AirTags já foram utilizadas para perseguir pessoas mais de 150 vezes

Por Vinícius Moschen | Editado por Wallace Moté | 07 de Abril de 2022 às 14h53

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Desde que foram lançados em abril de 2021, os AirTags começaram a trazer alguns problemas para departamentos de segurança em diversas partes do planeta. De acordo com os útlimos levantamentos realizados em delegacias específicas dos Estados Unidos, os localizadores da Apple já foram utilizados para perseguir outras pessoas mais de 150 vezes.

A maioria dos casos acontece em grandes cidades dos Estados Unidos, como Nova York e Detroit. Porém, já foram registrados acontecimentos semelhantes no Canadá e na Europa — em quase todas as denúncias as vítimas das perseguições são mulheres.

Além disso, os smartphones enviaram notificações de alerta em apenas um terço das ocasiões envolvendo AirTags — portanto, em 50 casos. Em metade deles, as vítimas conseguiram identificar pessoas suspeitas da perseguição, como ex-maridos, ex-namorados, chefes ou outros homens.

Em geral, a metodologia dos perseguidores é bastante similar: eles colocam o localizador da Apple em um local escondido — como dentro de bancos de carros, mochilas ou bolsas —, para então acompanhar os movimentos por meio do aplicativo Buscar. Com isso, as vítimas disseram que as pessoas indesejadas simplesmente "apareciam" em todos os lugares em que elas estavam, o que gerou as suspeitas.

Em diversas situações, a perseguição é acompanhada de assédios e ameaças, e as vítimas já apontaram várias vezes que se sentem amedrontadas em relação a possíveis agressões físicas e outros desfechos mais graves.

Não se sabe exatamente qual é a proporção do uso dos AirTags em relação a todos os casos de perseguição relatados nas delegacias pesquisadas. Porém, como foram registrados 13,5 milhões de casos semelhantes nos Estados Unidos durante um ano, estima-se que aproximadamente 4.567 deles aconteçam nestas zonas específicas ao longo de oito meses — portanto, os dispositivos da Apple seriam responsáveis em cerca de 1 a 3% das ocasiões. Mesmo assim, são números bastante especulativos.

Apple conhece os problemas dos AirTags

Publicações anteriores feitas pela Apple afirmam que "os AirTags foram projetados para ajudar as pessoas a encontrar seus pertences pessoais, e não para perseguir pessoas ou propriedades alheias". A marca ainda apontou a otimização do aplicativo Buscar (Find My) na preservação da privacidade do usuário, com criptografia de ponta a ponta e o primeiro sistema proativo de alertas em caso de perseguições.

Além disso, o funcionamento dos sistemas de segurança dos AirTags ainda tem muito espaço para melhorias, como a redução do tempo necessário para uma notificação chegar ao usuário — já que, em muitas ocasiões, as vítimas foram perseguidas por várias horas antes de perceberem que algo estava errado.

Fonte: Vice