, por si só, já diz bastante coisa do que está por vir.

E, por ser um arco bastante icônico dos quadrinhos do Homem de Ferro, saber o que acontece nos gibis é uma ótima forma de imaginar os caminhos que o seriado deve trilhar. Embora traga um herói diferente no papel principal, a essência da trama deve se manter a mesma: o que aconteceria caso o pior pesadelo de Tony Stark se tornasse realidade.

Até agora, tudo o que temos da série é uma logo genérica (Imagem: Divulgação/Marvel Studios)

O pesadelo de Stark

Ao contrário das grandes sagas que a Marvel passou a publicar a partir dos anos 1990, Guerra das Armaduras é uma fase que acontece dentro das histórias regulares do Homem de Ferro. Isso significa que ela não é um grande crossover que mexe de forma drástica com o universo da editora, ainda que conte com a participação de vários heróis e vilões.

O arco acontece nas páginas Iron-Man #226-231, publicadas entre dezembro de 1987 e junho de 1988. Nessa época, a composição do universo Marvel era bem diferente do que temos nas revistas atuais e ainda mais em comparação com o MCU. O exemplo mais claro disso era que Tony Stark guardava sua identidade secreta e o mundo acreditava que o Homem de Ferro era seu guarda-costas particular.

Tony fica tão transtornado pelo roubo da tecnologia que vai atrás de vingança (Imagem: Reprodução/Marvel Comics)

Apesar dessa situação quase infantil, uma coisa era bastante familiar: o medo do herói de ver sua tecnologia cair em mãos erradas. Desde aquela época, o personagem já apontava que os recursos usados na criação de seu traje eram únicos e, por isso mesmo, muito visados por criminosos e organizações terroristas do mundo todo. Assim, ele nunca escondeu seu temor de que o uniforme do herói se transformasse em armas para os vilões.

E Guerra das Armaduras parte justamente dessa premissa. Afinal, o que aconteceria caso a tecnologia Stark fosse usada para o mal?

Isso acontece quando o vilão Espião-Mestre consegue roubar segredos das Indústrias Stark, o que inclui detalhes sobre a composição de sua armadura. O criminoso vende esses dados para Justin Hammer, um inescrupuloso empresário rival de Tony — e que é o grande antagonista de Homem de Ferro 3. Lembra dele?

Com esses protótipos em mão, Hammer decide lucrar horrores em cima de sua nova aquisição e passa a vender a tecnologia do Homem de Ferro para quem puder pagar, o que significa que organizações terroristas, governos tiranos e até mesmo vilões passam a se armar como um dos Vingadores mais poderosos. E as coisas rapidamente se transformam em um inferno na vida do herói.

Stark foi atrás de cada um dos vilões que usaram sua tecnologia e chegou a matar alguns (Imagem: Reprodução/Marvel Comics)

Tony Stark descobre o vazamento quando vai enfrentar o irrelevante Força, um vilão mequetrefe da Marvel, mas que aparece muito bem armado com um traje que lembra muito o seu. É a partir disso que ele toma conhecimento do que aconteceu e entra em desespero ao ver o tamanho do estrago.

Ao longo de toda a saga, o Homem de Ferro vai atrás dos criminosos que passaram a se beneficiar de sua tecnologia, o que inclui nomes como Metalóide, Mauler, Controlador e o Dínamo Escarlate.

O grande ponto que ajuda Guerra das Armaduras a se tornar uma história icônica do herói são as consequências dessa falha de segurança de Stark. Em primeiro lugar, o próprio bilionário fica bastante abalado com o vacilo e passa a atuar de forma bastante intempestiva na hora de resolver o problema.

Em uma de suas lutas contra esses vilões de armadura, uma criança morre e, em outro confronto, ele chega a matar o criminoso Homem de Titânio. Além disso, sua paranoia faz com que ele questione e ataque até aliados, como o vingador Arraia.

A paranoia de Stark fez com que ele questionasse os próprios Vingadores (Imagem: Reprodução/Marvel Comics)

Isso tudo faz com que o Capitão América e os próprios Vingadores tentem segurar Tony para que ele vá com calma — o que não dá muito certo. Tony seguia descontrolado tentando resolver sua própria crise.

O problema é que essa sequência de mancadas começou a pegar mal na imagem do próprio Homem de Ferro, forçando Stark a "demitir" seu guarda-costas. E, enquanto esse show midiático acontecia, o próprio governo americano movia seus pauzinhos: de posse da mesma tecnologia, eles criam um herói a serviço do país para conter ameaças no nível do próprio herói descontrolado. Surgia assim o Poder de Fogo.

O problema é que o embate desses dois homens de armadura não é nada pacífico e quase destrói metade da cidade de Detroit, ainda mais quando Poder de Fogo perde o controle do traje.

No fim, muita coisa explode e Tony consegue impedir que a bomba presente na armadura do soldado descontrolado leve parte do país para os ares. Ao mesmo tempo, ele recupera a tecnologia roubada e cria maneiras de impedir que criminosos se aproveitem dela novamente. Ainda assim, ele segue se sentindo culpado por tudo o que aconteceu por um bom tempo.

Como a Guerra das Armaduras vai chegar ao MCU

Essa ideia da tecnologia Stark ser roubada por vilões é algo que sempre esteve presente no MCU. Desde Homem de Ferro 2, os filmes exploram essa possibilidade a ponto de ser até uma temática até repetida. Afinal, ela também pauta o roteiro de Homem de Ferro 3, Vingadores: Era de Ultron e até Homem-Aranha: Longe de Casa.

Por isso, foi até uma surpresa ver Guerra das Armaduras ser anunciada como uma série. E, nesse caso, o fato de Tony Stark já estar morto faz com que a trama se torne até um pouco previsível: com o herói fora de cena, vamos ver os segredos do reator Arc e do próprio traje se espalhar pelo mundo e ser instrumentalizada por vilões e grupos criminosos — e cabe a Jim Rhodes lutar para defender o legado de seu amigo.

Máquina de Combate vai finalmente ganhar um pouco de protagonismo (Imagem: Divulgação/Marvel Studios)

Esse componente mais emotivo deve ser o grande diferencial da série em relação à HQ. Cada menção ao Homem de Ferro nos filmes e séries do MCU faz o fã ficar emotivo, então trazer uma história que é focada no vazio deixado pelo Vingador Dourado vai fazer muito marmanjo lacrimejar.

Ao mesmo tempo, a relação que a Marvel fez entre Guerra das Armaduras e Invasão Secreta é um ponto que chama a atenção. Nos quadrinhos, as duas histórias estão separadas por décadas de cronologia e não dialogam em absolutamente nada, mas o MCU parece ter dado um jeito para isso — de modo que é possível imaginar que os skrulls que vão aparecer na série de Nick Fury podem, de alguma forma, desencadear a tal guerra.

No entanto, isso é apenas especulação. Até o momento, nada foi detalhado sobre a trama do seriado e parece que ainda vamos ter que esperar mais um pouco até isso acontecer. Afinal, a fila de Kevin Feige já está bem grande até o ano que vem.

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