Review Android 13 | Evolução na medida, mas sem surpreender

Por Matheus Bigogno Costa | Editado por Douglas Ciriaco | 19 de Agosto de 2022 às 08h11
Montagem: Matheus Bigogno/Canaltech

O Android 13 é realidade e já está entre nós. Depois das novidades apresentadas no Google I/O 2022, o software chegou com aprimoramentos em privacidade, conectividade e atualizações sutis na parte visual.

O Canaltech testou a nova versão para acompanhar as evoluções do sistema operacional. Será que o novo Android leva o sistema a outro patamar ou é só mais do mesmo? Confira abaixo a nossa análise completa do Android 13.

Prós

  • Melhorias estáveis e intuitivas
  • Mudanças necessárias no visual do Material You
  • Configurações de idioma por app são interessantes

Contras

  • Escassez de novos recursos
  • Opções de escala de cores ainda limitadas
  • Opções limitadas de apps com diferentes idiomas

Poucas mudanças no design e interface

Quando o Android 12 foi anunciado, um dos maiores destaques foi a Material You, que redefiniu a cara do sistema operacional. O Google apostou em uma nova identidade visual e reformulou conceitos estéticos, com um design mais amigável e confortável aos olhos — mesmo que isso tenha sido algo controverso, já que reduzia o poder de decisão dos designers sobre qual paleta de cores usar em seus aplicativos.

No entanto, algumas mudanças ainda precisavam ser feitas, e elas vieram agora, com a chegada do Android 13. A principal delas foi a adição de cores dinâmicas aos temas: com a mudança, o sistema conta com até 16 opções diferentes de cores para personalização, dando maior flexibilidade e customização, sem sequer ter que alterar o papel de parede. Embora tenha sido um excelente aprimoramento, confesso que senti falta de mais opções de cores.

Não há mudanças significativas na interface do Android 13; ele continua usando o Material You (Captura de tela: Matheus Bigogno/Canaltech)

O Android 13 também é o primeiro sistema operacional a permitir ativar ícones temáticos de apps de terceiros na tela inicial em vez de só os do Google, porém essa opção segue bastante limitada. Ainda não se tem muita certeza se grandes empresas vão aderir a essa opção de design, o que pode deixar a tela inicial do celular bastante confusa. No entanto, o design dos apps do Google casam perfeitamente com as cores que você escolher como tema do dispositivo.

Eu particularmente sou uma pessoa que ama usar o celular no modo escuro, especialmente porque eu tenho fotofobia, então, uma novidade legal da nova interface é poder programar o tema escuro para períodos noturnos. Com isso, eu não sofro mais com o brilho máximo da tela de madrugada, acordando cansado e tentando ver as horas — convenhamos, isso causa um certo desconforto.

Novas opções de mídia nas Configurações Rápidas

As Configurações Rápidas ganharam algumas novidades interessantes, como um novo reprodutor de mídia nativo. Através dele é possível ajustar o slider de reprodução e alterar a saída do áudio entre alto-falante e outros dispositivos. Ao ouvir uma música ou abrir um vídeo no YouTube, ele destaca a capa do álbum e sua barra de avanço possui uma animação enquanto o conteúdo progride.

Embora essa animação do slider seja um detalhe que, logo de cara, pareça irrelevante ou meramente visual, a alteração pode ser uma mão na roda. Isso porque ela pode indicar se você esqueceu de pausar uma música ou podcast, especialmente se não está usando o fone de ouvido ou o volume do celular está muito baixo.

Mais privacidade (mas ainda dá para melhorar)

Muitos apps costumam ser extremamente invasivos no que diz respeito ao envio de notificações. E, um ponto legal da atualização, o Android 13 tenta mitigar isso: agora, novos apps terão que pedir permissão para bombardear os usuários com notificações.

E, melhor ainda, ao acessar a aba “Notificações” de cada app, é possível escolher quais tipos de notificação poderão ser exibidas, além de só permiti-las ou não. Isso é uma adição muito interessante, porque permite remover notificações consideradas desnecessárias.

Outra adição importante foi a opção de compartilhar fotos e vídeos específicos com determinados aplicativos, eliminando o acesso a todo o conteúdo interno. Com isso, é possível evitar que determinados apps acessem imagens ou arquivos com informações sensíveis. A novidade vem bem a calhar, porque aumenta a privacidade dos dados guardados no celular.

É notável os esforços do Google para aumentar a segurança e a privacidade dos seus usuários no Android 13 (Captura de tela: Matheus Bigogno/Canaltech)

Como existem apps que acessam a área de transferência do sistema e veem o texto copiado pelo usuário, outra mudança precisou ser feita: o Android agora limpará automaticamente dados copiados pelos usuários, como número de telefone, e-mail e endereço de login depois de um certo tempo.

Vendo tudo isso, a dúvida que fica é justamente esta: por que o Google demorou para trazer essas opções? Embora sejam recursos altamente poderosos no que diz respeito à privacidade, a sensação que fica é de algo que já poderia ter sido feito antes.

Infelizmente, privacidade parece um conceito difícil de se garantir no Android, já que o Google vive de publicidade, especialmente dos dados compartilhados por seus usuários. No entanto, é notável que a empresa venha tentando, a cada nova atualização, ser mais transparente com isso e, na medida do possível, dificultar o acesso mal-intencionado aos dados dos usuários.

Idiomas específicos para cada app

Seguindo a linha do iOS, o Android 13 trouxe um novo recurso bem interessante: permitir que cada app tenha um “idioma preferido”. Dessa maneira, é possível usar diferentes aplicações em diferentes idiomas.

Isso é um ponto bem interessante para quem estuda novos idiomas ou que notar que a tradução de determinadas plataformas não está das melhores. Assim, melhor ficar a cargo dos usuários a decisão sobre qual idioma usar em cada aplicativo.

No Android 13, é possível selecionar o "idioma preferido" para apps individualmente (Captura de tela: Matheus Bigogno/Canaltech)

O único “porém” vem justamente do fato de ainda haver poucos apps compatíveis com esse recurso. No entanto, é de se esperar que a novidade chegue a novas plataformas com o passar do tempo.

Mudanças negativas na divisão de tela

Uma das coisas legais que o Android sempre permitiu fazer foi usar dois apps em telas divididas de maneira fácil. Com o Android 12L, o Google até conseguiu trazer novidades interessantes para dispositivos com telas maiores, como tablets e dispositivos dobráveis, mas agora, no Android 13, o processo de divisão de tela ficou mais travado.

Antes, com apenas um app aberto, já era possível colocá-lo em tela dividida; agora é preciso ter pelo menos dois apps abertos para acessar a função.

Mais conectividade

Aqueles que precisam compartilhar arquivos via Bluetooth vão ter uma surpresa positiva. O Android 13 agora conta com o Bluetooth Low Energy (LE), que oferece baixa latência na transmissão de dados. A tecnologia Bluetooth é excelente para esse tipo de coisa, e sinto que poderia ser mais utilizada. Quem sabe, com essa opção extra, mais e mais pessoas comecem a aderir ao seu uso no cotidiano.

Para quem usa Chromebook, uma novidade no que tange a parte de conectividade: Aparentemente tentando correr atrás da conectividade oferecida pelos dispositivos da Apple, o Android 13 agora permite que você responda a mensagens que chegam no celular diretamente no PC.

Embora isso seja algo ainda inicial e que funciona apenas com o WhatsApp e Signal, é possível esperar que essa conectividade cresça no futuro.

Mais do que precisamos, menos do que gostaríamos

O Android 13 pode não ser exatamente a versão mais empolgante do Android que vimos a lançada nos últimos tempos, e certamente não traz mudanças tão significativas assim quanto o Android 12 trouxe em relação ao seu antecessor. Além disso, não há muitos recursos que chamem tanto a atenção logo de cara, mas isso não é necessariamente algo ruim.

E não é algo ruim, porque as maiores mudanças já foram lançadas no Android 12. Sendo assim, o Android 13 pode ter espaço para corrigir os maiores problemas da versão anterior, ao mesmo tempo que pode aprimorar alguns detalhes que não foram feitos antes. Ao mesmo tempo, o sistema pode dar uma pausa das grandes mudanças para poder analisar o que foi bem aceito e o que não foi.

Fato é que o Google conseguiu entender ainda mais o que fazer com o seu sistema operacional, sendo que todos os recursos anunciados são estáveis e funcionam bem. Ou seja, com um ambiente maduro, tudo funciona exatamente como deveria, e — a melhor coisa — tudo parece familiar e intuitivo.

Isso dá a chance de a empresa se concentrar no que importa, como garantir mais segurança, privacidade e, acima de tudo, estabilidade. Como dissemos na nossa análise do Android 12, é bom ver que o Google está se mexendo e correndo atrás no que tange esses quesitos todos, já que o Android 13 possui melhores opções de permissões para notificações e os apps têm menos acesso aos seus arquivos locais.

Enfim, é possível notar que o Android se tornou um sistema operacional maduro e estável de fato. A versão 13 não trouxe as atualizações que saltam aos olhos, porém parece robusta o suficiente para manter o sistema num patamar alto em relação a funcionalidades e solidez.